29 de setembro de 2011

Venha o Rei


Hoje estive a dirigir a montagem de uma importante exposição. E, na vicissitude dos vários problemas surgidos, lembrei-me deste regime republicano! Tal e qual. Foi, corta e substitui. Não basta falar das peças, há que mudar o tabuleiro! Sem preconceitos; com projecto.
A mudança que o país precisa não se faz só por mudanças de roupagem. Mudam-se as vontades, mudem-se os tempos e modos de regime. Caia a República, mude-se a orgânica, faça-se a lavagem da esterqueira, esprema-se a "democracia" e vamos a ver o que isto dá!!! Por muito que os falsos "Moisés" nos queiram levar para a margem das falhadas "virtudes",  a travessia deste deserto só se fará com a esperança. Por algo novo,  transformador e egrégio.

27 de setembro de 2011

Sóquete tigela


A imprensa de sóquete tigela teima em colocar epítetos em numerosas personagens. Vive-se a moda de enunciar as pessoas por um só nome ou apelido {Freitas, o Esteves, Carvalhas} – como se toda a gente reconhecesse a "figura" como "representante" desse nome –, vive-se a mediana de apresentar as pessoas por uma suposta "qualidade". No que toca ao "jet Set", então, a coisa é caricata. Um conhecido travesti é apelidado de "Conde" – "o" Conde –. Sei que para muitos, dos que escrevem e dos que lêem, colar um Conde, ou afim, à "qualidade" (pela falta dela!) de certas pessoas é motivo de regozijo, de deixar espuma e satisfação nas entranhas. É algo que lhes está nos ossos, herdado, certamente, pelos sonhos do igualitarismo de cacete. 
Nem todos têm de entender/perceber de história, da história das sociedades, das regras de nobilitação do antigo regime, mas desfigurar um título colando-o ao sabor dos complexos é falta de cultura e de gosto. Toda a gente quer ser qualquer coisa, um degrau acima, a República agradece e distribui os baptismos com  Donas, com Senhoras Donas, com Doutôras, os Stôres, os Senhores engenheiros, os "Reis", da bola, da música e variedades. "Ó Rica" sociedade de meia, não, sóquete tigela.

23 de setembro de 2011

Heroico ato


Um ato do ativo ator Joaquim, cheio de ação e efetiva conceção, e de excecional tato mental, fez com que o público tivesse uma reação coletica de profunda estupefação pelo introito. Joaquim adotou uma postura seleta e vai daí de jiboia, cato e boia na mão atirou uma joia para a plateia – os que o veem nesta atitude  de correção e exata postura enchem de palmas o noturno teatro. Que excecional talento deste ator, de tão bom aspeto, que também é arquiteto, diretor, colecionador, confecionador e um reto e seletivo cidadão, curiosamente, batizado no Egito nesse distante verão de 1960. Ele é uma autentica autoestrada de estoicismo e há de, um dia, chegar a presidente da agroindustria local. Podem crer os que me leem e os que me releem.



*prosa escrita ao abrigo do "acordo (!) ortográfico" desta abastardada III República

21 de setembro de 2011

Para o Filipe Figueiredo


Os melhores momentos são aqueles em que eu sonho o presente com a imagem das minhas memórias.

19 de setembro de 2011

Da "democracia"


Nunca gostei da malta ostensivamente chunga, dos gunas hiper-malcriados, dos arruaceiros, da escumalhada, no modo e princípios, mas devo admitir que esses, pelo menos, apresentam-se como são. A maior parte não esconde o que é e ao que vai. De há uns tempos para cá tenho ganho maior repúdio pelos hipócritas bem aparentados que não passam de chungas, gunas e escumalha. O preconceito sobre a aparência é o primeiro erro para suavizar a crítica. Os últimos 20 anos têm-me dado razão: a "democracia" tem dado legitimidade para a desculpabilização dos detentores de cargos públicos e governativos. Não basta a "História" fazer justiça. Há muita ralé bem posta que já devia ter sido condenada pelos crimes e traições à pátria Portuguesa.

A intuição existe?


O presidente sabia, o coiso sabia, eles sabiam, tu sabias, vós sabieis, já toda a gente sabia.

