15 de janeiro de 2011

A culpa do cartão

O maestro Miguel Graça Moura tocou a gastar com o cartão de crédito da “Associação Música, Educação e Cultura” (AMEC). A "razão": presidia à Orquestra Metropolitana de Lisboa! Isto foi nos anos de 1992 a 2003. Bons anos. Cheguei a assistir a dois concertos desta orquestra na Gulbenkian e tudo me pareceu afinado. A culpa não é do maestro. A culpa é do cartão. Infringiu, assim, uma alucinação crónica e o maestro não se controlou. Tal como os políticos que – devido à democracia – se consideram (eles) inimputáveis o maestro apenas deu azo ao devaneio irresponsável de uma estadia que nunca considerou com carácter e ética. A diferença entre os cargos de nomeação e os cargos de eleição (perversamente a favor dos que "nomeiam") é que os "eleitos" sentem-se protegidos pelo voto popular e o seu desempenho não é imediatamente punível. Bem, imediatamente, era um pleonasmo. Passarem 7 anos após as suspeitas e a demissão do maestro e só agora ser conhecida a acusação... é ópera. Tudo afinado para bater com o Centenário da República, por certo! Assim como o maestro Moura, os candidatos a Belém, os deputados, os ministros, os autarcas, os presidentes de Junta, todos eles, são admiráveis maestros na arte do consumo de recursos.

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