13 de maio de 2011

A Primavera


As últimas novas vindas da Europa (previsões de Primavera!) dizem que esta crescerá, já em 2012, 1,8% e que aqui o seu membro menor – o antigo Portugal – decrescerá 2,2%, para já... Lembram-se há uns meses da peregrinação socialista do nosso 1º ministro a falar das novas tecnologias, computadores para todas as criancinhas, TGV para Este e para Norte, um super-aeroporto, novas pontes, 150 000 empregos certos? O que mudou então? Em tão pouco tempo? Não foi a conjuntura, meus caros, foi a verdade! A verdade veio ao de cima, para os mais distraídos e para os iludidos. Nada que não fosse previsível. Por isso, em nome desta democracia que não acredito, não posso deitar as culpas aos chulos incompetentes que se habilitam aos empregos do estado mas sim ao povo, desta República, que se baba em votar nos medíocres só porque isso significa mais uma vitória para o ego clubista. O povo, desta República, não discerne e se discerne que prove nas próximas eleições que se deixou enganar; se não o fizer é tão culpado pelo descalabro como aqueles que critica, sorrateiramente. Também queria dizer que há um povo de Portugal. Conheço, ainda, Portugueses. São aqueles que não se querem deixar afogar na República, que ainda sentem uma pátria, permanente, aqueles que sonham e amam o país e que por ele fazem, fizeram, sacrifícios. Que não vão nas cantilenas do igualitarismo à porrada, no pensamento único, que olham com distância para este esquema-arquitectónico de controlar um país e subjugá-lo integralmente à política, desde a presidência ao varredor da rua. A República é uma terra infértil. 
A Primavera trouxe de novo a folhagem ao meu quintal. Esta renovação existe também na nossa vida espiritual, afectiva. De resto, tudo se apaga e se ergue de novo não por nós mas nas nossas sementes. Entender isto é perceber porque me recuso a ver a República como um regime salutar: Não há renovação. Não, apenas aparentemente. Há uma avença/arrendamento, que se assemelha com uma eleição, e com ela um tronco cheio de raízes gastas e rasteiras que se entranha no quintal conquistado. Depois de secar tudo à sua volta pousa um outro tronco de raízes feitas.
Dizem que teremos um défice de 2,2%. Não nos conhecem. Nesta República faz-se por muito mais.

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