8 de fevereiro de 2011

Yeha

Gosto de assistir ao vivo a eventos desportivos. São encorajadores da ética, esforço e sacrifício – que saudades que eu tenho quando repartia o meu tempo pela actividade física e pelos estudos. Ontem foi dia da Super Bowl. O grande momento do desporto norte-americano. Green Bay Packers (vencedores) Vs Pittsburgh Steelers. Vi a repetição integral na sporTV3. Mais de cem mil pessoas num estádio, cujos bilhetes iam de 100 a 20 000 dólares, o maior ecrâ do mundo, centenas de figurantes com publicidade, centenas de "oficiais" de cada clube no relvado, satélites apontados, perto de cem câmaras de filmar, centenas de displays publicitários, centenas de jornalistas no plateau, nos balneários, camarotes e no relvado, perto de 60 paragens para intervalos do jogo e publicidade, um intervalo-espectáculo com estrelas da pop americana, um palco que se monta e desmonta em minutos, artistas convidados e milhares de dançarinos com fatos/leeds em coreografia. Colados à volta do relvado vários sub-treinadores de cada equipa relatam os movimentos e olhares da equipa adversária. Uma régie, em cada equipa, separa e distribui os diálogos e tácticas pelos jogadores que replicam através dos microfones e auscultadores instalados nos capacetes. Os árbitros falam e justificam as decisões e a sua voz é audível em todo o estádio. O juízo dos árbitros, numa bancada, vê se a decisão é válida com recurso às incessantes repetições televisivas das jogadas e golpes de dança de cada jogador. No fundo, não é bem um desporto de que se trata. É de um espectáculo, de um somatório de imagens reais e virtuais, esse coktail histérico tão desejado pelos "civilizados" do consumo. Nos ecrãs gigantes passa publicidade de 3 em 3 minutos. Yeha! No relvado os atletas esteróidizados usam couraças e capacete. Go baby!
Nunca fui aos EUA mas desconfio que a vida habitual deve ser bem mais calma que o circo que exportam para todo o mundo e que, sem equívocos, denota a verdadeira "filosofia" deste povo nada manso.
Sei o que é correr num estádio. E que alento quando eu corria, bem cedo ainda na aurora, naquele vazio, pequeno e prosaico Estádio Universitário de Lisboa.


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