16 de setembro de 2011

Nojo de contas


A nova revelação do desastre financeiro da Madeira parece uma catástrofe, de tal forma que com eleições à porta o PS já anda a pedir satisfações em jeito de colagem do partido do governo da república ao partido do governo madeirense. Podia ser a catástrofe mas não é. É um nojo. É apenas mais um grão na catástrofe contabilística que herdamos de seis anos de socialismo – que era quem devia ter fiscalizado à data! Mas bem sabemos que os fiscais, nalguns sectores, são mais de ir levantar o envelope. Fiscalizar com ética e legislar com dureza serão as ferramentas para prevenir futuras "derrapagens" e dolosas omissões. Quanto ao governo madeirense, muito chia o Alberto contra o "25 de Abril" mas agora é graças à inexistência da culpabilização/responsabilização criminal dos políticos – que "Abril" não quis – que o Alberto vai verter copos descansado num jardim qualquer.


15 de setembro de 2011

Explicar o assobio


Assobiam-me porque sou bonito, rico e um grande futebolista. Não tenho outra explicação”, disse Cristiano Ronaldo Aveiro. O que me retém nesta frase é o "Não tenho outra explicação". Eu explico. Eu teria seis a sete explicações para sugerir ao Cristiano mas duvido que ele as percebesse, também, porque os assobios não são frases mas um instrumento visual que advém de uma reacção a. O que ele está a intuir deve ser muito próximo do que intui uma miúda espampanante quando a trolhada lhe assobia do outro lado da rua.

12 de setembro de 2011

... e vão 7


Esta mania de eleger as "maravilhas" tem tanto de patético como de pernicioso. Por um lado denota o perfil feirante das mentes proponentes das "maravilhas", por outro tem o perigo de comprimir um todo de características e conhecimento numa nota de enciclopédia. Pior, faz-nos tender a resumir numa emoção o "objecto" que vai a "votos"!! Se a democracia faz com que os políticos eleitos o sejam, muitas vezes, por minoria, esta ideia de levar a "democracia" sobre todas as coisas tem o seu quê de diurético. Mas, foi para isto que também se fez o "25 de Abril"...
Uma ideia para os senhores promotores destas eleições: elegerem as 7 mer_avilhas da coisa pública nacional-republicana.* 

* Nesta altura de crise, para resfriar os custos, pode-se aproveitar, até, o logo das comezainas de garfo e faca, tem tudo a ver; falta só acrescentar uma desnudada ou um barrete.

10 de setembro de 2011

A revolução do burguesismo


De serralheiro a "editor" e "saneador", de anti-ditadura a favor de uma dura ditadura, de escriba a "nobel", de auto-didacta a "doutor", de seminarista a ateu, de revolucionário de massas a massas na conta bancária, de perseguidor dos "ricos" a rica estadia com laivos "iberistas"; levado ao colo pela "situação", pelo "estado", pela grande esquerda, analfabeta e alfabeta "anti-fascista". A grande revolução para o burguesismo continua. Euros e bright lights para a sua memória.

6 de setembro de 2011

Os estrangeiros podem vir em equipas comprar as nossas empresas mas já não são bem vindos a dar pontapés na bola


"O Presidente da República, Cavaco Silva, condecorou nesta terça-feira a selecção portuguesa de futebol de sub-20 que se sagrou vice-campeã no Mundial da categoria, que decorreu na Colômbia". – Os jogadores foram empossados "cavaleiros" da Ordem do Infante Dom Henrique, e para a equipa técnica a "Comenda" da Ordem do Infante Dom Henrique. Bem, não vou fazer comentários sobre a contradição que é esta República distinguir cidadãos, quando propala a igualdade de punhos cerrados, muito menos sobre a mercê de "Cavaleiro", mas não me posso deter sobre os comentários que o Presidente fez sobre o número de jogadores estrangeiros a jogar em Portugal. – Então o Sr. Presidente não gosta dos feitos dos nossos jogadores que jogam no estrangeiro? Então não somos um país moderno? Que vocemeçês quiseram globalizado? Invadido por tudo quanto é marcas? Invadido por tudo quanto é gostos e desgostos? Invadido por tudo quanto é conceitos e tiques do estrangeirismo? Vocemeçês não passam a vida lá fora a estender a mão e a pedir para os de fora virem investir (comprar) o que é nosso? Se tudo o que temos é maioritariamente forasteiro porque raio não podemos ter jogadores de aquém e além mar a dar uns pontapés numa bola?

