1 de fevereiro de 2011

Neste país


Neste país tão incomodado com tanta coisa, tão preocupado com a situação no Egipto e já tão esquecido com a situação na Tunísia, neste país tão aflito com a situação das suas finanças, tão preocupado com a sopa que sobra dos outros, tão afoito em lembranças tão importantes como o "31 de Janeiro" que não chegou a 1 de Fevereiro, neste país tão de peito largo para lembranças morais pela dignidade humana, tão ao lado dos presos de Guantánamo e dos Renatos saca-rolheiros, neste país da "Liberdade" e da compaixão pelo gajo alheio não há uma frase, uma palavra de expressão, de repúdio, pelo covarde regicídio de 1908 que vitimou um chefe de Estado e o seu filho. Para os assassinados, a 1 de Fevereiro em Lisboa, não há cravos vermelhos nem descidas na avenida de braço dado, nem comícios bloquistas no Camões, um voto de pesar na Assembleia ou uma simples frase na capa de um jornal. Neste país político, que apoia desta forma silenciosa o terrorismo, não há espaço para os filhos-vítimas da intolerância e da falsa moralidade libertária, só há espaço para os filhos da puta.

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