14 de fevereiro de 2011

Olha, mais processos revolucionários


Quem nunca leu história e se debruçou sobre a génese das civilizações clássicas deve achar que este mundo em que vivemos foi talhado à fatia, qual pizza, e que a paz-no-mundo é um princípio e um fim. O médio oriente sempre foi um rio transbordado de inundações e as arruaças a que se assiste não conferem nenhum "momento particular" na história. Desde os antigos Impérios aos séculos mais recentes, o Egipto foi um gigantesco deserto dominado por núbios, persas, romanos, helenos, etíopes, árabes, turcos, franceses, ingleses e até albaneses. Hoje são 80 milhões, maioritariamente islâmicos sunitas, que ainda não devem ter percebido bem o significado da expressão "República" na designação do seu país, mas que não terão qualquer dúvida na expressão "Árabe" que antecede o nome dos descendentes de Menés. O Egipto de hoje não é o mesmo que da ocupação inglesa mas eu não tenho dúvidas que as injecções de civilização nunca passaram da epiderme. Querer vacinar o Egipto com as "curas" milagrosas da Liberdade ou da Democracia soa a escárnio quando se vê à distância o insucesso que estas fórmulas apresentam em muitos dos estados exportadores, da dita. Tenho para mim que os "amigos" persas – aproveitando a esquizofrenia da (a)política externa americana e a pacóvia mentalidade do pensamento "iluminado" europeu, parido do putedo francês – não tardarão a coçar as costas a este povo que produziu uma "revolução" quase tão bonita como a "nossa", a de Abril; não sei se haverá para lá algum poeta alegre ou se já se iniciaram os tão desejados processos revolucionários, para que nunca-mais-sejam-vencidos, por todo o país o que sei é que ocupações de praças/rotundas são o década-a-década desta, agora, república que foi outrora governada por uma dinastia que dizia descender de "Fátima". Da deles, não da nossa.

3 comentários:

George Sand disse...

E se a gente mandasse um Corão ao Marcelo Rebelo de Sousa...podia ser que ele "divulgasse"...era um contributo precioso.

João Amorim disse...

caro George

A junta-militar (MFA) que tem o poder na mão é exactamente a mesma que suportava o poder do ditador, por assim dizer, o poder não mudou de mãos...

George Sand disse...

Mas eu agora estou "muito à frente" até já sigo um blog Egítio(neste caso é mesmo egítio, poque tenho que usar a tradução google que é péssima) Ora faça o favor de experimentar: http://misrdigital.blogspirit.com/
a experiência é inólvidavel! Se quiser fazer o favo de mandar ao ilustre comentador televisivo, também pode. Os diálogos são enriquecedores, principalmente depois da aplicação esmerada do google. É da "frente de batalha" mesmo!Emocionante!