31 de dezembro de 2012

Para 2013


Apesar do dobrar do ano para mim ser o Natal, às portas de um outro dia no novo calendário, desejo para os leitores esporádicos, assíduos, perdidos, deste espaço o melhor 2013 com saúde e satisfações.


30 de dezembro de 2012

Para 3013


Não por poucas vezes, sinto-me arrastado para um tempo remoto mais remoto que o meu tempo. Nesse período, onde procuro algumas razões da minha existência, encontro-me noutras paisagens e em vidas que me extravasam mas que moldam a minha natureza e o meu ter. 
Entre muitas outras coisas possuo, por herança, uma pequena argola de guardanapo, em prata, com a inscrição J S. É um objecto que me diz muito por ser um artefacto do quotidiano, tocado, muito usado. A inscrição remonta ao meu tetravô José Saldanha, nascido em 1795. Passou para a vida e uso do seu filho João Saldanha, deste para o seu filho Manuel Bento, para a minha avó Maria Amélia, para a minha mãe Maria Amélia e, por coincidência para outro J, para mim, João, e será, concerteza, para a minha filha Joana Saldanha. Esta cadeia de partilhas existe em tudo o que legamos, que nos legaram, seja um artigo seja o nosso Nome. Esta cadeia, perene quanto frágil, é a principal matéria da nossa estrutura filosófica, quase diria, um infindável pavio espiritual inflamado, reaceso, pelos que nos tocaram. É a constactação desta íntima corrente que nos permite sentir o advir transformado em imaginação. Recordar é imaginar, porventura, a mais satisfatória manifestação do intelecto. O nosso futuro é o nosso passado imaginado, tão imaginado que se quisermos podemos construir o que será a partir do que, agora, fomos.


27 de dezembro de 2012

Duas notas sobre a decadência da República Portuguesa


Nota 1) O défice demográfico nacional é assustador se comparado com os demais países europeus e um dos piores do mundo. Só no primeiro semestre deste ano ocorreram mais do dobro de óbitos do que nascimentos, em comparação com o ano todo de 2011. Não são as pessoas que estão a morrer precocemente (antes pelo contrário a esperança de vida aumentou) os nados é que não são procriados e, dos que enfim, muitos são abortados! A previsão que em 2030 seria a década da tragédia para o estado cobrador de impostos e do fim da sustentabilidade do estado-social deve ser antecipada. Os factores são inúmeros, já aqui tenho escrito em demasia, elejo o desfecho trágico da propaganda pós-25 contra os valores da família. A crise também pode funcionar como desculpa mas é muito recente e é cuspe que descola com argumentos de facto.

Nota 2) Nos inícios de novecentos Portugal tinha cinco milhões de habitantes. Na década de 40 tinha dez milhões de cidadãos....! De lá para cá não duplicamos coisa nenhuma a não ser, nos últimos seis anos, a dívida pública. A culpa é da PIDE.




Analisar


Uma das chupadorias da República vai analisar o caso "Baptista da Silva". Se estes juízos fossem tão rápidos na avaliação de descaradas patifarias parte do país podia estar a salvo. Mas não. Grandes impostores e traidores estão cá fora a latir sem que os seus actos tenham sido investigados. O mais relevante é analisar os títulos e curriculuns.

26 de dezembro de 2012

Abre-olhos


O final do ano ficou animado com o abre-olhos do caso "Baptista da Silva". Pelos vistos os mais prestigiados órgãos de informação foram ludibriados pelo falso curriculum do falso académico da ONU. Foram ludibriados porque o curriculum era uma mentira não porque nas mesas e plenários redondos a prosa do sr. Silva não fizesse abanar afirmativamente a cabeça pensadora dos intervenientes no decapanço político. Não fiquei um milímetro admirado. Para mim, todos, ou quase todos, os "analistas" ludibriam as plateias não por falsos curriculuns mas por falsas especialidades nas matérias. Abundam Silvas nas televisões informativas! São homens e mulheres que respondem com cara serena a todas as perguntas de A a Z, desde as capas dos jornais diários passando logo para questões de desarmamento na Coreia do Norte e dali para a especulação financeira nas Antilhas. Pergunto-me como é que esta gente está tanto tempo a ser filmada e ouvida? Será por falta de capacidades cerebrais do povo indígena, sempre a precisar de uma ajudinha de "quem sabe"? Que este episódio sirva para abre-olhos do que nos servem para entretenimento! Que ninguém tenha dúvidas... os programas com mesas redondas e quadradas são para nos fazer rir, e embarretar; rir de temas que não têm piada nenhuma!



24 de dezembro de 2012

22 de dezembro de 2012

Take it easy Joe


O CCB tem uma das maiores colecções de arte contemporânea da europa, que é pertença do Joe. O Joe, bom português da Madeira, gosta de ser tratado por comendador e gosta de ser conhecido pela sua colecção. Porventura terá coleccionado outras coisas que não estão expostas. Quando posa para a máquina gosta de ter aquele ar de entrosamento com a arte, digo, com o mais ínfimo detalhe dos pintados. Um dia gostaria de falar sobre estética de arte, na sua vertente filosófica, com o Joe. Transvanguardas quentes e frias, por aí fora. Mas hoje o que despertou nesta notícia foi outra arte. Joe não falou mal! Mas não falou bem, também. O que Joe devia ter proferido era a apetência lusa na inveja pelo alheio e na ostensiva falta de cultura de mérito nesta sociedade em desfalecimento. A inveja dos "ricos" vem de longe e na maior parte dos casos são os medíocres que só cagam, comem e dormem que mais criticam e apontam! Contudo, o que me caiu mal na frase do Joe é a cena do fisco! E, aqui, Joe não tem toda a razão, principalmente, se o fisco procura perseguir e conquistar fundos na especulação financeira, aquela que não cria só amealha e trafica. Quando Joe avisa que pode ir para fora, em certas "camadas sociais", isso soa a "fuga". Por ora apenas "soa". Por outro lado, Joe devia ter sido cauteloso em dizer as suas "bocas", logo agora que o jornalismo de referência procura esgazeadamente pontas por onde se lhe pegue com a crise e a austeridade. Temos um jornalismo jacobino. Joe sabe disso. No passado, com a ajuda do regime, conquistou certa imprensa, por estes dias só levantam "lebres"; ele é as avultadas dívidas aos bancos e acções não pagas. Joe devia olhar para a sua comenda e encomendar outro raciocínio quando falasse. Os tempos estão conturbados e a sensação de injustiça cresce como erva daninha mesmo que essa "injustiça" seja fruto das milhares de facturas, do vibrante socialismo e da "social" democracia, que estão justamente por pagar.

(Foto: Egidio Santos)


20 de dezembro de 2012

Viver com hipócrisia


O Natal é uma festa católica, ponto final. Celebrá-lo depende inteiramente da fé porque ou se é, se sente ou não se sente. Ninguém é obrigado a "aderir". Não há uma lei que obrigue a aceitá-lo por isso não é admissível que alguém diga que o Natal se impõe sobre a sua vida. Todavia, não faltam pessoas que "vivam" meias celebrações com sobranceria, desdém e hipócrisia.


