28 de fevereiro de 2011

A República Portuguesa da Igualdade


Porque é que o governo dá "tolerância de ponto" aos funcionários públicos e não a dá aos funcionários "privados"? Que constituição é esta que permite que parte da população que se abotoa do "Estado" tenha mais benesses que os outros cidadãos?
Estipule-se um feriado nacional para "estes dias" de folia...

25 de fevereiro de 2011

Tanto que se (des)aprende na internet


Depois de ler isto fiquei com a sensação que em França existe um limite de alcoolemia para peões, sentados, em pé, se calhar até a dormir...! Se o governo Português sabe desta vai implantar já taxas/multas de deixar tudo ébrio...

Prudências


Enquanto se ânseia por centenas de outras jurisprudências – desde a culpa pela irresponsabilidade política, à culpa pela promiscuidade nos arranjos públicos, à corrupção, ao amiguismo de proveito próprio, da pedofilia ao tráfico de seres humanos, dos crimes económicos, do financiamento (e retorno) partidário – chegou bem rápida esta decisão e jurisprudência.

"Fashion, actual, cosmopolita, arrojada, moderna"


Uma jornalista do jornal "i" trouxe à baila uma entrevista importante em que foca o blogge mais lido em Portugal. Eu agradeço à jornalista pois andava com curiosidade em saber qual seria o blogge mais lido, por curiosidade pura, e não tive de ter trabalho. Fiquei a saber que se chama "A Pipoca mais doce". Fui até lá visitar o dito. Tudo muito cor-de-rosa, muitos objectos importantíssimos – soutiens, casacos, malas, sapatos, óculos e futebol – muitos post com duas linhas, ou menos, tudo muito limpinho sem interjeições de alma senão a decoração superficial da vida. Não li nenhum comentário para não ficar ainda mais admirado. A menina de 30 anos, que é jornalista e autora do sitio, quer fazer do blogge uma "marca" e ser rica para aumentar a sua colecção de 250 sapatos. Vai ter sucesso pois assume-se "fashion, actual, cosmopolita, arrojada, moderna". No fundo, ela é tudo o que o Socialismo moderno quer que sejamos. Este país adora pipocas adoçadas que lhe entretenham a frustração e o subir na vida e nada como uma menina moderna para nos orientar no caminho que devemos percorrer diariamente. Os leitores já se devem estar a babar por o seu predilecto blogge ir render dinheiro à menina o que fará da menina uma espécie de evangelista e dos leitores uma referência da marca!


23 de fevereiro de 2011

O sangue

Estas revoluções que assistimos diariamente têm um determinado tipo de intervenientes e de causas. Àparte os óbices e desígnios, o povo que sustenta as agitações tem um tipo de carácter e sangue muito específico. Se uns agitam pelas palavras e vêm na confrontação física uma derrota moral outros há que, também, agitam pelas palavras mas com o fito de chegar ao confronto físico. Digamos que, em todas as sociedades ou nichos sociais, existem indivíduos que exercitam permanentemente o nervo que lhes está no sangue. Vemos isso todos os dias no "trânsito", nas filas dos serviços públicos, nos cafés recônditos, nas entradas das discotecas sem que seja necessário ir levantar exemplos na Líbia ou Egipto. Separando Revolução de Confusão, a arruaça é para muitos a forma de expressão moderna, um levantar a voz e fazer crer no corpo alheio as convicções e ideias pessoais; um redimir a alma apagando a alma dos outros. Se há coisa que eu nunca aprovei e me repudia nas imagens e constatação das pós-revoluções é o grau de "satisfação" pessoal que os "revoltosos" denotam. Não estou a falar da conquista (como se por essa prática uma "revolução" não fosse uma conquista a prazo até uma nova "revolução") ou da virtude das causas (como a "revolta" por Justiça ou pela deposição de formas de poder político despótico) mas do poder que certa gente sente por ter infringido dor ou sofrimento aos que são adeptos do pensamento contrário ao seu. Ontem por uma Liberdade, hoje por panquecas, ninguém pára o povo unido munido da sua "razão".


