31 de dezembro de 2011

O Mundo não é pequeno


Neste último dia de 2011, dia pródigo para as análises e suplementos noticiosos, como se as circunstâncias do calendário mudassem por si só a vida, revejo uma das frases que mais me irrita: "O Mundo é pequeno". Pode parecer inócua mas cada vez mais ouço esta frase redutora. Uma verdadeira depreciação do que poderia ser um propósito. Ao invés de me dizerem, "sim, eu também conheço o sr. Manuel pois também me identifico com o seu carácter ou a sua postura", não, ouço, "o Mundo é pequeno", ao invés de dizerem, " sim, também eu estudei em Belas-Artes pois sempre me atraiu o ensino clássico aliado à técnica", não, "o Mundo é pequeno". Não, o mundo não pequeno, é gigantesco. O que falta é gente que saiba olhar o mundo e não o circunscreva ao seu campo de visão, o que falta é gente com viagens, gente que saiba falar dos costados para além do nome do avô, gente que saiba viver sem se medir com os congéneres, gente que saiba falar do que viveu sem parafrasear a virtualidade das máquinas e dos outros. Sei que para muitos "o Mundo é pequeno", pena que muitos desses sejam figuras, sem relevo, que governam os desígnios dos outros e pratiquem a má influência. O "mundo" que aí vem não se compadece com acções pequenas nem com gente que lê a vida à laia das coincidências. O nosso mundo está a pedir homens que não tenham medo de partir para lá da pequenez, que façam juízos de valor, que se levantem para lá das massas, que ousem desafios, que olhem para o presente como um enorme espaço de esperança.

30 de dezembro de 2011

Mais uma para o anedotário "anti-fascista"


Esta frase é de Paula Rego, a pintora que dá nome à "sua" Fundação paga com dinheiros públicos mesmo se os "públicos" estão-se nas tintas para a qualidade da tinta que borra. Então a pintora ainda tem medo? Volvidos trinta e cinco anos desde a revolução? Porque não desde os últimos 101 anos? Concerteza deve ter medo. Eu tenho muito medo principalmente das consequências das borradas que os "revolucionários" andam a fazer à trinta e cinco anos...

Andam todos consumidos com os prováveis despejos


Se um décimo dos paineleiros, comentadores, opinistas tivesse inteligência e memória faria uma "volta a Portugal" das últimas décadas e veria que a questão das rendas, que agora se coloca, não é mais do que uma reforma, necessária, ao património que só peca por tardia. O congelamento das rendas, que a "esquerda" tanto protegeu, deu azo ao histerismo da "casa própria", ao excesso de crédito, ao abuso de sucessivas gerações de inquilinos que pagavam de renda mensal por casas com jardim o equivalente a uma refeição para 3 pessoas. O que eu verifico na história é o deserto de criticas ao maior despejo colectivo de que há memória no nosso país. Já tivemos um governo "democrático" que desprezou cidadãos portugueses, os humilhou, segregou e despejou do seu espaço afectivo e físico; ainda por cima rotulou-os de "retornados". Sobre essas "reformas" e políticas, sobre esses exemplos, não ouço os paineleiros e cronistas oficiais tecer teses de reflexão ou de discussão pública.

24 de dezembro de 2011

Natal


Todos os anos pelo Natal volto ao meu passado e à alegria de receber Jesus na nossa casa. O meu Natal é feito de Fé e da minha família, dos meus vivos, dos meus mortos. Todos entram em mim acompanhados de uma alegria única porque envolvida por uma luz que me atraiu e aprendi a ver mesmo nos momentos de dôr e de dúvida. Essa luz tem a forma de um menino que aprendi a pegar e a afagar e com o qual tenho crescido. Com uma certeza. Esse Deus-luz renova-se e renova-me, faz-me viver sem complexos ou temores. A sua presença é uma estrada onde já não tenho medo de andar e que me leva, levará, para Além Natal onde viverei também menino. Renascido, por fim.




Foto: Os meus manos, Mário e o nosso pequenino Manuel Bento que partiu. Natal de 1972.

De João Távora


23 de dezembro de 2011

O pedófilo


Pelo movimento do trânsito, insuportável, e as enchentes junto aos shopes está-se a ver uma pausa na "crise". A principal, nesta altura do ano, é a perversão do sentido do Natal e substituição dos ritos e valores cristãos pela rotina materialista das prendinhas, onde não falta a correria para a melhor foto do menino e da menina ao colo do pai "natal". É uma época áurea para os pedófilos que se fantasiem de ancião de barbas brancas – e insuspeitadamente terem o aval dos paizinhos para sentarem a criançada no regaço. Cuidado papás e mamãs. A extensão do abuso do "Pai Natal" não se restringe a acariciar as crianças, ele também gosta de ir às vossas carteiras...