19 de dezembro de 2012

O pedófilo das barbas está em baixo


Tenho ouvido dizer que este Natal o pedófilo das barbas está em baixo e vai fazer menos corridas com as suas renas defecadoras tão pouca é a procura de prendas. Que este Natal seja Santo e que esta quadra seja uma oportunidade para se sentir o crucial espírito cristão que a envolve.


Amar mais a TAP


O pretendente à TAP diz que "os portugueses amam a TAP" e que se ele a comprar ainda a vão amar muito mais! Sobre isto, quero dizer que nunca me apaixonei pela TAP nem tão pouco acho que a conseguia amar. Não é o meu tipo, tem um porte feio e, principalmente, tem muita gente dependente dela que ao invés de a ajudar só a explora. Não sei o que o comprador Eframovich sabe sobre a vidinha da dita mas não seria pior dar umas voltinhas pelos sindicatos para perceber porque tanta gente anda sempre em greves por causa dela!

17 de dezembro de 2012

Pia de Pilatos


As duas jornalistas que fizeram este artigo devem ser duas almas santas. Angola vivia um clima de medo e terror pela barbárie cometida uns meses antes, deste incidente, contra "brancos", "pretos", "colonos" e indígenas em Colua, 1961, pelos meninos da UPA. Os meninos à volta da fogueira da UPA massacraram, violaram crianças, estropiaram soldados e cometeram actos de canibalismo que deviam ser conhecidos pelas duas meninas jornalistas. A execução levada a cabo pelos "Dragões" foi motivada, certamente, por um sentimento de raiva, retaliação, e aviso aos terroristas. Não estou de acordo que o fizessem mas elevar a crueldade do exército português sem contextualizar o decurso da guerra é pernicioso e limitativo. 
Mais um caso de peça jornalística que parece ter a forma da pia de Pilatos. Uma pia para os membros da UPA, FNLA, GRAE e ELNA, e seus simpatizantes, lavarem as mãos.

Foto: Orgãos genitais de um soldado português executado e mutilado em Colua, norte de Angola, 1961 (foto Horácio Caio)

16 de dezembro de 2012

O que é que este sistema igualitarista está a fazer?


E se formos mais além no raciocínio do autor teremos a resposta!

14 de dezembro de 2012

O ódio dos pequeninos


Em Londres suicidou-se uma enfermeira que havia dado informações, inadvertidamente, sobre a estadia num hospital da Duquesa de Cambridge, Kate Middleton. Os episódios recentes podem ser relidos aqui. A enfermeira tinha um nome português, Saldanha. Talvez por isso os portugueses não ficaram indiferentes. E não. Nas redes sociais, nos blogges e nos jornais on-line os comentários não se fizeram esperar. Na maioria destilam o ódio dos pequeninos contra a monarquia (essa inveja de ignorância do que é o regime monárquico e de quem, efectivamente, se julga mais que os outros), as "igualdades", as benesses, os tratamentos de excepção, muitos inventam as maiores doidices para a enfermeira, prováveis doenças mentais ou desequilíbrios. Ninguém pensou que a sua morte possa ter ficado a dever a algo distinto, um desespero de carácter. Os pequeninos odeiam e não respeitam ninguém. O ódio pelo alheio é uma barriga afrontada de ressabiamento. Pequeninos. 


13 de dezembro de 2012

Por estes dias, por esta chuva, antevendo as "festas", relendo Victor Wladimiro Ferreira


"(...) Estes dias "das festas" deixam-me sempre deprimido e triste. Acabo por me ralar com saudades da nossa terra, do Sol, das praias, do vestuário leve, dos jacarandás floridos, da paz nas ruas, dos mercados a abarrotar de cheiros e vozes diferentes, do camarão, do caril com coco, dos cajus e amendoins que as mulheres negras assavam escavando uma pequena cova onde amontoavam os frutos e colocando as brasas por cima de um quadriculado de paus e folhas secas pra uma melhor assadura; coisas boas que se nos agarram à memória...
Como tem passado? Como aguenta esta chuva que nos encharca dia após dia? "


mail de Victor Wladimiro Ferreira, 07.01.2010


Foto: Victor Wladimiro em Lourenço Marques, 1972; espólio: família Castelo Branco Graça Ferreira


O Socialismo Vai de Rodas


Entre 2011 e 2012 venderam-se em Portugal menos 180 000 carros novos. Com a "crise", a poupança andou pelos 2,3 mil milhões de euros! Convinha alguns dos ex-ministros das obras públicas virem explicar se as toneladas de alcatrão e destruição de terras serviram para colocar em andamento este Socialismo Vai de Rodas ou se foram as rodas a dar gás ao Socialismo que Vai. Que Foi. Para um observador do desastre desta República, como eu, é confuso constactar os biliões de euros dados às constructoras – e devidas "comissões" para o menino e para a menina –, ver tantas auto-estradas, vazias, e, no fim, a mudança mais praticada ser um país de marcha-atrás.



12 de dezembro de 2012

Da dívida


Da esquerda à direita, muito mais da esquerda, ouço coisas que me fazem lembrar alguns velhos teóricos de coisas ainda novas. Falo de uma reacção ao pagamento da dívida portuguesa aos empréstimos "estrangeiros", um crescente ódio anti-germânico, num contracenso entre a europa-da-mama e um anti-europeísmo. No fundo, este ódio ao pagamento da dívida é um ódio indissociável do emprestador. Retirando a questão financeira do cerne, esta reacção é uma mostra dos hedonismo modernos. Portugal, e os países abrangidos pelas ajudas externas, denota um crescente xenofobismo exercido naquilo que podemos definir como um suave nacionalismo assente na "cultura" endógena. Ora, se raça é uma noção essencialmente cultural, o extremismo de recentes atitudes trazem à agenda a compreensão/extensão do que é a "miscenização" e o "multiculturalismo", essa coisa tão bem amada pelos eternos anti-germânicos



11 de dezembro de 2012

Muitos anos de vida


Hoje faz 104 anos Manoel de Oliveira. Nascido no ano do Regicídio, o cineasta foi/é um dos mais importantes realizadores portugueses. Poucos saberão que foi um ás do volante, um exímio conductor de automóveis, se calhar, até mais do que o irmão, o campeão, Casimiro de Oliveira. Um acidente fê-lo repensar a actividade e quem ganhou foi o cinema. Conheci-o pessoalmente em 2010 num projecto em que colaboramos para uma exposição. Na minha memória, contudo, fica em forma de nota sublime o seu discurso no centro cultural de belém, em Maio de 2010, aquando do encontro de Sua Santidade o Papa Bento XVI com personalidades da cultura, ciência e artes, para o qual eu fui convidado. Foram dez minutos de leitura que me fizeram emocionar e dizer para mim que, afinal, escolheram muito bem quem iria representar e falar pelas personalidades presentes. Tinha acabado de ouvir uma das palestras da minha vida. Tive oportunidade de o dizer a agradecer pessoalmente a Manoel de Oliveira. No CCB, pela sua voz, não ouvi o queixume dos pequeninos, não ouvi dar brados à liberdade, à revolução d'abril, não o ouvi cascar no fascismo e na direita neo-liberal, não ouvi dar graças à esquerda e pedinchar subsídios, o que ouvi foi um discurso íntimo, sobre as razões do país, da sua génese, da esperança, dos sonhos de todos e cada um, misturados com palavras que evocavam o cinema enquanto arte; e, nos premeios, o cristianismo, a força da fé, a presença de Deus enquanto actor, simples, mas magnânimo, no meio de nós. No final disse aquilo que o regime não queria ouvir mas que um centenário, sem medo do laicismo pidesco, pode dizer: "Portugal foi e sempre será um país católico".
Parabéns Manoel de Oliveira, muitos anos de vida.

Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico


Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico. Às carradas, passaram a informação de que o Portugal no período salazarista era um monte de esterco, onde tudo era controlado! Disseram-nos através da boca dos pérfidos políticos, dos analistas, dos "historiadores", da RTP, das Antenas Uns, dos livros escolares. Esqueceram-se que a inteligência não esboroa por decreto e que a vida não se constrói ao ritmo e ao gosto do virar de página dos iluminados. Um país, uma sociedade, depende mais da natureza dos homens do que da natureza das leis. Um mero exemplo é a génese e a capacidade de reconstrução de comunidades e países assolados por guerras, crimes, regimes opressores e outros ocasos. Isso acontece porque existe um milagre que se chama instinto de sobrevivência (e decência), o qual, aliado aos sentimentos afectivos, cria uma projecção que alimenta e constrói a esperança. 
Ao metralhar o povo com a ideia de dois portugais, um antes e pós 25 de Abril, os evangelistas esquecem-se que nunca os tempos que correm foram tão bons para a confrontação de estatísticas e de exemplos de vida! Vale a pena falar da diferença entre o que foi e o que é? Da diferença entre o que era um país com uma grande movimentação associativa, só na cidade do Porto existiam, antes de 1974, 600 associações recriativas, agora não mais que umas dúzias, do que foi a profusão de movimentos literários, do que foi a influência das belas-artes e das galerias na vida cultural, do que foi a inovação industrial e química, das escolas de arquitectura, do crescimento de companhias e da paixão pelo teatro, do surgimento de espantosos compositores e maestros? Onde anda hoje a nossa cultura, senão em manifestações de mão estendida e boné Che Guevara na cabeça?
O estado-novo foi mau? O regime político, a partir dos anos quarenta, foi. Mas a vida dos homens não se coibiu de criar e sonhar. A terceira República é boa? Onde está a boa vida, a iniciativa privada, a igualdade e riqueza para todos? Nunca como hoje um regime foi tão culpado pelo estado vegetativo dos seus cidadãos, nunca como hoje os cidadãos foram tão perseguidos – seja do ponto de vista das liberdades pessoais, fiscais, patrimoniais. Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico; fartam-se de olhar para trás mas não aprendem! Porque não veêm.



10 de dezembro de 2012

Se o ridículo matasse


A jornalista Marisa Soares devia investigar um pouquinho o que foi a arquitectura portuguesa de foro particular e estatal no período que tenta abarcar. Digo, assim de cor, o desenho de uma arquitectura com "curvas" de Januário Godinho, Mário Abreu, Cassiano Branco, da ARS-Arquitectos, não falando nas "curvas" do actual Pavilhão Rosa Mota (foto), antigo denominado Pavilhão dos Desportos (erguido nos jardins do "Palácio de Cristal") de José Carlos Loureiro. Se juntarmos a estes exemplos de autores a arquitectura de engenharia de Edgar Cardoso, não faltam "curvas arrojadas" na excelente arquitectura modernista no período do Salazarismo. O que este artigo enuncia é, tal como escreve de forma demolidora o ínclito Miguel Castelo Branco, uma propensão para a rasteira demagógica sobre a nossa história, uma vertigem para os espaços vazios da ignorância, quando se fala em Portugal nos anos 1929-1974, preferindo a comodidade do pensamento uniformizado e imbecilizado ante o pensamento livre e rigoroso. Fica bem, é chique, dizer mal do Portugal de 1929 a 1974; foi tudo mau, muito mau, exceptuando a vida dos senhores vigilantes da historia, tão na moda, claro e os seus pais. Se o ridículo matasse...

7 de dezembro de 2012

Celebrar, hoje, João Camossa


Num dia em que as rádios e televisões andam afoitas com reportagens sobre um dos maiores traidores de Portugal eu evoco uma figura bem mais gigante que o minúsculo aniversariante; falo de João Camossa (1926-2007). Por breves minutos estive a ler um texto que lhe dediquei aquando dos três anos do seu falecimento e que escrevi como publicidade a um evento, que organizei conjuntamente com o Centro Nacional de Cultura, de rememoração a João Camossa.
Um só segundo em sua memória faz esquecer da minha vista o horizonte de ignóbeis que se desfrutam nesta República de mentiras.

"(...) No dia 26 de Janeiro – curiosamente 5 dias antes da comemoração do 31 de Janeiro que os Republicanos tanto gostam de recordar – o CNC vai homenagear um cidadão que fez mais pela república do que muitos dos seus pseudo-heróis. Eu conto lá estar, se Deus quiser, com algumas das pequeninas folhas que o meu querido primo João trazia sempre no bolso e gatafunhava e riscava com contas aritméticas infindáveis. O que eu tiver de escrever escreverei nos teus papeis, João, porventura algo para te dizer ou para entreter o nosso tempo. Porque o meu amor também passou a ter o tempo do teu sentimento."


88


No dia de aniversário de um dos carrascos de Portugal, o pérfido Mário Soares, deixo aqui uma prenda com 28 anos, por altura do resgate do FMI, estando este sujeito como primeiro-ministro: péssimo aniversário.

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (...). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. 

Entrevista ao JN, 28 de Abril de 1984 

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência... deve pura e simplesmente falir. (...) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade. 

Entrevista ao JN, 28 de Abril de 1984 

 “Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. 

Entrevista à RTP, 1 de Junho de 1984 

6 de dezembro de 2012

Os fregueses


O governo propôs a redução do número de freguesias no país. Neste naco de terra qualquer reforma tem opositores; está tatuado na pele dos que velam pelos "valores" da revolução d'Abril. De facto, após o dia 25 o número de freguesias aumentou e nalgumas localidades duplicaram, fruto das "conquistas democráticas". De lá para cá o país pensou que era rico mas empobreceu ainda mais e chegou-se à idade dos cortes. Se antes da ruína era consensual a obrigatoriedade dos cortes nas despesas do estado agora torna-se fundamental para a sobrevivência dos nativos dependentes dos fundos do estado. Mas as "freguesias" não querem, não concordam. Gritam argumentos, acicatam as "populações" contra o isolamento e a distância até a mais próxima junta. Mas, bem vistas as coisas, não são as "freguesias" que reclamam!... Como eu não me canso de afirmar, esta República verde-tinto é um tasco a abarrotar de "fregueses". 

