23 de fevereiro de 2011

O sangue

Estas revoluções que assistimos diariamente têm um determinado tipo de intervenientes e de causas. Àparte os óbices e desígnios, o povo que sustenta as agitações tem um tipo de carácter e sangue muito específico. Se uns agitam pelas palavras e vêm na confrontação física uma derrota moral outros há que, também, agitam pelas palavras mas com o fito de chegar ao confronto físico. Digamos que, em todas as sociedades ou nichos sociais, existem indivíduos que exercitam permanentemente o nervo que lhes está no sangue. Vemos isso todos os dias no "trânsito", nas filas dos serviços públicos, nos cafés recônditos, nas entradas das discotecas sem que seja necessário ir levantar exemplos na Líbia ou Egipto. Separando Revolução de Confusão, a arruaça é para muitos a forma de expressão moderna, um levantar a voz e fazer crer no corpo alheio as convicções e ideias pessoais; um redimir a alma apagando a alma dos outros. Se há coisa que eu nunca aprovei e me repudia nas imagens e constatação das pós-revoluções é o grau de "satisfação" pessoal que os "revoltosos" denotam. Não estou a falar da conquista (como se por essa prática uma "revolução" não fosse uma conquista a prazo até uma nova "revolução") ou da virtude das causas (como a "revolta" por Justiça ou pela deposição de formas de poder político despótico) mas do poder que certa gente sente por ter infringido dor ou sofrimento aos que são adeptos do pensamento contrário ao seu. Ontem por uma Liberdade, hoje por panquecas, ninguém pára o povo unido munido da sua "razão".


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