20 de janeiro de 2011

Que reflexão?

Um dos grandes chefes-de-estado Portugueses foi o Rei D. Manuel I. Instado pelo meu mestrado, há uns anos, consumi livros e documentos à procura da sua época e da sua política. Também descobri facetas do homem. D. Manuel I foi um extraordinário diplomata e fez uma das maiores reformas administrativas que o nosso território já conheceu. A sua estratégia passava por um processo de concentração política das decisões primordiais, mas sem perder de vista a essência regional, a organização municipal, a ordenação jurídica, a organização fiscal (de onde se deve realçar a reconstrução do papel dos Forais), a consolidação da diplomacia externa (com a continuação dos projectos de expansão territorial) e as múltiplas relações externas-comerciais que culminaram numa das fases mais notáveis da História de Portugal. A sua motivação para a inovação desencadeou repercussões notáveis no desenvolvimento de áreas como a cartografia, a geografia, a engenharia mecânica (naval e militar), a imprensa escrita e as artes. Só a sua política de Feitorias (África oriental, S. Tomé, Cabo Verde, Congo, Moçambique, Melinde, Pérsia, Bengala, Birmânia, Molucas, China, Brasil, Terra Nova [com a pesca do Bacalhau]) daria horas de escrita. Mas se há áreas onde sou particularmente apaixonado na sua época são a Arte da Iluminura (inserida no projecto "Leitura Nova" e um dos maiores momentos da pintura renascentista portuguesa) e a Arquitectura. Bem. Como a história é uma paixão, apetecia-me relembrar-me de tudo enquanto escrevo. Mas serve esta breve introdução para a minha consciência fazer um contraponto! No século XVI não se vivia melhor que hoje. As tecnologias eram diferentes e, apesar de inovadoras para a época, elementares do ponto de vista da persecução. A comunicação entre pessoas e instituições era morosa e era enviada ao ritmo do galope, da carroça ou do veleiro. As doenças não eram estancadas com comprimidos. A visão do mundo era, muitas vezes, o horizonte que se vislumbrava. O papel do Chefe-de-Estado era essencial não só na figura militar e diplomática mas, principalmente, no âmbito agregador, familiar aos seus pares, inspirador e influenciador. O que temos hoje? Qual o papel do nosso chefe-de-estado? Que podemos reflectir no dia de reflexão que antecede as eleições para o emprego de presidente da república? D. Manuel I, como anteriores monarcas, fez o papel de Estadista, consumando-o e ampliando a sua visão pelo povo que respondeu em energia na epopeia portuguesa construindo uma nova sociedade, novas classes e elites sociais e, principalmente, inundando o país de esperança. O que querem estes aníbeis, maneis, franciscos, para o país?


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