5 de dezembro de 2012

A transparência da corrupção e a República


"Portugal", hum,  a República Portuguesa, é, a título de um jornalista, "moderadamente corrupto". Diz o artigo que, na parte que interessa, numa escala de 0 (percepção de que um país é altamente corrupto) a 100 (percepção máxima de transparência) Portugal, visto de "fora", tem uma pontuação de 63, logo, mais transparente que corrupto. A nível mundial está na posição 33 (gosto de capicuas), a nível de uma Europa a 27 está em 15º lugar. De realçar, para futuro, de forma pertinente, a noção de Transparência e a noção de Corrupção. São temas que nos conduzem a um patamar de discussão que implica digerir o nosso grau civilizacional e cívico. Então o que é a Corrupção? A cunha, um pedidozinho de emprego para uma filha é corrupção? Um "jeitinho" para se saber o preço da concorrência é corrupção? Uma informaçãozinha a tempo e horas sobre a expropriação de um terreno é corrupção? E se todas estas coisinhas não tiverem outro proveito que não a "amizade" e ajuda ao próximo? Como é que se vão tratar estes detalhes numa República que foi construída, precisamente, sobre o fundamento do amiguismo, clientelismo, partidarismo, sectarismo, compadrio, vê se te avias, ó Abreu dá cá o meu, é tudo nosso, no toda a gente faz isso? Como é que se vão tratar estes assuntos numa República cuja "arquitectura" é uma teia de ofertas e dívidas para com os patrocinadores das campanhas, lacaios e interesses partidários? Não me admirava que a pontuação fosse 100! Era sinal que a percepção de transparência correspondia à assumpção de que o regime era o que é, e toda a gente o via. Mas não. Essa transparência é um vidro bem embaciado.

4 de dezembro de 2012

Center for Country Research


Existem empresas que se dedicam a fazer estudos sobre os montantes que foram, são e serão furtados, no comércio. Empresas destas deviam ser apoiadas pelos países em vias de pulverização moral. O furto é um fenómeno tão antigo quanto a existência animal. Em Portugal furta-se por vários motivos: por fome e por oportunidade. No primeiro motivo o corpo pede no segundo a moral perde. Os oportunistas abundam, fecundam e deixam legados. Um outro motivo é a lei. A lei pode prever a usurpação legítima de um bem mesmo que isso pareça ilegítimo. Veja-se a prole de presidentes da república a usarem o alheio amealhado da coisa pública como se fossem credores, em virtude dos "deveres cumpridos"! Devia ser fundado um Center for "Country" Research. Seria útil e ajudaria o INE e o ministério das finanças sobre as previsões do orçamento disponível de facto. Diz uma empresa inglesa que estima furtos no comércio português durante a época de Natal, deste ano, no valor de 66,9 milhões de euros, 5,5% a mais do que em 2011. Quanto se furtou, em maquinâncias, do orçamento de estado em 2012?

3 de dezembro de 2012

Notícias de última hora


A índole desta notícia sugere que um jornalista deve ter acesso a tudo a bem do "direito de informação" que, pelos vistos, também está consagrada no rolo de papel higiénico que apelidam de Constituição da República. A par do subsídio ao aborto, pago pelos contribuintes, a nossa moderníssima república cria (aborta) umas criaturas que recorrem à particular Constituição para exigirem tudo e qualquer coisa. Fico satisfeito pelo tribunal não ter permitido a consulta, já basta o fisco, digo, a polícia fiscal, espreitar por todas as frinchas. Caso o tribunal despachasse a favor do jornalista veríamos muita gente armada em jornalista a consultar as sizas, os valores dos carros, os salários, prémios, as dívidas dos vizinhos, cunhados e amigos. A não ser que o jornalista pretenda uma excepção para os encartados do jornalismo, o que seria grave e colocaria qualquer um ao sabor da subjectividade noticiosa. Seja com Cavaco Silva ou com outro Silva qualquer, a intimidade deve ser acautelada de estranhos e a violação da mesma deve ser despoletada por razões fundamentadas de um tribunal civil ou fiscal. Bem sabemos como os jornais gostam de notícias de última hora!


1 de dezembro de 2012

A verdadeira revolução


Um ex-primeiro ministro assume numa entrevista que tem responsabilidades no estado do país. Diz, também, que não é o único e que "todos terão tentado fazer melhor ou pior" (!). É humilde, é lindo, é de carácter, mas torna-se fácil assumir culpas quando daí nada resulta a não ser o travo a "honradez". As acções dos detentores de cargos políticos não são responsabilizadas criminalmente porque a noção da democracia acenta na legitimidade do voto. Então, que se punam os votantes nos partidos. Que ninguém ajuíze os políticos em que votou com a pena de merecer maior castigo. 

É com democracias destas e regimes destes que o dia de hoje, 1º de Dezembro, ganha especial significado. Como diz o Nuno Castelo Branco, "o plano B falhou, temos o plano A". O "plano B" trouxe-nos a repressão, o medo, a mentira, o partido único, o despotismo, a miséria, os complexos sociais, o ressabiamento e a inveja pelo próximo, a frustração dos idiotas, a ditadura, a falta de patriotismo, a traição e entrega à morte de conterrâneos, o ignóbil oportunismo dos democratas que se aviltaram dos bens públicos, a maior desigualdade social de que há memória, e por fim o nosso fim, pela ausência de esperança. Talvez por isso, a restauração da Monarquia seja a verdadeira revolução que está por fazer.

30 de novembro de 2012

A gaivota que voava voava, voava voava...


Olá camaradas, aqui do Porto um abraço para Almada directamente para o pavilhão onde se concentram os camaradas do Partido Comunista Português, filhos herdeiros herdados do Comunismo totalitarista, marxista, leninista, estalinista, assassino-coveiro de dezenas de milhões a bem do progresso e da liberdade. Daqui vos envio uma pergunta para o comité analisar – sabendo que o congresso não serve para mais nada pois desde o último já se sabe que o mega-camarada Jerónimo está eleito – que me assola desde os idos anos de setenta e quatro: a gaivota que voava voava,voava voava, voava voava, voava voava, ainda continua a voar, camaradas?*


* Ou será que se cansou de ser usada e abusada pela utopia e foice para a Praia dos Tomates no Allgarve?

O Costa Pai Natal vai deixar mais uma factura no sapatinho


O político António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, disse que o orçamento de estado para 2013 tem de ser fiscalizado pelo Tribunal Constitucional. Este mesmo político vai gastar nas iluminações, acções e brincadeiras interactivas de "Natal", na capital, perto, ou mais, de 500 000 euros! Este é o exemplo do Socialismo fiscalizador. Não se trata de enriquecer uma festa católica – que apela à austeridade material – mas sim um devaneio pagão e materialista. É o Costa Pai Natal que vai deixar mais uma factura no sapatinho.

