3 de junho de 2011

O tique



Admiro a obra de Souto Moura. Literalmente. Conheço-a, estudei-a, passo por alguns dos seus edifícios diáriamente. Mas estava à espera de outra mensagem no seu discurso de tomada de "prémio". O Souto Moura, assim como os Siza e afins, são na hora da evidente exposição pública uns demagogos, uns pródigos do politicamente correcto. Souto Moura não precisa de se dizer de "esquerda" para colher admiração e entrar na roda dos que têm a "verdade", mas tocou-lhe a língua para esse tique que não há forma de ser erradiado! Acredito que o arquitecto seja independente. É! O que não beneficia a sua independência é a ladainha da política madrasta que em 36 anos só enterrou este país, a ladainha da obra pública, desmesurada, que o regime tanto gosta e que é uma das responsáveis pela imigração que vaticina – Mas só agora imigramos? No séc. XX? Nunca se deu conta sobre a nossa diáspora?

Hoje, dizem, temos um milhão de casas a mais, um país caótico, porque pequeno, uma paisagem adulterada, uma malha urbana decepada e dividida por auto-estradas, um problema de salubridade e contaminação de linhas de água, um país com o litoral saturado pela construção "com urgência"...

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