20 de fevereiro de 2011

... o Estado


Pelo que leio, suscito isto: o Estado – na figura da "segurança social" – vai estudar um pedido de subsídio de "incapacidade física" do atleta do Benfica "mantorras", na ordem dos 200.000 euros de subvenção anual! Não creio que venha indeferido! Entretanto, milhares de militares Portugueses que perderam capacidades físicas (durante a guerra colonial) no país do "mantorras" não tiveram ou têm direito a qualquer subsídio por parte do Estado português.

18 de fevereiro de 2011

Os curriculuns


Pelo final da manhã regressava ao meu escritório ouvindo no carro a Antena2. Hoje o programa da hora do almoço era uma entrevista ao escritor António Torrado. Conheço várias coisas do Torrado pelo que fiquei a ouvir atentamente e com curiosidade. O bom na rádio são as conversas. À falta de imagem a construção mental amplifica as emoções e o som transforma-se numa paisagem. Pergunta mais pergunta a coisa tende para a biografia. Quando é que se inclina para a política? Pergunta o entrevistador. Foi o regime que me fez esse favor! Diz Torrado. Fui preso pela PIDE, 10 dias, distribui folhetos, participei em comícios, isto e aquilo e aqueloutro. Anti-fascismo isto e aquilo, fui repatriado para a Univ. de Coimbra por isto e aquilo, Portugal era triste e atrasado. De repente deixei de ouvir o Torrado. Podia ser um "camarada" qualquer. Um defunto-anti-fascista qualquer. O Torrado voltou no epílogo da entrevista para falar de uma caixinha de música. Tenho pena que certas personalidades tenham a fraqueza da "carreira" ideológica.
Há uma geração, de esquerda, a que nos enterrou e explorou após 1974, que acha que Portugal é devedor por tudo o que fizeram em prol da "nossa" Liberdade! À custa dessa dívida eles podem usar e abusar e exigem a desculpa toda da contra-mão em que nos guiaram até o novo milénio.
Suponho não ser, creio, o caso do António Torrado mas preencher curriculuns com estórias da PIDE e convivo de "camaradas" soa-me a um buraco negro por muito que ele ilumine uma boa dose de gente cega. Apesar de vender bem nos jornais e nos tascos a distinção, quanto arca na bondade da vida o peso específico do Anti-Fascista face ao peso do Anti-Comunista ou Anti-Socialista? E em que se traduz na inteligência esse peso-pesado pelo romantismo bacoco? No fundo os "Anti-Fascistas Portugueses" acabaram por querer matar o que lhes inchava o ego e que era a "razão" das suas "vidas". Por isso os camaradas depois de caída (de podre) a ditadura Salazarista quiseram logo de seguida instalar outra, assim tipo flic-flac mental. Ou será que os camaradas queriam instalar uma ditadura Comunista para também trabalharem/inscreverem no curriculum o serem Anti-Comunistas? Desmesurados.

17 de fevereiro de 2011

Ah! recuperar

Depois de tantos "Dias da Raiva", que até dá que espumar na boca – ele é na Tunísia, no Egipto no Iémen, na Líbia e por aí fora até chegar à nossa vez – nada como um pratinho destes para nos retemperar as forças. A verdadeira revolução... para o estômago.

16 de fevereiro de 2011

Os meninos à volta da fogueira


Não é bem à volta de uma fogueira mas os meninos do Cairo estão a ficar felizes com a sua revolução e com a abertura das suas consciências para a "Liberdade". Nisto de revoluções eu sei que o povo unido chamais será vencido, pelo menos na mentalidade que brilha pela chama do cancionismo Leninista-e-demais. Há que dar brado à contenta e subir o tom do frenesim. Nem 30, nem "60 minutos", arruaça toda a vida.

