16 de agosto de 2011

Escondidos


A moda dos "vidros africanos" chegou à República Portuguesa. Procurei saber se é uma obrigação das marcas mas não é. Os stands de automóveis respondem apenas a um "apelo" do mercado. Falo dos vidros escuros nos automóveis mais recentes que circulam. Uns são todos esfumados, outros são só escuros na parte de trás e mala, outros é um misto de esfumado com escuro retinto. Escurecer os vidros dos carros é uma moda em muitos países africanos e do médio oriente. Eu percebo que lá os indígenas não querem ser vistos dentro dos Jeeps, talvez por mentalidade ou por se pretenderem esconder da vergonha da pobreza alheia. Por cá soa-me a uma moda mista. Por um lado a noção de "intimidade-privacidade" (uma casinha com rodas!) com sabor a racing, por outro lado o sabor voyeur de quem vê mas não quer ser visto, tipo, "posso fazer aqui o que eu quiser" – com as devidas ressalvas, é como sair à rua com capuz e lenço na cara (muito em voga, por estes dias, em Londres e afins!). De qualquer maneira a coisa soa-me a carro funerário e a complexo e no que toca a este género de complexo-burguês o português é um psico-consumidor exímio. Num país em que os acidentes na estrada matam aterradoramente, a decoração que certa malta dá às viaturas não podia ser mais irónica.

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