30 de novembro de 2011

A classe do meio ou a culpa não é só das governanças mas do tipo de regime


A classe do meio ou o meio sem classe que grassa em Portugal é portador de sintomas que são, em parte, culpados da nossa situação actual – reflexo de laxismos e marambismos anteriores. Um dos sintomas, fico-me por este, é a inveja. Não é meramente "inveja" é a Inveja ladeada por um rol de adjectivos punidores do invejado ou visado. Na maior parte das vezes a pessoa invejada é-o pelo simples facto que sim, que sopas, em geral porque possui um bom emprego ou porque goza de um "perfil" que a gente do meio convencionou como previligiada!! Já dizia Levis-Strauss que a ignorância é o combustível do desprezo e da intolerância. 
Uma das provas que a revolução terrorista de 5 de Outubro de 1910 falhou, redondamente, foi ter potenciado o avolumar de ódios sociais, ter agigantado as diferenças culturais entre indivíduos, ter despoletado a inveja como arte e política para denegrir e espezinhar. O resultado está à vista 100 anos depois. Face a tanta crise e falta de esperança – que a "República" vem a prometer desde o assassinato de um chefe de estado – qualquer desgraça, premeditada ou não, contra um indivíduo com estatuto profissional é visto como um castigo merecido, um empurrão pelas escadas abaixo, mesmo que o indivíduo seja sério e longe da gamela dos compadrios partidários. E vem esta prosa a propósito de uma notícia, bem explorada, que nos diz que o Vice-Presidente da CGD foi vítima de sequestro e carjacking. Só por si esta notícia devia ser alvo de repúdio, mas não. Leiam os comentários e digam lá se não é a imagem perdida desta República que mais não soube do que criar cidadãos ressabiados e atordidos?

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