14 de fevereiro de 2011

Olha, mais processos revolucionários


Quem nunca leu história e se debruçou sobre a génese das civilizações clássicas deve achar que este mundo em que vivemos foi talhado à fatia, qual pizza, e que a paz-no-mundo é um princípio e um fim. O médio oriente sempre foi um rio transbordado de inundações e as arruaças a que se assiste não conferem nenhum "momento particular" na história. Desde os antigos Impérios aos séculos mais recentes, o Egipto foi um gigantesco deserto dominado por núbios, persas, romanos, helenos, etíopes, árabes, turcos, franceses, ingleses e até albaneses. Hoje são 80 milhões, maioritariamente islâmicos sunitas, que ainda não devem ter percebido bem o significado da expressão "República" na designação do seu país, mas que não terão qualquer dúvida na expressão "Árabe" que antecede o nome dos descendentes de Menés. O Egipto de hoje não é o mesmo que da ocupação inglesa mas eu não tenho dúvidas que as injecções de civilização nunca passaram da epiderme. Querer vacinar o Egipto com as "curas" milagrosas da Liberdade ou da Democracia soa a escárnio quando se vê à distância o insucesso que estas fórmulas apresentam em muitos dos estados exportadores, da dita. Tenho para mim que os "amigos" persas – aproveitando a esquizofrenia da (a)política externa americana e a pacóvia mentalidade do pensamento "iluminado" europeu, parido do putedo francês – não tardarão a coçar as costas a este povo que produziu uma "revolução" quase tão bonita como a "nossa", a de Abril; não sei se haverá para lá algum poeta alegre ou se já se iniciaram os tão desejados processos revolucionários, para que nunca-mais-sejam-vencidos, por todo o país o que sei é que ocupações de praças/rotundas são o década-a-década desta, agora, república que foi outrora governada por uma dinastia que dizia descender de "Fátima". Da deles, não da nossa.

11 de fevereiro de 2011

Minuto a minuto


Porque é que a imprensa coloca em destaque, minuto a minuto, o ajuntamento popular no Egipto? Será que das poeiras do Cairo sobram grãos para irritar os olhos dos potenciais "revolucionários" portugueses, os tais ávidos em levantar os punhos avante contra o "patronato" mas nunca dispostos em erguê-los em prol do risco pessoal? Porque é que certa gente acha que as revoluções de massas são a melhor máquina de lavar consciências e arredar a sujidade? Será que certa gente ainda não se apercebeu que o nosso país ainda carrega as nódoas do esterco revolucionário de 1910 e ainda se esboroa à custa dos oportunistas de 1974? Querem contágio? Olhem para o comportamento dos politiqueiros e lambuzões irresponsáveis da República e depois digam se este regime já não está contagiado?

10 de fevereiro de 2011

In & on


E ainda me querem convencer que esta é a civilização do in & on – vivo & ligado! A moda da conexão, do "tudo em cima", do tudo emergente e ao minuto, atento, geracional, globalizado e em permanente comunicação só podia dar nisto.


8 de fevereiro de 2011

Yeha

Gosto de assistir ao vivo a eventos desportivos. São encorajadores da ética, esforço e sacrifício – que saudades que eu tenho quando repartia o meu tempo pela actividade física e pelos estudos. Ontem foi dia da Super Bowl. O grande momento do desporto norte-americano. Green Bay Packers (vencedores) Vs Pittsburgh Steelers. Vi a repetição integral na sporTV3. Mais de cem mil pessoas num estádio, cujos bilhetes iam de 100 a 20 000 dólares, o maior ecrâ do mundo, centenas de figurantes com publicidade, centenas de "oficiais" de cada clube no relvado, satélites apontados, perto de cem câmaras de filmar, centenas de displays publicitários, centenas de jornalistas no plateau, nos balneários, camarotes e no relvado, perto de 60 paragens para intervalos do jogo e publicidade, um intervalo-espectáculo com estrelas da pop americana, um palco que se monta e desmonta em minutos, artistas convidados e milhares de dançarinos com fatos/leeds em coreografia. Colados à volta do relvado vários sub-treinadores de cada equipa relatam os movimentos e olhares da equipa adversária. Uma régie, em cada equipa, separa e distribui os diálogos e tácticas pelos jogadores que replicam através dos microfones e auscultadores instalados nos capacetes. Os árbitros falam e justificam as decisões e a sua voz é audível em todo o estádio. O juízo dos árbitros, numa bancada, vê se a decisão é válida com recurso às incessantes repetições televisivas das jogadas e golpes de dança de cada jogador. No fundo, não é bem um desporto de que se trata. É de um espectáculo, de um somatório de imagens reais e virtuais, esse coktail histérico tão desejado pelos "civilizados" do consumo. Nos ecrãs gigantes passa publicidade de 3 em 3 minutos. Yeha! No relvado os atletas esteróidizados usam couraças e capacete. Go baby!
Nunca fui aos EUA mas desconfio que a vida habitual deve ser bem mais calma que o circo que exportam para todo o mundo e que, sem equívocos, denota a verdadeira "filosofia" deste povo nada manso.
Sei o que é correr num estádio. E que alento quando eu corria, bem cedo ainda na aurora, naquele vazio, pequeno e prosaico Estádio Universitário de Lisboa.