29 de novembro de 2012

Proibir o direito à greve


Recomendo ao governo da República-Verde-Tinto que avance com as políticas do elogiadíssimo Afonso Costa da I República e proíba o direito à greve. Proibir é um emblema do regime por isso não seria muito grave. Se os grevistas reclamarem é atirar-lhes com a historia. Os estivadores queixam-se por receberem pouco nas horas extraordinárias? Não façam horas extraordinárias! Mas as horas extraordinárias duplicam o salário? Então que se faça greve que o direito a trabalhar fora de horas e bem pago foi prometido enquanto houvesse vida na terra pelo Socialismo de Dinheiro Emprestado. Aliás, que toda a gente entre em greve imediata e exija o pagamento de horas extraordinárias, ao estado, ao patrão (esse eterno faxista, pois claro!), ao senhorio, ao carteiro,  que o trabalho não é para se fazer é para se ir fazendo.




Foto: sindicalistas presos na I República. Dá-lhes Coelho. Viva a República.


28 de novembro de 2012

Dentes


Ontem ouve manifestação em frente à Assembleia. A CGTP apareceu com as suas bandeirinhas e outros "anónimos" se associaram. O clima, para além da crise, é de festa. Que o diga esta mulher que encena para os fotógrafos e televisões uma performance que vai para além da minha compreensão. Tenho pena da cenoura. Quanto à manifestante parece não ter dentes para digerir a coisa. É melhor pedir um tacho.

Foto: JN


27 de novembro de 2012

O negócio dos submarinos é tão submersível como os submarinos


Porque razão está um negócio com dinheiros públicos em tribunal? Será que com mais denúncias não estariam em tribunal muitos dos negócios com dinheiros públicos? A resposta sempre esteve à tona d'água.


26 de novembro de 2012

Não esquecer - uma factura com 37 anos


Numa altura em que todos fazem contas, eu cuido dos meus cêntimos no fundilho da carteira mas, não esqueço contas que estão para pagar e que não podem prescrever. Com a conivência do Socialismo do sr. Soares, os gestores da coisa pública, como o Rosa Coutinho, deram largas à ventura e não se compadeceram com os custos humanos das suas revoluções. Que ninguém, por um só segundo, tenha dúvidas que a "descolonização possível" foi um negócio. Triste e abastardado país que nunca soube ser credor desses custos e sofrimentos ante os responsáveis pelo descalabro.
Aqui fica uma notável entrevista de um homem de esquerda, um dos responsáveis por uma factura que matou milhões e levou à morte antecipada centenas de milhares de portugueses.

24 de novembro de 2012

Margrette


Margarida Rebelo Pinto diz numa entrevista, quando questionada sobre a crise, que teve de "fazer um downsizing do (meu) lifestyle". Eu sei que a "internacionalização" das pessoas leva a um tipo de folclore mas concerteza a, dita, escritora teria palavras em português para exprimir o conceito. A globalização veio para ficar, veja-se a crise bem globalizada, e os tiques multiplicam-se e somam-se ao provincianismo latente. Não há projecto ou nova "industria criativa" que possua um nome português, ou francês, tão pouco, acrescenta-se logo um world - show - light - movie - on - com - dot disto e daquilo. É o "valor acrescentado" do novo conhecimento. Margrette não foge aos tempos, é uma nadadora na vaga do frívolismo indígena. Um milhão de livros vendidos? É power. É boss.

21 de novembro de 2012

Falar de Cristo é bom para esquecer a crise


Se calhar amorfas, porventura apagadas, muitas pessoas enchem-se de energia e vitalidade (do Vitinho) quando deparam com notícias sobre o cristianismo ou catolicismo. É a oportunidade do dia, do mês, do ano, se calhar, para soltar umas palavras, cruzadas, sobre o grande e eloquente espaço do "ser ateu". Não querendo interpretar os comentários desta notícia – os argumentos são variados e por vezes roçam a genialidade científica –, vejo com um sorriso a breve alegria que alguns exortam e berram como que a sair do estado depressivo em que se encontram. Falar de Cristo é bom para esquecer a crise? Pelos vistos é.



Metade


Dizem os censos de 20111 que metade da população não gera riqueza, não produz, não trabalha. Não é de 2011 vem de trás, muito de trás. Uma das coisas que não vejo os sociólogos justificarem é se a falta de empregos corresponde à falta de ambição para gerar o seu próprio emprego! O Portugal pós-25 de Abril foi um Portugal de facilidades e de esperanças no "crescimento" e "riqueza". O Socialismo apareceu num trenó e o pai Soares e os alces sucedâneos atiraram presentes com dinheiro emprestado, traulitando os amanhãs que cantam. A cultura do empreendorismo, do mérito, do esforço individual, do esforço colectivo, do risco por conta própria, foi substituído por uma conversa de garantias, direitos e subsídios: o ESTADO faz tudo, vela por tudo, protege tudo, dá fatos-macacos a todos. O dito ESTADO acabou... Num país sério, com "elites" honradas, os políticos da façanha despesista e da lenta destruição da nossa indústria deviam dar a cara e assumir o projecto falhado e colaborar na discussão do estado social presente, possível. Não é a Troika a responsável pelo nosso endividamento ou pelos aumentos os impostos. O nosso défice desmesurou com a gordura do estado e o FMI apenas veio ajudar a pôr a banda gástrica. Cabe a cada um pensar o que pode fazer por si e, se houver espaço a valores, o que pode fazer pelos outros. Pelo menos que parte da metade possa encontrar lucidez e forças para agir – ressurgir.



19 de novembro de 2012

A internet não será o que queremos


A propósito desta nota dada no Público on line, eu vejo com interesse a entrevista a Jef Jarvis e Clay Shirky, que conheço de vários artigos na Wired. Não teria ficado mal ao jornal ter convidado o Professor Manuel Portela (UC) que tem investigado as culturas digitais. 
Não sendo um empenhado no fenómeno da internet sou um apaixonado e estudioso em antropologia da comunicação estando mais focado no papel das linguagens visuais e gráficas, nos aspectos verbais e de análise da comunicação, especialmente a proxémia e kinésica; nos gestos ilustradores. Outra das coisas que muito me importa é a análise da linguística, a palavra, e no seu desenvolvimento em tipografia e design. Dito isto, não sou um histérico com a internet mas percebo-a bastante bem, trabalho com ela, bem ao ponto de ainda não ter trocado os meus hábitos de pesquisa e grande parte dos meus rituais e prazeres de leitura de livro na mão.  Já uma vez aqui referi, a internet induz-nos na literacia digital que se contrói por hyperlinks e por associação de ideias, afastando-se do raciocínio concreto e profundo. Sendo a reprodução digital processada por texturas gráficas a estética subrepôe-se ao conteúdo e a organização da informação é mentalmente conduzida pela forma de prazer icónico ante a concentração. Por outro lado, vejo com mais optimismo a relação da internet com os diferentes media do que a importância desta nas relações humanas. 
Não nos podemos iludir, a internet fascina os adultos como se fossem crianças, permite processos de "transporte" digital combinatórios e muito eficazes, tira muito tempo aos preguiçosos com ferramentas como a pobre "Wikipédia" mas, ao contrário do que sugere o Público (acerca da "partilha" (!) da vida), a nossa maneira de sentir, a nossa presença, enquanto corpo, não prescinde de canais afectivos de endosso e retorno de mensagem; e não é um mail, um SMS ou um link que poderão substituir o toque numa folha, o cheiro de um perfume numa roupa, um esboço a lápis num guardanapo, o som de uma voz, o ar de uma paisagem, o inconsciente sentir do tempo numa carta, num olhar, num aceno de adeus.


