29 de janeiro de 2011

Se por cá


O que pediriam os camaradas portugueses se o "povo" ou um grupelho começasse a ir para a rua manifestar-se com violência contra o "estado de coisas"? Com violência, digo, com pilhagens, agressões à polícia, destruição da via pública, vandalismo indiferenciado contra os bens privados? O que pediriam os camaradas (avulsos ou ao bloco)? Tanques, cravos verdelhos ou gasolina e pedras para atiçar?

27 de janeiro de 2011

No fundo


No fundo este país tem o que merece. Aceitou o assassinato de um chefe de estado. Apoiou a contenta de assassinos e terroristas. Aceitou com indiferença duas ditaduras uma delas empedernida. Aceita que os "anti-tirania" se quisessem ter tornado nos tiranetes. Aceita que uns poucos escrevam preâmbulos numa constituição de muitos. Aceita o que uma minoria diz e faz. E que faz mal. Aceita. Talvez porque a maioria espreita. No fundo. Nunca se insurgiu contra a ilegitimidade de um regime imposto pelo terrorismo. Nunca se levantou contra a imposição. Nunca julgou aqueles que infligiram dor e sangue em pról das "conquistas" pessoais. Nunca se interrogou porque os mários e manéis eram os indicados para escreverem o nosso "caminho para o socialismo". Nunca se revoltou contra a irresponsabilidade, ao invés, parece caucionar o assalto ao bem público. No fundo, porque não vê e não vê porque está no fundo.

26 de janeiro de 2011

Haja dieta


Neste país do ver se te avias eu de vez em quando faço dieta. O colesterol agradece. O corpo fica mais leve. Na verdade ando a fazer duas dietas, que aconselho. Alimentar (nem imaginam a canja saborosa que jantei ontem) e dos media. De televisão só desporto ou séries juvenis, de jornais nada, que entopem as artérias cerebrais, de revistas as técnicas, somente, de rádio as estações festivaleiras que não têm blocos noticiosos, de internet só o mail, uma boa dezena de bloggues e um ou outro site noticioso, mas não mais do que 3 minutos/dia. Isto, por vinte dias, repetidos durante o ano, e o corpo fica são e limpo das bactérias nocivas que poluem todo universo da comunicação nacional cujos riscos para a saúde mental são gravíssimos e sem vacinas conhecidas. Enquanto no regime alimentar o peso é visível numa balança no regime mental, se não se tomarem medidas, o balanço pode ser uma irreversível trombose de imbecilidade e seguidismo(1), quando não um terminal vício em paineleirismo-cronismo(2), o que pode conduzir à morte dos neurónios da razão e da personalidade. Haja dieta.


1) Um dos casos graves mais frequentes é o complexo de esquerda e o porreirismo pá. Em casos mais agúdos a associação destas duas doenças pode levar à degeneração das capacidades da fala e à articulação de frases desconexas tais como "onde estavas no 25 de Abril?".

2) No caso de frequentar a república portuguesa, aconselha-se a não exposição aos canais de "informação" nacionais, especialmente a seguir a períodos eleitorais

24 de janeiro de 2011

A comissão e as festas

A Comissão para as comemorações do centenário da república tem pasta mas não foi perfeita. Apesar de ter um gestor genealógicamente republicano tem as suas falhas e as suas barracas. "O" ano todo correu de fiasco em fiasco. Povo nem vê-lo a não ser nas inaugurações abonadas com "entradas" de pato e espumante e, quanto ao repertório, esse, pecou pela negação da história e pelo gatafunho básico, parcial e apressado. A dita comissão vai ficar a facturar até 31 de Janeiro, acho, ou até mais tarde. Tão tarde que até se esqueceu de colocar na sua programação como culminar dos festejos a tão desejada Eleição Presidencial. Não era? Não é por esta eleição que os maçons e carbonários terroristas assassinaram e aterrorisaram? Para dar ao povo a alegria de votar num deles? Ó comissão! Ó artistas que concorreram ao emprego de presidente! Onde esteve o povo neste Domingo? Que rica programação nos dá esta república...

