23 de junho de 2011

Estaladeiros


Os trabalhadores dos estaleiros de Viana decidiram depois de uma reunião geral entregar a acta da dita ao presidente do conselho de administração. Vai daí a coisa foi entregue à estalada. São os estaladeiros. Esta mania de que os "trabalhadores" mandam e não se ficam deve ter feito sorrir o camarada Jerónimo e daria trovas para um novo livro de Saramago. Não esquecer que os "trabalhadores", quando dá porrada e punhos erguidos, sobem, desta forma, o seu estatuto para "povo unido" e consecutivamente para "... jamais será vencido". O administrador bateu com a porta e não pretende voltar e, pelo que conta, para além de o agredirem e lhe chamarem nomes à mãe também o apelidaram de fascista. Como aqui já tenho mencionado, o 25 de Abril veio acentuar a virose carbonária que se entranhou nos nervos de certa gente desde os tempos áureos da I República e que tarda a ter cura.
Eu entendo o desespero de quem teme ir para o desemprego, não entendo que por isso se agrida como se isso fosse a solução. Eu entendo o desespero de quem quer trabalhar e não tem trabalho (muitas vezes o "desespero" passa por ir pedir um subsídio), não entendo que isso seja desculpa para um crime sobre um terceiro. Se assim fosse, qualquer desculpa, desde que "válida" para o autor, seria boa para se cometer todo o género de crimes e para derrotar a consciência moral. Não estamos longe. Concerteza que os autores da agressão ao sr. administrador vão querer subir a escada dos responsáveis. Já os imagino a fazer a lista de mais fascistas a abater, esses fascistas culpados pela sua situação, os fascistas responsáveis pelo empresa em que trabalham não ter liquidez, os fascistas responsáveis pelo país estar assim.

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