Há primaveras


primaveras que são invernos e invernos que parecem primaveras mas não o são. Primeiro foram para a rua expiar a "ditadura" e cantar a Meca a vitória do "povo" depois voltaram para a rua para expiar os camaradas que mal se viram no poleiro transformaram a primavera noutra ditadura!

Ai, ai

Em vésperas de Natal, esse momento que inebria até os ateus, os comunistas portugueses mostram a sua génese humanista, fraternista e demais hipocrisia filhadaputista. Então não é que o índio Jerónimo não aprovou um voto de pesar pelo Vaclav Havel, isto quando dois dias antes chorou a perda do querido líder coreano? O que se passa na cabeça dos estalinistas portugueses? De cada vez que ouço um comunista defender os "trabalhadores" já sei onde desejavam que os trabalhadores lavrassem: algures num gulag idílico, de boca calada, em fato macaco com uma tatuagem do camarada Cunhal nos miolos. Ai "povo unido", ai, ai, não te desunas, não...

21 de dezembro de 2011

O cínico

 O sr. Manuel Alegre escreve hoje um artigo no DN em que utiliza a ironia para justificar a "coragem" do deputado Pedro Nuno Santos em ter proferido "estou-me a marimbar (para pagar o défice, etc...)". E cita, ele é O'Neill, Sophia, Ary dos Santos, e até evoca as victimas do "Miguelistas", tudo isto, em tão pouco espaço, para apreciar a "coragem" do Pedro Nuno face ao "respeitinho" (sic)! Para MA Pedro Nuno é o (bom) "malvado" (dos que "gritam na rua") face aos (maus) "bonzinhos"!!Para ele "estar-se a marimbar" é uma figura de estilo ideal para criticar este neo-liberalismo que, citando um texto de Alfredo Barroso, "gera uma cidadania despolitizada, caracterizada pela apatia e cinismo"! Bravo. O bardo, concerteza, irá manter este raciocínio quando apreciar as palavras do primeiro-ministro. Afinal, quando Passos Coelho sugere a emigração dos professores, também está-se a marimbar, digo, a "falar fora das regras do politicamente permitido" (sic), o que afinal é bom! Olhe Manuel, eu não me estou a marimbar e quando você fala não me sobra respeitinho nenhum. E não me ponha como um dos seus "malvados" de estimação...

19 de dezembro de 2011

Os Reis são eleitos todos os dias

A ler e guardar.



Sem remédio


No "Jornal das 9" da RTP1 um paineleiro diz o seguinte: "Portugal não pagou, nem chegará a pagar, a Cesária Évora o que lhe fez por causa do colonialismo." E mais para a frente, mais ou menos isto: O colonialismo vitimou mas não tombou Cesária...". Sempre vi a cantora a ser embalada ao colo em Portugal, desde a comunicação social, ao público, à crítica, dos políticos de Abril aos "conservadores", era uma cantora de qualidade, morna ou quente que fosse. Não é o primeiro, nem será o último, a demonstrar o seu desconhecimento sobre a história desse arquipélago desabitado e posteriormente colonizado a partir do  séc. XV. Exorcizar o "colonialismo" para vincar o percurso da cantora é tão despropositado como ignóbil. Este paineleiro, concerteza, devia referir-se ao seu estado mental colonizado por um complexo de esquerda, sem remédio à vista.

15 de dezembro de 2011

Palhaços, saltimbancos, malabaristas


É risível a posição dos artistas da política sobre os desígnios da história. Para os palhaços do circo republicano as revoluções, "deles", foram fruto de uma razão divina e de popular bem se sabe que o "povo" foi metido à posteriori no meio da contenda, para dar aquele ar. Dizer que o feriado do 5 de Outubro é uma data simbólica é verdade. Um verdadeiro símbolo ao terrorismo, um símbolo ao regicídio, ao sectarismo, à segregação politica. Os saltimbancos. Porque razão não é feriado no dia 23 de Janeiro, dia da instauração da Monarquia do Norte? Não é um dia histórico, onde se fez, também, história? Estou farto de pregadores malabaristas.