7 de fevereiro de 2011

O lugar do morto


Embutidos na carripana do regime somos conduzidos, à vez, pela corja de chauffers profissionais que tudo fazem para acelerar as nossas vidas. Se dantes, antes, do juízo crítico das FMI's e EU's a estrada já era penosa agora, que o nosso caminho é um lodo esburacado sem fim à vista, tenho a sensação que a carripana não tem condutores. Esconderam a Responsabilidade atrás da legitimidade democrática que o papel na urna concede. Os nossos políticos são condutores profissionais sem carta ou consciência para soprar. Entretanto, a carripana continua a andar e o povo* lá vai sentado no lugar do morto.


* O povo, este povo, que tanto sorri no dia do enterro/eleições, este povo que vibra de cravo encornado ao peito.

3 de fevereiro de 2011

Refém-nascidos


Pouco falta para que a máquina deste socialismo em movimento a caminho do futuro obrigue os pais dos recém-nascidos a abrirem uma conta bancária em nome dos bebés e os obrigue a assinar previamente os papeis para a autorização da transferência bancária relativa às contribuições mensais da Segurança Social. Recém-nascidos, refém-nascidos.

2 de fevereiro de 2011

Dia 1 de Fevereiro, Porto - Um Portugal que as têvês recusam captar

Igreja dos Clérigos, no Porto, quase cheia em homenagem e evocação ao Rei D. Carlos e ao seu filho D. Luís Filipe. Na homilia o padre Gonçalo Aranha evocou o odioso regicídio. "Os dias estão hoje bem piores". Frisou. À saída, num pequeno átrio, Dom Henrique de Bragança cumprimentava a multidão que saía e de si se abeirava. Lá fora no frio as pessoas dispersaram mas não o sentimento. Um grupo encetou por um repasto no tasquinho do sr. Melo, bem perto da Praça Carlos Alberto. Na parede, uma bandeira de Portugal não suscitava dúvidas ou piscar de olhos a quem a mirava. No calor de um retiro de estudantes académicos brindou-se a Portugal e ao Rei. Bem alto. Um Portugal que as têvês recusam captar.

1 de fevereiro de 2011

Neste país


Neste país tão incomodado com tanta coisa, tão preocupado com a situação no Egipto e já tão esquecido com a situação na Tunísia, neste país tão aflito com a situação das suas finanças, tão preocupado com a sopa que sobra dos outros, tão afoito em lembranças tão importantes como o "31 de Janeiro" que não chegou a 1 de Fevereiro, neste país tão de peito largo para lembranças morais pela dignidade humana, tão ao lado dos presos de Guantánamo e dos Renatos saca-rolheiros, neste país da "Liberdade" e da compaixão pelo gajo alheio não há uma frase, uma palavra de expressão, de repúdio, pelo covarde regicídio de 1908 que vitimou um chefe de Estado e o seu filho. Para os assassinados, a 1 de Fevereiro em Lisboa, não há cravos vermelhos nem descidas na avenida de braço dado, nem comícios bloquistas no Camões, um voto de pesar na Assembleia ou uma simples frase na capa de um jornal. Neste país político, que apoia desta forma silenciosa o terrorismo, não há espaço para os filhos-vítimas da intolerância e da falsa moralidade libertária, só há espaço para os filhos da puta.