O Partido da Abstenção


O Partido da Abstenção ganhou as eleições para a presidência da república. Querer camuflar esta evidência com a confortável desculpa da ausência, da preguiça, do dia de sol, da viagem à aldeia, do ir a banhos, do fim de semana fora ou do falhanço do apoio aos eleitores portadores do Cartão do Cidadão é um desculpa de mau perdedor. O que manda a honestidade é um discurso objectivo e sobre isso ainda vou ver o que dizem os paineleiros do costume. Para já ainda estou em periodo de nojo. Lá mais para o meio da semana vou tentar ver um noticiário ou um desses programas de "grande informação" que tão carecidamente as TV's nos oferecem. Quem ganhou ganhou e quem ganhou foram os eleitores que se recusam a ir a sepultar numa urna desta natureza.

Acertou

E não é que a ciência pode ser muito fiável? Pelo menos no que diz respeito à "euforia" pós-eleitoral nesta república das ratazanas, este cientista acertou.

23 de janeiro de 2011

Domingo

Este Domingo, como quase todos os outros, é o meu predilecto dia em família. É, actualmente, um dos dois almoços que no desenlace da semana posso fazer em conjunto com os demais cá da casa. O almoço do Domingo era na minha infância um momento especial e animado. Em casa dos meus avós tínhamos por tradição comer um galo assado. Hoje a nossa ementa é mais variada. Desde à umas semanas para cá um novo momento junta-me, durante este dia, com as minhas filhas. Estou com elas a seguir uma série televisiva de boa qualidade. Trata-se de Glee, uma divertida novela que conta a vivência de uma série de jovens que frequentam um clube de música sem grandes adeptos numa escola secundária. A série, aparentemente desenhada para adolescentes, é uma lição de afectos e relacionamentos entre professores, alunos e outros personagens. Em pano de fundo a música e os excelentes covers que o grupo produz. O que mais me atrai no enredo é a doce ironia e causticidade da professora Sue Sylvester, que apenas preza a perfeição, o metodismo, o vencer a todo o custo, e a sua relação com o professor Will mentor do Glee Club e o inspirador dos adolescentes. Das americanadas que pude ver um pouco esta série é uma surpreendente surpresa. Hoje, Domingo, não se esqueça, às 21h30, Glee no Fox Life.

22 de janeiro de 2011

A conta


O montante global para pagar as despesas destas eleições presidenciais deve chegar a 11,3 milhões de euros. Este dinheiro sairá do orçamento do estado, parte para o pagamento de compra de direitos de transmissão nas TV's e rádios e outra parte para as contas dos candidatos afim de pagarem a propaganda (conta que também é aforrada por donativos de amigos que acreditam piamente que eles são a cara do país). Se os candidatos ao emprego de presidente da república não podem configurar candidaturas colectivas e se o emprego a que se perfilam emerge de uma consciência de independência e imparcialidade face ao sistema porque razão é que os cidadãos devem pagar as aventuras dos proponentes? Já sei o que estão a pensar! Que a "democracia" tem custos! Mas para mim o argumento constitucional é uma falácia. Se ao invés de 6 houvessem 300 candidatos a conta seria bonita e rapada à migalha para cada um. A República é isto. Um regime que promove a partidocracia, com dinheiros públicos, em toda a hierarquia do estado, a escalada de inúteis que se apropriam dos dinheiros públicos e a sombra das ideologias no contexto pátrio que devia primar pela isenção e comunhão. Desta ocidental praia lusitana ninguém parece importar-se com este regime em decomposição. Dizem-nos que a constituição é para cumprir. Eu digo mais, é para açambarcar.

20 de janeiro de 2011

Que reflexão?

