23 de novembro de 2011

À que olhar e desviar II


Numa recente entrevista (que necessidade que a imprensa tem em estar sempre a entrevistar o sr. Soares!) Soares, o fiche, disse que gostava de ver aqui as "ruas árabes" e apelou "aos cidadãos de esquerda". O sectário, coitado. O que faria este homem se fosse hoje primeiro-ministro? Aumentava os funcionários públicos? É isso que também está em causa, o sector público; o privado anda a ganir há muito tempo, que o digam os despedimentos que não param de aumentar. Nunca o ouvi apelar "aos cidadãos de esquerda" quando o seu amigo filósofo não parava de aumentar, brutalmente, o défice e a despesa pública. Depois do que fez no processo de descolonização, depois do que fez no processo de admissão à CEE, onde nunca aceitou um referendo ao povo sobre a questão, depois do que fez como primeiro-ministro e presidente da república apelar às "ruas árabes" só se for para satisfação da sua senilidade pirómana. Pedir responsabilidades a este governo é demasiado indecoroso da parte dos políticos antecedentes com verdadeiras responsabilidades na situação actual do país. Com este apelo o sr. Soares sacode a água do capote que escorre com lágrimas pelas atitudes passadas não desta molha inevitável. São apelos que devem ter a importância de uma escarradela no chão: à que olhar e desviar.


2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Se ele soubesse o que a "rua árabe" lhe faria, contentava-se com os seus livrinhos e calava-se.

João Amorim disse...

São escarros de quem vê a sua "obra" e as suas certezas desmoronarem-se como castelos de cartas...