23 de julho de 2011

Descanso

Vou por uns dias descansar. Talvez não por mim mas pela família. Dizem-me que faz bem descansar mesmo quando não estamos cansados. Eu não me costumo fatigar com o trabalho mas reconheço a minha indisponibilidade mental quando fico exacerbado e o meu tempo para os outros é fugaz. Vou, como sempre sem jornais, computador e internet, sem pressa em saber "novidades", sem querer nada mais que a presença dos meus e da natureza que espero encontrar.
Até breve.

21 de julho de 2011

Penhora


Parece que o fisco anda muito activo com as penhoras. Cada penhora é um caso. Cada devedor é um caso de vida. Calculo que muitos dos penhorados são reles artistas de fuga. Contudo, nem todas as pessoas e empresas que são penhoradas são-no por desonestidade. Por infelicidade, umas, por injustiça, outras. Da forma como o estado está a cobrar os impostos e a pedir e a aumentar os adiantamentos por conta (onde se inclui o IVA cobrado no acto da facturação e não no recebimento) todos estarão a centímetros de serem penhorados. Só não o serão os que não trabalham nem possuem qualquer bem. Porque o estado – diga-se, este país ultimamente gerido com uma irresponsabilidade alucinante  – está mais do que penhorado. Num passado recente, o fisco actuava para cumprir uma "obrigação" (moral) de cada cidadão face às leis fiscais estabelecidas. O combate à evasão fiscal era o mote. Entretanto, enquanto a opinião pública aplaudia a nova capacidade do fisco em cobrar impostos a bom tempo, os "negócios" dos políticos, as cunhas, o amiguismo, o compadrio de grupos económicos com o sector administrativo do estado ia aumentando. A corrupção, semi-encoberta, grassou.
Dizem as notícias que, o alvo preferido das penhoras são os carros, seguido da casa e dos salários. Quantos destes bens não foram conseguidos com sacrifícios, fruto do trabalho que esbarrou na infelicidade e na nojenta inépcia da "justiça" e tribunais? Não importa. É preciso dinheiro para pagar os actos governativos e o futuro, ainda há bem pouco anunciado, deste Portugal moderno.

19 de julho de 2011

Regras


Num artigo do Público uma jornalista exalta a expressão "Católica cria regras de vestuário para alunos e professores". Ui! Que calor. Convém ler, de raspão, os comentários.
Não se trata, propriamente, de criar!
Ter que explicar "regras" como as que explica o Reitor da dita Universidade, que deviam fazer parte da interpretação cívica da boa cidadania, devia ser desnecessário. Um indivíduo sentir-se intimidado ou "lesado" (Ai a PIDE!, Ai o Diábo!), por isso, pela simples evocação deste género de regras, também. Da mesma forma, também acho desnecessário explicar regras como o não cuspir para o chão na rua, mesmo nos pés dos outros, passar à frente dos outros na fila do autocarro, falar alto na cara de desconhecidos, dizer palavrões, ser agressivo com estranhos, comer com as mãos em casa dos outros, entrar de cuecas num serviço público, atirar o jornal para a rua quando se acaba de ler, e por aí fora.
Devia ser desnecessário, mas parece que por aqui é bem necessário!

A desculpa


Um cão ataca uma pessoa, o dono-cão não assume a culpa, um jornal faz escutas imorais e ilegais, o proprietário não assume a culpa, um telhado está mal construído, o empreiteiro não assume a culpa, uma criança passa privações e abandono, os pais não têm culpa, o país está à beira do abismo, os políticos saídos da governança não assumem a culpa, ou melhor, tudo serve de desculpa (só se assume quem estiver numa onda "fracturante"). É o novo mundo. O mundo da desculpa.
Se uma das crises que vislumbro é o vazio de valores morais, de uma linguagem entendível, válida e validada por uma perspectiva do bom, inerente aos graus antológicos de uma "humanidade", não deixa de ser curioso que as mais recentes gerações de carne humana, que vegeta aos magotes, tende, cada vez mais, em substituir a clássica escala de Valores por substitutos de "valor comercial". O argumento, hoje, é o "carcanhól". As noções de Responsabilidade, Avaliação, Ética e Moral estão a ser sobrepostas pela entidade material. Isto só se passa, e numa paleta ocidental, porque a língua que o novo hOMEM fala só reconhece o presente-imediato e tudo o que vale é o "sentimento" do ego-umbiguismo e das ilusões emocionais: És lindo, És rico, És famoso, És inteligente... Este novo valor-sentimento, quase adquirido desde tenra idade, vem transformando a sociedade e alastra nas cabeças mais jovens como lepra. Um culpado não assume as culpas porque tem medo das consequências mas porque ele sente que não é culpado; antes, fizeram dele uma vitima da Culpa – que não devia existir nesta sociedade de pessoas perfeitas. Tudo é gente de bem (mesmo sem perceberem a axiologia do Bem) e a culpa é do recém-chegado inimigo: o capitalismo; ou outra desculpa qualquer.
Isto está a ir bem, neste mundo de gente que não assume responsabilidades. A culpa vai morrer solteira, solteira mas podre de chatos e doenças venéreas. 



