25 de novembro de 2011

A senhora do mal canto


Sempre olhei para Natália Andrade com espanto mas nunca com comiseração, com "pena". Natália teve a sua vida de fantasia, por certo, de solidão, concerteza. Natália ficou aquém da sua paixão pelo canto lírico. Amanhã conto ver a reportagem que a jornalista Catarina Gomes escreveu e só verei até ao fim se esta tiver sido feita com aprumo e respeito pela personagem. Apesar de não ter visto o conteúdo não concordo, para já, com o título do artigo, porque Natália Andrade existiu, mesmo que no mundo anedótico e provocador de Herman José que muito gostava  de a satirizar, reduzir a uma piada.
Há uns meses os cidadãos lisboetas e outros grupos de intelectuais teceram homenagem públicas ao "senhor do Adeus" que passava horas a acenar aos automobilistas no Saldanha, em Lisboa. O "senhor do Adeus" tinha tanto de "Natália Andrade" como a "Natália Andrade" do "senhor do Adeus"! Refiro-me a uma "dessintonia" ante à realidade; todavia, ambos pretendiam dar e receber com o que davam. Um e outro ficaram-se pelo que podiam fazer face às circunstâncias psíquicas, físicas ou congénitas. Nem um nem outro queriam ser alvo de chacota. Viveram na fantasia e se calhar foi a fantasia que os fez viver.

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