Um dos grandes chefes-de-estado Portugueses foi o Rei D. Manuel I. Instado pelo meu mestrado, há uns anos, consumi livros e documentos à procura da sua época e da sua política. Também descobri facetas do homem. D. Manuel I foi um extraordinário diplomata e fez uma das maiores reformas administrativas que o nosso território já conheceu. A sua estratégia passava por um processo de concentração política das decisões primordiais, mas sem perder de vista a essência regional, a organização municipal, a ordenação jurídica, a organização fiscal (de onde se deve realçar a reconstrução do papel dos Forais), a consolidação da diplomacia externa (com a continuação dos projectos de expansão territorial) e as múltiplas relações externas-comerciais que culminaram numa das fases mais notáveis da História de Portugal. A sua motivação para a inovação desencadeou repercussões notáveis no desenvolvimento de áreas como a cartografia, a geografia, a engenharia mecânica (naval e militar), a imprensa escrita e as artes. Só a sua política de Feitorias (África oriental, S. Tomé, Cabo Verde, Congo, Moçambique, Melinde, Pérsia, Bengala, Birmânia, Molucas, China, Brasil, Terra Nova [com a pesca do Bacalhau]) daria horas de escrita. Mas se há áreas onde sou particularmente apaixonado na sua época são a Arte da Iluminura (inserida no projecto "Leitura Nova" e um dos maiores momentos da pintura renascentista portuguesa) e a Arquitectura. Bem. Como a história é uma paixão, apetecia-me relembrar-me de tudo enquanto escrevo. Mas serve esta breve introdução para a minha consciência fazer um contraponto! No século XVI não se vivia melhor que hoje. As tecnologias eram diferentes e, apesar de inovadoras para a época, elementares do ponto de vista da persecução. A comunicação entre pessoas e instituições era morosa e era enviada ao ritmo do galope, da carroça ou do veleiro. As doenças não eram estancadas com comprimidos. A visão do mundo era, muitas vezes, o horizonte que se vislumbrava. O papel do Chefe-de-Estado era essencial não só na figura militar e diplomática mas, principalmente, no âmbito agregador, familiar aos seus pares, inspirador e influenciador. O que temos hoje? Qual o papel do nosso chefe-de-estado? Que podemos reflectir no dia de reflexão que antecede as eleições para o emprego de presidente da república? D. Manuel I, como anteriores monarcas, fez o papel de Estadista, consumando-o e ampliando a sua visão pelo povo que respondeu em energia na epopeia portuguesa construindo uma nova sociedade, novas classes e elites sociais e, principalmente, inundando o país de esperança. O que querem estes aníbeis, maneis, franciscos, para o país?


Presidentes?

19 de janeiro de 2011

Sanitário eleitoral



Este tipo de notícias, qual puzzle que nos querem conduzir/ induzir a completar, fazem-me lembrar este tipo de questões: se eu fizer cócó na sanita e, à falta de saneamento, a minha obra for parar ao mar será que vou pagar uma multa ou ser preso?
Porque é que em vésperas de eleições as "buscas pela Verdade" triplicam na roliça dos agentes jornaleiros? É caso para dizer que é papel ao rolo para o sanitário eleitoral.

Teatro até às urnas

O fascismo ainda vitíma em Portugal! É fácil despertar o fascismo expiatório que existe em Portugal, essa sombra nefasta e sombria que continua a "perseguir" todos os apoiantes da Liberdade. Ontem um grupo de amantes da Liberdade, sindicalistas, felizmente captados pelas câmaras da televisão, zurziam ferozmente (em trabalho!) em frente a uma residência oficial da República. E como bem sabemos, ninguém se meta com a República. Os sindicalistas zurziam e a policia pedia para não avançarem. Aí, um anti-fascista-sindicalista furou a barreira policial. Ia urinar. Se calhar. Outro avançou. Outros avançaram para "suster" a firmeza da polícia. Ó para eles a provocarem os agentes "provocadores". Os sindicalistas, parece, estão a olhar para nós, através das câmaras. A ver se a nossa ingenuidade consegue ler o ataque cerrado às "liberdades e garantias" a que foram sujeitos. Entretanto, já se entrevistam os candidatos ao emprego de presidente da república para se saber quem é o culpado. "Fascismo nunca mais", ouvira-se na manifestação. Era o que faltava a este cadaveroso período eleitoral em decomposição. Teatro até às urnas.

18 de janeiro de 2011

A caravana ladra e os cães passam

A campanha para o emprego de presidente desta república está no seu término e por isso as caravanas vão-se desdobrar e ladrar pelo país. O que dizem elas que possamos entender de exequível? O que fazem estas caravanas moverem-se? Acha o povo que a Democracia precisa destes exercícios? Não vê o povo que estas caravanas ladram os mesmos argumentos que ladraram o Regicídio de 1908, que a "caçada" é a mesma? Não vê, este povo, que as caravanas ladram e atiçam o ódio entre pares, tudo para que a presa do tacho sazonal em Belém seja trazida à mão pelos cães que passamos a ser?