Agora somos todos "iguais", isso era no "antigamente"


Um bom excerto do que eu classifico de "cultura de chinelo".

"Deste modo foram desaparecendo do nosso vocabulário, afugentados pelo medo de incorrer na incorrecção política, os limites que mantinham a cultura separada da incultura, os seres cultos dos incultos. Hoje já ninguém é inculto ou, melhor dizendo, somos todos cultos. Basta abrir um jornal ou uma revista para encontrar, nos artigos de comentaristas e articulistas, inúmeras referências à miríade de manifestações dessa cultura universal da qual todos somos possuidores, como por exemplo «a cultura da pedofilia», «a cultura da marijuana», «a cultura punk», «a cultura da estética nazi» e coisas do estilo. Agora somos todos cultos de alguma maneira, ainda que não tenhamos lido nunca um livro, nem visitado uma exposição de pintura, ouvido um concerto nem adquirido algumas noções básicas dos conhecimentos humanísticos, científicos e tecnológicos do mundo em que vivemos."


18 de novembro de 2012

Vide Freitas Maya


O vidente saltitante Freitas Maya tirou as cartas e vê que "entre o quarto e o nono mês de 2013 é inevitável haver eleições". Ele é bom. Para a semana vai atirar as pedrinhas e conchas e num ritual maconhado vai proferir o vencedor dessas eleições. Ah, Freitas, não lhe faltarão clientes. Passa recibo?

16 de novembro de 2012

O rejúbilo dos covardes


Soa a hora dos covardes agarrados à satisfação dos "resultados". A flácida esquerda masturba-se com a agitação do povo, das massas; tanto prazer na destruição das vias públicas, tanto orgasmo pela insurreição de umas dúzias de encostados à desilusão de uns milhares. Não é difícil ver os covardes a espumar de felicidade e a apanhar os cacos dos outros para si. No dia das eleições muito deve doer-lhes a parte de baixo da espinha. 


15 de novembro de 2012

AI, que me doeu


A AI (Amnistia Internacional) enviou um mail, fax ou recado ao MAI (Ministério da Administração Interna) a criticar a "carga policial", "desproporcional", sobre os manifestantes que "protestavam pacificamente" em frente à Assembleia da República. Disse também que deseja averiguações e "reprovou", simplesmente, os comportamentos violentos por parte de "um pequeno grupo de manifestantes"! Como fonte, utilizou testemunhos (dos manifestantes!! apenas, presumo), o que se publicou nos meios de comunicação social e nas "redes sociais". Espero que tenha vindo auscultar este blogge. E, para o efeito, digo à AI, que o comunicado desta doeu tanto como se fosse uma bastonada da polícia. Reprimir os actos, e ensejos, de violência deve estar em primeiro lugar!! Para amnistias já basta a do traidor Soares aos crimes de sangue da escumalha das FP25. Ai, AI. 

Ainda não vi


O dia acordou, os arménios e os jerónimos dão entrevistas na rádio e TV disco, falando de "sucesso", mas ainda não vi ninguém "responsável" pelas manifestações junto à assembleia, sejam sindicatos ou "indignados", a distanciarem-se das cenas de violência e vandalismo que ocorrerem ontem!
Está tudo dito!

14 de novembro de 2012

Uma hora


Durante uma hora os oficiais da polícia pediram aos manifestantes para pararem com o arremesso de pedras. Uma hora. Após isso, o corpo de intervenção carregou, na minha opinião com pouca força. A escumalha dispersou e foi atear fogos uma centena de metros aquém. Há feridos, a grande parte vítima das pedras dos correlegionários. Os meus parabéns à polícia.


Greve particular


Os sindicatos, sindicalistas, extremistas, marambistas, situacionistas, alarmistas e outras tostas mistas, falam e afirmam que o país está em greve geral. Face ao teor da ideologia impregne e assumidamente política, nunca uma greve, como esta, foi tão de cariz particular. Ninguém, de bom senso, pode acreditar que o aumento dos ordenados e a recusa de impostos traga prosperidade quando o défice público atingiu o alarmante valor de, quase, 130% do fracote PIB. O fisco abusa e vai abusar ainda mais dos cidadãos porque quem empresta dinheiro para o estado funcionar assim o exige. Por muito que os sindicatos digam o contrário, nunca a sociedade esteve tão dualizada como agora, no que são os funcionários por conta própria, de outrém, e os funcionários públicos que são mantidos com o esforço de todos, por força da constituição. Esta não é uma greve geral, é uma greve de contestação dos que estão particularmente aptos para a fazer pois os congéneres "trabalhadores" do privado, por muito que estejam em desacordo com as políticas impostas, não encontram nas suas empresas razão válida para aderir contra a sua entidade. Os que não querem ou não podem fazer greve são os mais prejudicados nas, já velhas, andanças grevistas.

13 de novembro de 2012

Angela pela verdura, vai fermosa e mui segura


Calçada vai para a "fonte"
Angela pela verdura;
Vai rigorosa, e muito segura.

Leva na cabeça a austeridade,
Exige um orçamento de ferro,
Cinta de grossa autoridade,
Não liga a nenhum berro;
Traz a continha a pagar,
Ó Socialismo! Olh'á factura.
Vai fermosa e muito segura.

11 de novembro de 2012

A crise do Natal


Ainda só vamos em Novembro e a crise já leva a pensar nas prendinhas e no pedófilo-mor vestido de vermelho. Atento a esta fotografia, aquando de uma manifestação anti-troika, pergunto o que a austeridade tem a ver com o Natal? De facto, tem. O Natal é um período, por excelência, de austeridade material, de reserva para com os sentimentos de altruísmo, amor, de envolvimento com o renascimento espiritual que se deve proporcionar a cada um de nós. O povo anda triste por não dar prendinhas no Natal. É a "crise", não a económica mas um sintoma da crise do espírito natalício.

8 de novembro de 2012

Ciúme xéxé


O actual empregado-mor da república foi convidado a inaugurar um hotel que vai gerar empregos e trabalho. Os jornalistas situacionistas assediaram o empregado-mor. O califa veio criticar o empregado-mor por este ter "quebrado o silêncio", dito umas coisas, num hotel de luxo!! É o ciúme xéxé. O califa que queria ser califa no lugar do califa esqueceu-se que usufrui do luxo da sua fundação – luxo estendido à fundação da sua esposa – do seu motorista, gasóleo, despesas de representação, ordenado, carro topo de gama. É um peregrino de luxo na pobreza desta república portuguesa.