Caladinhos


Após a tragédia de Oslo, em Agosto, o país foi inundado com artigos e historietas sobre o alucinado Behring Breivik. Todos os paineleiros deste país lutaram entre si pelos melhores epítetos; ele era terrorista, fascista, cristão, caucasiano, nazi e os temas variavam entre o perigo da "extrema-direita" e as "políticas de direita" e a sua influência na vida das pessoas. Recordo em particular os textos da Fernanda Câncio e do Rui Tavares. Deliciosos. 
Três dias passaram sobre o atentado de Liége, consumado por Nordine Amrani, um belga de origem marroquina, muçulmano assumido, perito em armas, preso várias vezes por violência e violação. Onde anda a emoção da escrita moralista? Os paineleiros-cronistas estão calados nas suas deambulações? Não, estão caladinhos.

14 de dezembro de 2011

A culpa não é deles


Agora que chega a época das prendas a criminalidade parece aumentar, ainda mais. Os "jovens", criminosos, não terão mãos a medir. Ele é as prendas para a namorada, os pais, os melhores amigos, os ipod's, os iphone's e o mais que o socialismo radioso prometeu: direitos para tudo e penas brandas e macias com toque de pulseira da moda. A culpa não é destes "jovens". É daqueles que "roubam aos pobres" e daqueles que têm mais que os pobres. No fundo, todos os que não são delinquentes são culpados pelos que o são. E se não há desculpa uma desculpa haverá na cabeça pensadora da grande esquerda para ilibar os "jovens" dos actos menos próprios, inclusive dos crimes de sangue. Haverá, também, quem se lembre que no fundo os criminosos são gente sem amor e por isso com direito a dar porrada e a martirizar. E assim estamos três décadas após the one and only 25 de Abril! Mas até os políticos (do autarcazinho ao ministro) que abusaram do poder, roubaram, mentiram, agiram de forma irresponsável e de forma leviana, e nos conduziram à triste realidade que nos encontramos, não têm que se preocupar. A culpa, também, não é deles.


12 de dezembro de 2011

Alegria do Encontro

O período natalício aproxima-se e eu sinto que  minha cidade está mais calma que nos anos anteriores. As "luzes de natal" escasseiam, o histerismo das compras amansou, o apego pelos sacos das compras atenuou-se. Porque nunca senti o Natal como época de consumo não me preocupo com a visão do "natal triste sem as luzinhas e as prendinhas". Sei que o comércio anda em pânico com a quebra das vendas mas outras formas criativas terão de arranjar para escoar os produtos; em parte, também são responsáveis pela transformação do Natal na festa de despesismo que em tudo depende do rácio financeiro-mental dos frágeis compradores inebriados com a ilusão da "generosidade" prendeira. Não tenho pena dos que "sofrem" por não poderem comprar, por não poderem oferecer as prendinhas.
Se há período onde eu prezo a austeridade é no Natal, talvez por isso sempre tenha tido asco do "pai natal" e das virtudes artificiais do laicismo natalício que substituiu a espiritualidade pelo materialismo. Que a crise económica seja por uns dias a fartura da humildade e da alegria do Encontro.

6 de dezembro de 2011

Duas notícias a assinalar


Esta semana duas notícias a serem motivo de satisfação. A homenagem a Gonçalo Ribeiro Telles e a inauguração da exposição "Das Partes do Sião". São dois eventos onde, de modo diferente, intervêm dois aristocratas portugueses, Miguel Castelo Branco e Gonçalo Ribeiro Telles, com quem tenho a sorte de privar. Se não deixa de ser importantíssimo assinalar os 500 anos das relações entre Portugal e a Tailândia, convém frisar que a obra só é possível graças ao empenho e entrega da inteligência e minúcia historiográfica de Miguel Castelo Branco, apoiado, concerteza, por outros Homens cujo lavor o blogue "Combustões" nos tem vindo a informar. Já a homenagem a Ribeiro Telles (todas não são demais) tem o élan de "festa republicana"* e, pois então, que a façam, que o país está cheio de monárquicos que fazem, e fizeram, mais pela Res publica que os irmãos, primos e "republicanos", todos juntos!


* Quem vê o programa não deixa de dar um sorriso ao ver o Mário Soares a aparecer a fechar a festa. A "comissão" desta homenagem tem uma "criatividade" latente. Que o sr. Soares não se esqueça de convidar o monárquico Gonçalo Ribeiro Telles para fechar a homenagem a que tanto deve ambicionar e a que desde sempre concorreu!!

2 de dezembro de 2011

Para que servem as Forças Armadas?


Uma excelente notícia, emocionante, que espero una pela solidariedade o povo português. Pode parecer pouco mas o renascer, a esperança, é o condimento essencial retemperar as forças anímicas que parecem faltar. As nossas Forças Armadas estão de parabéns e os pescadores mostraram-nos o que significa, perante verdadeiras adversidades, ser resistente.

Foto: Público