24 de agosto de 2011

Enquanto não acabar


A forma como os rebeldes posam para as câmaras e para as fotografias encerra muitas respostas sobre as questões dos levantamentos no médio oriente. As metralhadoras em riste, os gritos em inglês, a moche dos libertadores, as bandeiras a arder, a alegria pacóvia da ocupação de "praças" são o prenúncio do discurso político que vamos assistir em breve nos países que estão a descobrir a força da "revolução" contra os ditadores. Não tardará a "democracia" irá invadir o espírito destes homens e mulheres, a mesma "democracia" que os fez saltar em 1969 com a música do pan-arabismo nacionalista, fez pular de encantamento os Egípcios com as guerras pelo Sinai e pelo nacionalismo intolerante dos anos 70, que fez saltar de júbilo a maioria adepta de Ben Ali, na Tunísia dos anos 80, do nacionalismo islâmico anti-ocidente. Os levantamentos populares a que assistimos no último ano, para cá, não são uma descoberta dos povos pelos valores da Liberdade, são um degrau na escadaria da tensão ideológica em que o mundo muçulmano se encontra. O ocidente continuará a custear as revoluções, a aplaudir as revoluções e a intervir nas revoluções enquanto o petróleo não sofrer uma revolução, digo, enquanto o petróleo não acabar.


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