A natureza humana

Incompreensível?





É admirável


É admirável o mundo tecnológico que temos ao nosso dispôr. A investigação técnica cresceu ao ritmo desmesurado da ganância do lucro e o globo é um caldo tecnológico, real e virtual, pronto a ser comprado e vendido. Há quem muito compre, há quem muito venda. Do mesmo modo, há pessoas compradas e vendidas. O facto de uns contadores estarem atrasados ou adiantados não subtrai admiração à energia que corre dentro de uns fiozinhos. Devíamos estar gratos por termos contadores, isso é mais relevante do que um atraso de 3 minutos no sistema dos ditos. Se nós erramos porque não pode um pobre contador errar!? A electricidade não está cara o que exalta a factura são os impostos. Por dinheiro discutimos, pelo resto nada se discute. Noventa por cento dos casos em tribunal são processos relacionados com dinheiro. Admirável mundo novo em que o preço é tudo. Para quem compra, vende, corrompe; para quem rouba.

6 de novembro de 2012

Uma ideia prostituta


Este candidato a presidente de câmara (ainda falta um ano para as eleições) em vez de fazer o seu serviço público e administrar Gaia já tece miragens sobre o Porto. Ao invés do candidato, eu suporto que transformar uma cidade numa marca é uniformizar as diferenças que potenciam a sua identidade. O "Porto" material não é o único valor da cidade, pelo contrário o peso imaterial da cidade é a sua índole. Temo que o "Porto" se transforme numa ideia prostituta de cidade. Resta saber, posta "a render" para quem?

5 de novembro de 2012

"Acredito num Portugal vencedor"


Portugal lembrado


A bandeira portuguesa hasteada na Marinha Grande!

Mais do menos


Segunda feira, início da semana, as televisões arrancam com a mesma lenga-lenga e a marcha dos paineleiros. Portugal, terra fértil para os opinadores televisivos, vive encurralado na letargia do estado, falido, na letargia dos cidadãos, empobrecidos e na lata dos políticos. Todos opinam contra a austeridade mas 90% dos que clamam são funcionários do sistema. Entretanto, espero, até hoje, para ouvir, ver, um só paineleiro/politiqueiro que avance com uma alternativa concreta e justificada! Mas nada, só paleio gasoso e incendiário. Mais do menos.

2 de novembro de 2012

Não é nada estranho


Esta notícia diz, entre outras coisitas, que o chef Michel da Costa utilizava os alunos da sua escola para confeccionar e servir jantares da maçonaria. Sabe-se que cozinhar é arte da maçonaria e não é para menos que usam o avental. A carapuça, usamos nós e pagamos as rendas deles.

Não é estranho


Não soa a estranho ver num evento trocar Egas Moniz de Paço de Sousa pelo Egas Moniz de Avanca. São "pormenores" que não interessam numa sociedade da informação onde o que é relevante é o nome – especialmente se forem os primeiros nomes de baptismo, tem mais pinta. Que interessa o que está por detrás dos Sampaios, Soares, Saraivas de Carvalho, Cunhais, Coelhos, Silvas e demais cidadãos? Vivemos pela superfície e é a superfície que interessa mostrar.


31 de outubro de 2012

O ressabiamento é o ponteiro da balança


Porque é que o povo acha que quem possui muito dinheiro deve transferi-lo para outrém? São as "sagradas escrituras" como exemplo, neste país de laicos ateus? Pretender que quem possui deve doar implica reconhecer o mérito de quem doa. Ao invés, os artigos noticiosos sobre este tema referem com tom crítico quem foi ambicioso e com coragem para investir, quem é "rico". Só quem é "rico" é que deve ajudar e dar dinheiro? Costumo ajudar várias instituições e não somente com dinheiro mas com bens, artefactos que já não necessito, com o meu tempo. Ser generoso está ao alcance de qualquer um. O altruísmo é um valor que se possui, não se adquire com a abastança da conta bancária. A partir de que quantia eu devo ter como "obrigação" ser generoso? A partir de que "fortuna" eu sou obrigado pelo senso comum a distribuir o meu pecúlio? Estou em crer que o ressabiamento é o ponteiro da balança.


30 de outubro de 2012

A Lei


Ontem, na homilia da missa de 7º dia pelo Professor Victor Wladimiro, o padre franciscano fez uma leitura de S. Lucas para falar sobre a Liberdade. Citou uma escritura que descrevia a cura de uma mulher enferma por Jesus numa sinagoga. O milagre suscitou a revolta dos presentes pelo facto de ter sido a um "Sábado", dia sagrado para os judeus. Jesus gritou "hipócritas" e criticou os presentes dizendo "as pessoas são mais importantes que a lei". O evangelho não se foca, em demasia, no milagre mas na tolerância e pertinência das leis dos homens, das leis que sonegam a liberdade de agir, por bem. Sim. A Lei deve servir as pessoas, quando não o faz é uma má lei, desadequado da realidade. Não quero pretender que as leis não sejam para cumprir, as boas leis as que são adequadas para todos e fazem parte da praxis, resultado da nossa comunhão social. A homilia foi oportuna e fez-me meditar no pouco que eu conheci da vida de Victor Wladimiro. De nada me interessam as gentes que se dizem "lutar" pelo fabrico da Liberdade, pelo menos da liberdade ideológica, do quero, posso e mando, do somos todos iguais. Dessa "lei" que nunca será possível colocar na forma de letra. Admiro os que são e partilham a Liberdade, como o professor, pelo espírito, pela vontade, pelo afecto próprio dos homens livres e justos. Dessa Liberdade que nos faz sentir vontade de voar, de sonhar, para junto daqueles que a são.


* uma palavra de apreço pela presença na igreja de Rosarinho Vaz Pinto Mendes e do Carlos Velasco, entre outras pessoas que, concerteza, se associaram à eucaristia de 7º dia, o que me fez sentir mais confortado na evocação.


28 de outubro de 2012

Sou um desnaturado desnacionalizado


Sei que é um defeito meu, algo imperfeito, concerteza, mas quando confrontado com a morte dos que gosto, busco descobrir o que não descobri em vida dos que partiram. Não que eu não necessite de fruir a essência dos meus escolhidos, dia a dia, mas porque acho que os que amo nunca poderão partir! E nunca aprendo, como se um lapso de memória varresse a consciência. Nos últimos dias tenho lido a vintena de cartas/mails que o Professor Victor Wladimiro generosamente me escreveu e sinto-me assaltado pelos remorsos – pelo destino não me ter feito cruzar coma sua ínclita família mais cedo, por não ter sabido aproveitar melhor a sua cultura e a confiança com que me abriu as suas portas, por não ter conseguido concretizar uma promessa que lhe fiz. 
Sem querer desvendar a sua intimidade ou expôr desabafos que devem ficar na áurea da amizade, não me retraio em citar algumas palavras que o Professor Wladimiro me dirigia. São palavras que me fazem sentir feliz pela recordação:


