1 de setembro de 2011

Atear


Há umas décadas, a nossa opinião era formada pela leitura do quotidiano que nos envolvia e pela procura dos nossos temas, dos temas que nos perfaziam. Havia, assim, uma procura activa na informação que fruíamos. Hoje, a procura resume-se a ligar botões dos aparelhómetros e somos (na maioria) potencialmente consciências passivas. Passamos de 2 noticiários por dia, no recente séc. XX, para 24 horas de noticiários e de "grande informação", adjuvados por paineleiros, comentadeiros e azeiteiros. Se a isto juntarmos as centenas de blogues e sites informativos, estamos a ver que a mente das massas está confusa com a profusão. Tudo leva a crer que o cérebro das massas não está preparado para decifrar tão bondosa quantidade de informações e opiniões. O efeito mais visível é a irascibilidade com que os "leitores" comentam as notícias dos jornais on-line. Todos acérrimos, todos iguais na maldicência. Este pormenor é o melhor exemplo do efeito de contágio que é gerado pelas repetidas mensagens nas televisões, jornais e afins, que não se cansam de propalar-incendiar os fenómenos das "primaveras-árabes" e o direito dos "indignados", da crise, do mata-esfola, etc. Muitos dos temas/assuntos que nos deviam motivar para a vida e para a verdadeira cidadania estão condicionados pelas problemáticas que nos impingem. Por aqui o contágio, para já, está nas palavras mas não deixa de ser notório que as TV's pretendem sangue em directo. É quase como a panca dos incendiários, atear o fogo para depois ficar a ver.


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