17 de janeiro de 2011

Ora


Tal é o homofobismo que tresanda na internet que eu sou compelido a dizer uma opinião. Pretender suavizar ou desresponsabilizar um crime com a desculpa de uma pessoa ter assumido um delírio psicótico momentâneo e daí à sua inimputabilidade é o mesmo que defender a inumputabilidade para os pedófilos, por exemplo, que devido à sua psicose cometem uma violação. Quantos pirómanos não entrarão em delirio psicótico durante o atear de um fogo posto? Porquê perseguir os criminosos de guerra? Ora. Não estamos a falar de um acidente ou de um acto para salvaguardar a própria vida. Parece-me que se este crime tivesse sido cometido na merdaleja portuguesa a onda a favor do "menino bonitinho" era muito menor. Porque o cúmulo jurídico em Portugal é, para o cúmulo, ridiculamente (obscenamente) menor e as penas são cumpridas pela metade, quando não pelo quarto do tempo. É esta consciência da pena a cumprir que em Portugal faz falta. Ora. O que faz falta a muita malta é uma consciência dolorosa das consequências que deveriam advir dos "delírios" praticados nos crimes, particularmente nos crimes de sangue.

15 de janeiro de 2011

A culpa do cartão

O maestro Miguel Graça Moura tocou a gastar com o cartão de crédito da “Associação Música, Educação e Cultura” (AMEC). A "razão": presidia à Orquestra Metropolitana de Lisboa! Isto foi nos anos de 1992 a 2003. Bons anos. Cheguei a assistir a dois concertos desta orquestra na Gulbenkian e tudo me pareceu afinado. A culpa não é do maestro. A culpa é do cartão. Infringiu, assim, uma alucinação crónica e o maestro não se controlou. Tal como os políticos que – devido à democracia – se consideram (eles) inimputáveis o maestro apenas deu azo ao devaneio irresponsável de uma estadia que nunca considerou com carácter e ética. A diferença entre os cargos de nomeação e os cargos de eleição (perversamente a favor dos que "nomeiam") é que os "eleitos" sentem-se protegidos pelo voto popular e o seu desempenho não é imediatamente punível. Bem, imediatamente, era um pleonasmo. Passarem 7 anos após as suspeitas e a demissão do maestro e só agora ser conhecida a acusação... é ópera. Tudo afinado para bater com o Centenário da República, por certo! Assim como o maestro Moura, os candidatos a Belém, os deputados, os ministros, os autarcas, os presidentes de Junta, todos eles, são admiráveis maestros na arte do consumo de recursos.

14 de janeiro de 2011

Uma espécie de Jornalismo interno


A próxima revista da Pública vai trazer um artigo sobre as empregadas internas. Presuponho que o ou a jornalista que estudou a coisa nunca conviveu com uma empregada interna. As que eu tive na minha família eram tratadas como tal. A minha mãe sempre manteve uma forte amizade com as empregadas da casa, as caseiras e todos os que contribuiam, com labor e afectos, para a lide de uma casa rural. Só uma pessoa mal amada, preconceituosa e distante do tema escreveria um artigo com estes argumentos:
Imagino. Felizmente que não somos todos um prolongamento da mesma espécie de intrigas e preconceitos. Feuda-se.

Povo que lavas no esgoto


As manifestações de solidariedade são bem vindas e quem as pratica sabe porque o faz. Em Portugal assisto a manifestações de solidariedade todos os dias. A passividade com os governos que têm enterrado a nossa economia é, em si, um acto de solidariedade. A passividade com que vemos a transferência dos políticos do poleiro dos cargos públicos para as empresas semi-públicas e públicas é, em si, um gesto de solidariedade. A passividade e a permissividade com que votamos nos mesmos partidos políticos é, em si, um acto de manifesta solidariedade. Todas estas, entre muitas outras, manifestações de solidariedade vêm embuidas de um atroz complexo de culpa e de uma manifesta disfunção social. Como já várias vezes tenho escrito aqui, a forma como a sociedade portuguesa tem evoluído desde a implantação terrorista da república, em 1910, revela a perda de acuidades sociais essenciais, porque o regime forçou-nos a uma cidadania de disputa em prol da parceria, a posições de conflito ao invés da agregação. A passividade, mansa, o medo, primeiro do terrorismo depois da ditadura, entranhou-se e os "espectadores" foram aumentando de número diminuindo o número de "actores". Esta distância revelou-se dramática a seguir ao 25 de Abril. O surto de partidos e de movimentos não esbateu o abstencionismo social e converteu os "actores" políticos em sacro-santos do nosso sistema a quem tudo é permitido e tudo deve ser perdoado. A linguagem do "anti-fascismo" – como escape e bode para tudo – é um bom exemplo de como a demagogia tomou conta da nossa apatia. Ao invés de nos tornar-mos exigentes ficamos "solidários". A nossa solidariedade é assim como um rio(zinho), um riacho...
Ontem, em Cantanhede, o povo deu mais uma manifestação de solidariedade, onde não faltaram "jovens de aparência moderna". Estas e outras manifestações são tão desprovidas de valores como esse riacho de que falo, esse fio-d'água tolhido pelo desmazelo. As nossas manifestações são um reflexo do país/regime que nos insistem em manter. Nesse mar que foi a nossa língua e paixão desagua agora o estilho deste povo que lava no esgoto.

