11 de fevereiro de 2011

Minuto a minuto


Porque é que a imprensa coloca em destaque, minuto a minuto, o ajuntamento popular no Egipto? Será que das poeiras do Cairo sobram grãos para irritar os olhos dos potenciais "revolucionários" portugueses, os tais ávidos em levantar os punhos avante contra o "patronato" mas nunca dispostos em erguê-los em prol do risco pessoal? Porque é que certa gente acha que as revoluções de massas são a melhor máquina de lavar consciências e arredar a sujidade? Será que certa gente ainda não se apercebeu que o nosso país ainda carrega as nódoas do esterco revolucionário de 1910 e ainda se esboroa à custa dos oportunistas de 1974? Querem contágio? Olhem para o comportamento dos politiqueiros e lambuzões irresponsáveis da República e depois digam se este regime já não está contagiado?

3 comentários:

George Sand disse...

João,

O que se está a passar no Egipto, penso que é o fruto de uma situaçao que tem muitos, muitos anos e se escreve essencialmente através da história de um país: a Jordânia. Tradicionalmente o país mais estável do mundo árabe, que foi abrigando várias gerações de refugiados de países vizinhos. Hoje, o Egipto deu o mote e o mundo árabe tal como o conhecemos poderá nunca mais ser o mesmo. Chamei-lhe "A smooth revolution". Uma revolucão essecialmente de valores e de um "modus vivendi" que terá forçosamente que se alterar. Hussein contaria essa história melhor do que ninguém...

João Amorim disse...

Os Egípcios não se sublevaram instantâneamente! A crescente força da Irmandade Islãmica foi decisiva. Outro dos grandes problemas foi a economia e enorme pobreza que já vinha afectando até salários nas forças armadas. Todavia a minha critica não é na "revolução" em si mas na fértil e inconsequente imaginação de certa gente que acha que devemos importar para cá as revoluções populares como se fosse o ajuntamento de uns milhares que fosse resolver os problemas... para já só se passou folclore.

George Sand disse...

Não João. Não se sublevaram de repente. Tem toda a razão nos factores que aponta e nessa ideia de que importar sublevações não leva a parte nenhuma.
Imagino que muita água ainda irá passar debaixo da onte até se clarificar esta situação. vamos acomanhando e perceber a que é que tudo isto irá conduzir quer no Egipto quer nos outros países árabes.