31 de dezembro de 2011

O Mundo não é pequeno


Neste último dia de 2011, dia pródigo para as análises e suplementos noticiosos, como se as circunstâncias do calendário mudassem por si só a vida, revejo uma das frases que mais me irrita: "O Mundo é pequeno". Pode parecer inócua mas cada vez mais ouço esta frase redutora. Uma verdadeira depreciação do que poderia ser um propósito. Ao invés de me dizerem, "sim, eu também conheço o sr. Manuel pois também me identifico com o seu carácter ou a sua postura", não, ouço, "o Mundo é pequeno", ao invés de dizerem, " sim, também eu estudei em Belas-Artes pois sempre me atraiu o ensino clássico aliado à técnica", não, "o Mundo é pequeno". Não, o mundo não pequeno, é gigantesco. O que falta é gente que saiba olhar o mundo e não o circunscreva ao seu campo de visão, o que falta é gente com viagens, gente que saiba falar dos costados para além do nome do avô, gente que saiba viver sem se medir com os congéneres, gente que saiba falar do que viveu sem parafrasear a virtualidade das máquinas e dos outros. Sei que para muitos "o Mundo é pequeno", pena que muitos desses sejam figuras, sem relevo, que governam os desígnios dos outros e pratiquem a má influência. O "mundo" que aí vem não se compadece com acções pequenas nem com gente que lê a vida à laia das coincidências. O nosso mundo está a pedir homens que não tenham medo de partir para lá da pequenez, que façam juízos de valor, que se levantem para lá das massas, que ousem desafios, que olhem para o presente como um enorme espaço de esperança.

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