21 de julho de 2011

Penhora


Parece que o fisco anda muito activo com as penhoras. Cada penhora é um caso. Cada devedor é um caso de vida. Calculo que muitos dos penhorados são reles artistas de fuga. Contudo, nem todas as pessoas e empresas que são penhoradas são-no por desonestidade. Por infelicidade, umas, por injustiça, outras. Da forma como o estado está a cobrar os impostos e a pedir e a aumentar os adiantamentos por conta (onde se inclui o IVA cobrado no acto da facturação e não no recebimento) todos estarão a centímetros de serem penhorados. Só não o serão os que não trabalham nem possuem qualquer bem. Porque o estado – diga-se, este país ultimamente gerido com uma irresponsabilidade alucinante  – está mais do que penhorado. Num passado recente, o fisco actuava para cumprir uma "obrigação" (moral) de cada cidadão face às leis fiscais estabelecidas. O combate à evasão fiscal era o mote. Entretanto, enquanto a opinião pública aplaudia a nova capacidade do fisco em cobrar impostos a bom tempo, os "negócios" dos políticos, as cunhas, o amiguismo, o compadrio de grupos económicos com o sector administrativo do estado ia aumentando. A corrupção, semi-encoberta, grassou.
Dizem as notícias que, o alvo preferido das penhoras são os carros, seguido da casa e dos salários. Quantos destes bens não foram conseguidos com sacrifícios, fruto do trabalho que esbarrou na infelicidade e na nojenta inépcia da "justiça" e tribunais? Não importa. É preciso dinheiro para pagar os actos governativos e o futuro, ainda há bem pouco anunciado, deste Portugal moderno.

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