4 de setembro de 2011

Nova Constituição


O António Barreto toca num ponto sensível. Esta República é a imagem da Constituição, tosca, supérflua, inoperante, complicada, cheia de subterfúgios e ratoeiras. Bastavam doze artigos e que nenhum deles impedisse o povo português de escolher o regime em que quer viver.

3 de setembro de 2011

"indignados"


Um grupo de cidadãos, concerteza "indignados" contra qualquer coisa, auto-intitula-se "gang de xangai". Quando eu vejo o povo afirmar-se com este tipo de ocorrências, diáriamente às centenas, lembro-me das palavras "democracia", "25 de Abril" e "liberdade". Obrigado, srs. políticos, deputados e legisladores era bom que experimentassem várias vezes ao dia a "democracia" que alimentais...

2 de setembro de 2011

Desertores


No mundo (à parte) do futebol, o seleccionador "nacional" disse que o jogador Ricardo Carvalho era um "desertor". Desde logo a imprensa escrita e falada convocou as autoridades intelectuais e morais para debater este epíteto. Eu sei o que significa Desertor. O Ricardo Carvalho lá teve as suas razões, eu diria que foi mal educado, mal criado, mal humorado, deselegante, pretensioso, incumpridor, mas desertor é uma expressão que remete para um contexto uns andares bem acima do condomínio relvado onde vinte e poucos se entretêm a correr e a ganhar muito dinheiro e tempo de antena. Desertar pode estar associado a Covardia, pode estar associado a Traição. Um desertor também é alguém que foge, mas entre fugir e abandonar há muitas diferenças e o medo – enquanto emoção indutora da fuga – não é desculpa pláusivel se o corpo mental do indivíduo for constituído por princípios e valores éticos e afectivos. Depois há a Coragem; nas minhas quatro décadas de vida aprendi que a coragem cruza-se com o carácter e que apenas parte dela é submetida na massa muscular.
No Portugal real eu conheço desertores, porventura bem amados pelo povo, bem amados pela conveniência da "situação", desculpados pela ocorrência das historietas, desertores desculpados pelo regicídio, pela "república", desculpados pelas "revoluções", pelos cravos, pelas rádios argelinas, pelas "descolonizações", pelo pântano, pela tanga. Se a esses o povo chama "heróis" porque haveria o Ricardo Carvalho ser um desertor?

1 de setembro de 2011

Atear


Há umas décadas, a nossa opinião era formada pela leitura do quotidiano que nos envolvia e pela procura dos nossos temas, dos temas que nos perfaziam. Havia, assim, uma procura activa na informação que fruíamos. Hoje, a procura resume-se a ligar botões dos aparelhómetros e somos (na maioria) potencialmente consciências passivas. Passamos de 2 noticiários por dia, no recente séc. XX, para 24 horas de noticiários e de "grande informação", adjuvados por paineleiros, comentadeiros e azeiteiros. Se a isto juntarmos as centenas de blogues e sites informativos, estamos a ver que a mente das massas está confusa com a profusão. Tudo leva a crer que o cérebro das massas não está preparado para decifrar tão bondosa quantidade de informações e opiniões. O efeito mais visível é a irascibilidade com que os "leitores" comentam as notícias dos jornais on-line. Todos acérrimos, todos iguais na maldicência. Este pormenor é o melhor exemplo do efeito de contágio que é gerado pelas repetidas mensagens nas televisões, jornais e afins, que não se cansam de propalar-incendiar os fenómenos das "primaveras-árabes" e o direito dos "indignados", da crise, do mata-esfola, etc. Muitos dos temas/assuntos que nos deviam motivar para a vida e para a verdadeira cidadania estão condicionados pelas problemáticas que nos impingem. Por aqui o contágio, para já, está nas palavras mas não deixa de ser notório que as TV's pretendem sangue em directo. É quase como a panca dos incendiários, atear o fogo para depois ficar a ver.