3 de dezembro de 2010

Quem


Uma senhora idosa bate no capô de uma ambulância do INEM, com as luzes a cirandar. Pela forma como bate vejo que está preocupada. O seu porte frágil e possivelmente a sua voz baixa não demonstram qualquer atenção do condutor. Parado no trânsito, no meu carro, observo por um minuto este episódio. A senhora bate na ambulância. Vira-se para o lado e dirige-se ao carro que está à minha frente. O carro nem o vidro abriu. Fez-me a mesma pergunta: Não me ouvem, queria saber quem está na ambulância, vivo aqui, sozinha com o meu marido... sabe quem está doente? Disse-lhe para sossegar e ir a casa ver se está tudo bem. Fiquei eu aflito. Vi a senhora afastar-se. A ambulância arrancou, o trânsito obrigou-me a prosseguir. A lide não pára! Quando paramos e nos detemos a vida fala-nos. Segui em frente e parte de mim ainda não parou. Escrevo aqui; nestas teclas sou eu que bato no capô daquela ambulância procurando por quem.

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