14 de julho de 2011

Haja esperança



Depois desta frase Portugal pode sonhar e ter esperança. Mesmo não dizendo o que são os actuais amigos, Lili, que sabemos agora o que "sempre foi", resume muito do cérebro falante e andante deste país! Ela sempre andou de salto-alto-mental face às suas congéneres, uma Senhora do patamar da esquerda pró-soviética, uma verdadeira protó-tipa do revolucionário bolchevique. Sempre soube que ela estava talhada para ser uma Comissária do Povo. É um sinal, de que tudo não está perdido. Realmente, são estas talhas de prosa, vindos do melhor, que me fazem ter esperança de que pior nunca viremos a estar.

Imagem: jornal i

11 de julho de 2011

Sintético


Os jovens Portugueses estão entre os que mais defendem a legalização total das drogas. Sintético. Se perguntassem a esses mesmos jovens o que eles querem para além das drogas livres o retrato sociológico ficava mais completo. É que assim, eu não percebo onde estes jovens querem chegar. Por um lado manifestam-se contra a precariedade e a favor de mais trabalho, intitulam-se "jovens à rasca", por outro defendem a ganza a toda a linha. Será que o termo "à rasca" é mais do tipo "de ressaca"? Será que esta mania, pró-Abrilista, de "legalizar" já cresce inadvertidamente no miolo-subsconsciente das novas gerações? O que é possível constatar é que a imbecilidade já está legalizada.

8 de julho de 2011

Despedida


Maria José Avillez Nogueira Pinto deixou um artigo de despedida no DN antes de partir. Escreveu-o daquela forma, sinto, porque já previa a sua partida. Já não guardo jornais mas o de ontem vou guardar. A forma coerente como apresentava as suas opiniões, que sempre apreciei nos seus artigos, está ali, presente, lúcida e transparente. Mais do que um artigo é uma carta; mais para ser pública do que privada, a sua escrita deixou-me emocionado. Um pouco de genealogia e constextualização familiar; um pouco de argumento cívico; um pouco de nostalgia; muito de fé e inspiração: a "partida" com a mesma força que a "chegada". A forma perentória como afirma a sua fé cristâ é uma das razões da sua verticalidade. Bravo. A fé como força-presença e preenchimento dos espaços do medo e da solidão. A fé, a mesma fé que me inspira, como berço do seu renascimento e da sua convicção na presença de Deus: "O Senhor é meu pastor, nada me faltará". 
Que nada lhe falte.

Francisco


Um colega de trabalho da minha mulher, o Francisco, morreu a semana passada. Francisco era um homem atormentado. Enquanto professor fora proibido de ter contacto com os alunos em virtude de uma enorme e complicada depressão. Cumpria trabalho de apoio educativo na escola. A minha mulher trabalhou com ele dois anos. Admirava a sua inteligência e humor. Ela tornou-se amiga e apoiou-o na sua solidão e depressão. Ele vivia só. Era divorciado e estava longe dos filhos. Tudo parecia, contudo, ir melhor para ele. Uma amizade pode ser suave como um fio de novelo mas importante como um cabo de aço. Há uns meses uma directiva obrigou muitos técnicos superiores que trabalhavam em escolas do 1º Ciclo, e que estavam  a ser pagos pelas Câmaras Municipais, a serem recolocados em novas escolas em virtude de as Câmaras não poderem pagar os salários. Francisco viu-se, inesperadamente, compelido a escolher uma outra escola afastando-se do meio, que conhecia à 32 anos, e das pessoas com que se sentia reconfortado. Francisco saiu. E morreu. Suicidou-se, atirando-se da Ponte da Arrábida.
Todos somos vítimas de leis. Tenho dó que a escola não tenha salvaguardado o caso do Francisco pois conhecendo o problema, ela própria, limitou-se na directiva e não impôs uma excepção. 

Que Deus guarde o Francisco.

4 de julho de 2011

Afazeres


Trabalho e outros afazeres têm-me arredado do blog. Não escrevo e também não leio. Durante a semana procurarei actualizar-me e, desde já, tenho a sensação de que nada vou perder de importante. Por aqui, na minha casa, no trabalho, na saudade de alguns congéneres, a vida continua. A que importa.