13 de janeiro de 2011

O Coelho e a passarada




Quem vê caras não vê escumalha


Quando era pequeno tinha uma ideia, concreta, do que era a figura de um criminoso. Por duas vezes (antes dos anos 80) acompanhei o meu avô ao tribunal em acções em que este interpôra contra assaltantes. A figura e a cara da canalha era descomposta, indigente com mau olhar. Ao sair do tribunal, um desses assaltantes, olhou para mim de olhar vesgo e envergonhado. Havia vergonha. A sua família chorava, a rua cheia de gente, mas as palavras que se ouviam eram contra o assaltante. O meu avô não precisou de guarda-costas, foi sozinho comigo e sentamo-nos sem constrangimentos na sala de audiências. Hoje olho para as notícias e jornais e tenho uma nova perspectiva, também concreta. Boa parte da escumalha que grassa na actividade criminosa, anda toda laroca, com jeans abaixo das cuecas, com camisolas da moda, brinquinhos, corte de cabelo estiloso "à Ronaldo" e com graciosas namoradinhas (também há uma boa dose de escumalha que prefere a gravatinha, tem cara mais buchechuda e actua, ao invés da rua, em escritórios e afins). São na maioria jovens carentes do pecúnio alheio, cheios de refrega na venta e sem problemas em matar; tudo pelos "intentos". Muitos devem pensar que são "heróis" de filmes de acção – americanos – desejosos de viver o pseudo-romantismo que os Yankees gostam de dar à coisa... Da forma como a "justiça" tem formulado as suas leis em Portugal, a escumalha tem ampliado o seu leque de intervenções sem medo de retaliações, sem medo da polícia. No fundo agem sabendo que têm um rol de probabilidades de não serem presos, pelo menos, por muito tempo. Esta escumalha de carinha laroca sabe que ser giro e laroca os torna mais insuspeitos e os coloca no terreno da "simpatia" e na esteira Socialista que exige oportunidades iguais para toda a gente.
Quando estou num Shopping com a minha filha mais velha costumo gracejar e dizer-lhe: "Olha Joana, que rica mole social podes ver nestas "avenidas"! Por detrás destas carinhas larocas e roupinhas da moda escondem-se, certamente, criminosos em full ou part-time. À noite arranjaram carro, por carjacking, violentam e roubam sem escrúpulos, à tarde levantam-se e vão fazer compras com os conjugues para os Shoppings, desfilando qual passarelle, depois de uma mariscada vão curtir para uma discoteca. Tudo a que têm "direito"."

11 de janeiro de 2011

A época está boa para a trituração

Os candidatos ao emprego da presidência da república andam abonados. A época está boa para o discurso da salvação nacional. Se estivesse tudo bem seria necessário uma boa dose de criatividade mas da forma como este país está basta olhar para o lado, para cima, para baixo e não faltam dislates para se ser melhor salvador da pátria do que o vizinho. O herói mais efusivo, que não se cansa com promessas, é um tal que diz que diz ser a garantia (absoluta!) da Democracia e do Estado-social. O dito anti-fascista Alegre não se lembra que está a concorrer para o emprego da Presidência! Mas como sempre na vida política portuguesa, desde a implantação terrorista deste regime, o que interessa é tugir o mais possível agora para esfregar as mãos depois. E de mentira em mentira, de cuspe a cuspe, de castigo à esquerda a castigo à direita, vamos sendo a carne para a trituradora maquinação republicana.

Para os ávidos


Dois portugueses estiveram ontem em destaque. Em Zurique um treinador de futebol era "eleito" o "melhor do mundo". Estive a ver os critérios e tratou-se de uma acção de uma entidade privada, a FIFA, e contava com votações de treinadores e capitães de equipa. Em Nova Iorque um jovem era eleito para capa de jornais como criminoso brutal, um verdadeiro saca-rolheiro burlesco. Estive a ver o enredo e nada que não se passe por cá todos os dias. Os sites e televisões exortam! De um lado um homem de sucesso do outro um homenzinho em retrocesso. Dois pratos quentes e estaladiços para as audiências ávidas. Para sobremesa um caldo entornado com BPN cremado.

