6 de abril de 2011

Pensam


A maioria das pessoas que conheço ou ouço falar pensa que os problemas todos se resolvem com dinheiro. Sempre o dinheiro. Então com a crise, venha dinheiro. Se não há, venha emprestado. Quem dera que os nossos problemas e crises se resolvessem só com dinheiro. Pela parte que me toca o dinheiro tem sido útil mas não tem tido um papel fundamental na conjugação das minhas felicidades, não foi ele que concebeu as minhas filhas, que me suporta os seus sorrisos, que me faz acordar de noite para olhar para a minha mulher, de quem continuo ainda apaixonado, que me faz correr todos os dias, não é pelo dinheiro que eu escrevo, leio, ouço e tenho voragem de aprender, não é ele que me conduz nos meus ideais, não é ele o adubo das flores do meu quintal. Todavia, a minha relação com o dinheiro não é distante. Acredito no trabalho, no labor, no sacrifício e é pelo sacrifício que eu dou o valor que lhe posso dar. Nunca escravo. Nunca psico-dependente. Nunca avaro. Por isso eu nunca serei a dimensão do meu pecúlio. Mesmo pobre, a minha dignidade, e percurso, não estará dependente de hipotecas.
Quando ouço os políticos, escroques, que nos conduziram para o abismo, falar de milhões e de banqueiros a falar de 10 mil milhões "intercalares" eu penso que esse montante é muito pouco para esta República ávida e corrupta – peçam 900 mil milhões. Para já.


2 comentários:

George Sand disse...

Muito bonito o texto João. Infelizmente, há muita gente que deita a felicidade pela janela fora. Alguns percebem, outros nem isso.

João Amorim disse...

caro George

Saber viver com o que se tem e acreditar no sacrifício é um dos segredos para evitar a depressão que vai cair nesta república.