1 de abril de 2011

Rever


Ontem, a seguir ao jantar, foi dia de mais um episódio de "Miss Marple". Ultimamente, é a única série ou programa que acompanho na televisão. Poirot e Miss Marple são episódios excelentes para se descontrair e sorrir. A actriz principal não é jovem e de decote modernaço mas uma figura simpática e afectiva, tão real, não há violência para além do drama, não há gajas para além das personagens femininas interpretadas com maior ou menor sensualidade, não há heróis musculados, para além da inteligência incisiva das personagens principais, não há palavrões para além dos diálogos acessos, não há carros em perseguições a destruir as ruas para além dos "velozes" e belíssimos veículos dos anos 30 e 40. No final fica a história. Depois a paisagem, o mar, o bucolismo, a floresta, as cidades organizadas, as vilas, os prosaicos lugares e quintas. Todos estes ingredientes são para mim – que aprecio a ficção e os recursos das novas tecnologias digitais – uma estadia termal, revigorante. De todos os canais a RTP Memória é uma boa surpresa. Desde reportagens dos anos 60, em África, ao "Se bem me lembro" do Professor Nemésio a RTP Memória oferece-nos um retrato do que fomos, do que gostamos, do que poderiamos ter sido, do que somos. É por isso que gosto tanto de Miss Marple. Observar, rever, estudar, voltar a trás, sobrepor com o presente.

2 comentários:

Luís Bonifácio disse...

Continuo a preferir a "Miss Marple" - Margaret Rutherford, mesmo que Agatha Christie, no primeiro filme que ela fez, "Murder, She said", tenha apontado a "Cozinheira Mrs Kidder, como a actriz que mais se assemelhava à Miss marple (Joan Rutherford era gorducha).
A BBC fez-lhe a vontade 23 anos depois

George Sand disse...

Vejo muito pouca televisão, mas vou tentar apanhar. Gostava imenso da Miss Marple