16 de novembro de 2011

Da sopinha ao charrinho


Anos a fio fui ouvindo as lágrimas da grande Esquerda contra os períodos do fascismo – Hó, esse fascismo – desses tempos negros da imigração por falta de trabalho, da fome, da miséria, dos caldinhos de sopa de vinho, que fartavam a fome aos velhinhos e aos jovens. Hoje, abri os olhos e li que o progresso não se cansa de chegar a esta terra, os imigrantes partem na Ryanair, os pedintes já têm mais estações de metro para dormir, a miséria não pára de aumentar, as sopinhas de vinho foram substituídas pelo charrinho, pelo cavalo e por outras cenas, de esquerda, fracturantemente sintéticas.

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