5 de janeiro de 2011

O "pai" concluiu

O "pai" Jorge dá para tudo. Para re-re-re-escrever a sebenta do povo subalterno ao grande ideal republicano, o mesmo, parido da ética republicana de 1910, e dizer o que é ou não é "éticamente" constitucional. Ai "pai". Canhoto. E não deve sair barato aos bolsos dos subalternos. Um dia, vamos vê-lo de bengalinha a concluir que a governança amiga, desde que embuida da "ética republicana", tem legitimidade para usar e abusar desde que não fira o (seu, deles) texto constitucional.
É como eu costumo dizer, ao invés da Lei se adaptar à realidade é a realidade que tem que se adaptar à "lei".

4 de janeiro de 2011

A República mostra o seu odor


Os episódios à la minute da campanha pr'a presidência são a melhor montra do que é a República. Como podem os portugueses querer um regime que ressoa disto? Como podem os portugueses confiar num regime que de isento nada tem, nada terá. O principal problema dos portugueses não é a inércia ou falta de exigência. O principal problema é a cegueira. A cegueira Moral. De outra forma como se explica que a decadência tome conta da retórica do estado e se propague inaudível no país. Portugal viveu 800 anos em Monarquia, a experiência da República falhou porque sustentou a sua génese na escolha "voluntariosa" de sujeitos incapazes e comprometidos e no mito da "igualdade" por decreto; mito esse que bem se vislumbra no abismo da desigualdade lusitana. Venha um Rei que nos devolva a visão. Enquanto tal, a Cadeira de Belém não passa de um penico perfumado pelo projecto pessoal dos assentados.

Brrrum, Brrrum

Devido ao aumento anunciado de impostos a venda de veículos automóveis no último trimestre de 2010 aumentou 67%, dizem. A corrida aos stands foi generalizada por todo o país. Não há que ter medo dos juros, pior estão as juras de amor: os divórcios também subiram uns 60%. Eu percebo. Este é o país das últimas oportunidades, o país do "eu também sou gente", importante. Já dizia o cancioneiro para os congéneres do punho erguido que o que fazia muita falta era embelezar a malta. Bem, pelo menos o povo já tem carrito quando se der a fuga em massa.

3 de janeiro de 2011

Porque Silva


Daqui a uns dias as "urnas" vão ser abertas para o povo se enterrar mais uma vez. Digo isto sem ironia.
Regimes à parte, o meu cérebro, inconscientemente ou não, vai fazendo as suas contas. Vou vendo o circo. Um mero exercício lúdico-matemático. Os valores em causa são os personagens que se candidatam à Presidência. Em consciência – mas de uma forma abstracta, porque a minha paixão e ideologia é outra – possuo preferências. Não tenho pejo em afirmar que a minha lucidez não refuta a biografia partidária dos candidatos (isto de serem candidatos "independentes" apoiados pelos partidos é o anátema e a maior hipocrisia deste regime!) e por isso o candidato Professor Cavaco Silva seria a minha preferência à frente de todos os outros. Porquê? Porque sim. Porque se fosse dizer os "nãos" (sobre todos) ficava aqui duas horas a escrever. Porque Silva. Porque prefiro um representante que me fale com bom senso de economia, sem se "armar" em veteiro, consciente das limitações do seu mandato, do que outro que me atrofie a cabeça com complexos da esquerda manietante, temperada com caviar-rasco, "armado" em camões muito aquém da Taprobana.

1 de janeiro de 2011

E a vida continua *


E a vida continua. Não adianta reparti-la por folhas ou agendas. Não adianta confiná-la a um período ou a uma emoção, a um fogacho ou a uma lenta visão. A Vida continua, sem calendários, organizada pelos únicos instrumentos de precisão que conheço: o sonho e o amor. Pelo sonho viajo, pelo amor fico. Pela viagem da memória, pelo ficar-permanência dos que me envolvem e envolveram, dos mortos que nunca o são. Assim, o tempo é algo que não ouso ter como meu, e talvez por isso seja possível numa só hora de vida viver toda a vida que os sonhos da fé, do amor, permitem. Até o tempo acabar.


* Neste início de ano, umas breves palavras, impotentes mas de alento pelo pesar, dedicadas ao Professor Vitor Vladimiro Ferreira