18 de fevereiro de 2011

Os curriculuns


Pelo final da manhã regressava ao meu escritório ouvindo no carro a Antena2. Hoje o programa da hora do almoço era uma entrevista ao escritor António Torrado. Conheço várias coisas do Torrado pelo que fiquei a ouvir atentamente e com curiosidade. O bom na rádio são as conversas. À falta de imagem a construção mental amplifica as emoções e o som transforma-se numa paisagem. Pergunta mais pergunta a coisa tende para a biografia. Quando é que se inclina para a política? Pergunta o entrevistador. Foi o regime que me fez esse favor! Diz Torrado. Fui preso pela PIDE, 10 dias, distribui folhetos, participei em comícios, isto e aquilo e aqueloutro. Anti-fascismo isto e aquilo, fui repatriado para a Univ. de Coimbra por isto e aquilo, Portugal era triste e atrasado. De repente deixei de ouvir o Torrado. Podia ser um "camarada" qualquer. Um defunto-anti-fascista qualquer. O Torrado voltou no epílogo da entrevista para falar de uma caixinha de música. Tenho pena que certas personalidades tenham a fraqueza da "carreira" ideológica.
Há uma geração, de esquerda, a que nos enterrou e explorou após 1974, que acha que Portugal é devedor por tudo o que fizeram em prol da "nossa" Liberdade! À custa dessa dívida eles podem usar e abusar e exigem a desculpa toda da contra-mão em que nos guiaram até o novo milénio.
Suponho não ser, creio, o caso do António Torrado mas preencher curriculuns com estórias da PIDE e convivo de "camaradas" soa-me a um buraco negro por muito que ele ilumine uma boa dose de gente cega. Apesar de vender bem nos jornais e nos tascos a distinção, quanto arca na bondade da vida o peso específico do Anti-Fascista face ao peso do Anti-Comunista ou Anti-Socialista? E em que se traduz na inteligência esse peso-pesado pelo romantismo bacoco? No fundo os "Anti-Fascistas Portugueses" acabaram por querer matar o que lhes inchava o ego e que era a "razão" das suas "vidas". Por isso os camaradas depois de caída (de podre) a ditadura Salazarista quiseram logo de seguida instalar outra, assim tipo flic-flac mental. Ou será que os camaradas queriam instalar uma ditadura Comunista para também trabalharem/inscreverem no curriculum o serem Anti-Comunistas? Desmesurados.

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