"Caro João
Desculpe estar a escrever-lhe a uma hora tão imprópria. Faço-o porque tenho a certeza que o João Borges é pessoa de auto-misericórdia e bom senso e não anda por estas horas a "vadiar" pelo computador. Sabe, é mais uma das minhas insónias. (...) Voltando ao Douro. Sou capaz de apanhar a boleia do Nuno e de ir ver, pela última vez, o Douro, uma das duas paisagens portuguesas que mais me impressionam; a outra, talvez já lho tenha dito, é a planura seca e triste do Alentejo… que me faz lembrar as terras secas e ardidas do Sul de Moçambique. Se assim acontecer, sempre arranjarei motivo para lhe dar um abraço, se é que arranja tempo para me oferecer uma míngua de água. Aproveitarei a sua festa para passear pelas cercanias pois, como pode calcular, assustam-me as multidões e já não tenho idade para me fazer convidado, nem para as tais multidões. Queria, a terminar, esclarecer. Não se trata de um qualquer amor filial, o que me leva à Barca d´Alva, pode crer. Não tenho lá ninguém da minha família paterna e se lá houvesse, por certo que nunca lá voltaria. Sou, em verdade, um desnaturado desnacionalizado."

Também eu.





26 de outubro de 2012

Missa de 7º dia - Porto - Victor Wladimiro Ferreira


Vai ser realizada uma missa de 7º dia em memória do Professor Victor Wladimiro Ferreira, no dia 29 de Outubro, pelas 19h00 na Igreja de Cristo Rei, à Foz, no Porto.

Agradece-se a replicação desta informação.




23 de outubro de 2012

Luto - VICTOR WLADIMIRO FERREIRA (1934-2012)



Este blogge, pelo seu autor, ficará de luto nos próximos três pela memória e figura de Victor Wladimiro Ferreira, um amigo tardio, uma das pessoas mais inteligentes, cultas e sinceras que conheci. 

Ao invés da procura de leitura neste espaço, agradecemos a visita, atenção e divulgação de uma brevíssima biografia da ínclita personalidade no blogge Combustões, cuja edição é da responsabilidade de um dos filhos do Professor Victor Wladimiro, Miguel Castelo Branco.







Justiça exacta


A nota maior desta notícia é a dubialidade que se constacta entre a exactidão da ciência e a exactidão da justiça. Pode a justiça ser exacta, tal qual ciência? Não. Não poderá porque, do mesmo modo que  a ciência não é exactamente absoluta, estanque, a justiça não se rege pela científicidade mas pelo reboque de valores face à lei – que hoje é uma coisa amanhã é outra. O que exalta a apreciação deste julgamento é um plenário não exacto julgar intervenientes que se criticam por não terem sido exactos na apreciação de uma previsão. Se este caso fosse julgado em Portugal e se rebatessemos o objecto para a política teríamos de esperar uma década para formar magistrados capazes de julgar a totalidade de indivíduos que erraram previsões e promoveram acções que resultaram em danos. Ou não. Já me esquecia que na república portuguesa a justiça não é exacta, não "é".

19 de outubro de 2012

Jorge, o violado


Não passa um mês que o "pai da constituição" não venha à imprensa alertar que a constituição está a ser..., digo, que o estão a violar. Este constitucionalista acha que a "constituição da república" é inalterável, infinita, que não se deve adaptar à realidade. Não, antes pelo contrário, ele acha que deve ser a realidade a adaptar-se à sua constituição. É indiferente o capítulo a abordar, qualquer que seja o tema, principalmente se lançado pela "direita", o constitucionalista, queixa-se, que lhe foram à constituição. As farmácias têm um producto que o pode ajudar!


Urbanidade


Eu consigo reconhecer qualidades em todas as pessoas, que as têm. Mesmo os mais insuspeitos são portadores de virtudes e características próprias, muitas vezes únicas. A qualidade intelectual é uma coisa a moral é outra. O maior defeito da apreciação superficial que se faz das pessoas é confundir argumentos com valores. Vem isto a propósito do egocentrismo de Urbano Tavares Rodrigues, cuja técnica de colocar palavras vale bem mais do que as ideias políticas. Ele acha-se tudo e mais que muito bom. A auto-psicanálise fica com ele, tem todo o direito. O que acho despudorado é a conjugação dos predicados literários, que julga ter, com a vivência Comunista. Para este escritor dizer-se comunista é bom. É limpo. Concerteza deve ter saudades dos tempos em que a camarilha controlava as edições dos jornais, as editoras, os "prémios", as comissões das Fundações. Só aceito o encadeamento deste auto-proclamado vencedor do Prémio Camões num país muito sujo. Porco. Conspurcado pela mentalidade de esquerda e cujos complexos atrasam a libertação das novas gerações. 
Para este escritor a religião é uma farsa. E o Comunismo o que é?

18 de outubro de 2012

A mediatização dos Pedros


O Pedro que se vai embora deu uma entrevista à Lusa e diz que "está a ser expulso". O Pedro é novo. Se já sofreu muito na vida tenho pena, mas pela idade parece-me que acabou o curso e fez as malas. Pedro é outro dos jovens indignados a estar na berra, é mais um jovem que se acha mais lesado que os outros porque "tem um curso". As suas quinze horas de fama devem-lhe encher o curriculum que antevejo saltitante. Ao invés da poetisa Maria, o Pedro não mostrou as mamas, mostrou uma carta/missíva ao presidente da república. É mais educado. Todo este enfoque em volta dos imigrantes só me sugere que andam todos distraídos. Desde o século XV que somos um país de imigrantes. Há os que vão e ficam, há os que voltam. O Pedro devia escrever uma carta às pessoas que ama e reservá-la para si. Escrever uma carta ao Presidente a desfiar o choradinho da situação, no mesmo tom que os camaradas, é a prova de que a mudança não se fará com estes Pedros  educados a exigir sem construir, a exigir sem sacrifícios, a exigir regalias, estatutos, subsídios e bons empregos. O Pedro seria um revolucionário se escrevesse aos "trabalhadores" a exigir empregos, a exigir que se transformassem em empresários e lhe dessem um emprego. Seria um revolucionário se escrevesse ao Partido Socialista e lhes exigisse um emprego em virtude do dinheiro dos impostos que devia ser redistribuido estar a ser canalisado para pagar a monstruosa dívida do socialismo de dinheiro emprestado. O Pedro seria um visionário se exigisse do presidente a sua capitulação e a instauração de uma monarquia livre e moderna, isenta. Pode ser que o Pedro consiga ver isto, de longe, com uns bons binóculos, instalado na maior democracia que existe.



17 de outubro de 2012

Maria, a poeta, as mamas da República e a ousadia


Uma das manifestantes (ver foto em baixo) que mostrou as mamas (eu, se fosse à outra desnudada punha um processo à comunicação social por depreciação)  contactou o Correio da Manhã e enviou estas palavras: "aquilo que conta dizer é a ousadia do amor de quem o diz. Que ele é que é o verdadeiro operante da mudança que já está em curso no meio de nós". "Estamos aqui, não temos medo quando amamos. Peço por todas as nossas relações!", "Maria. Manifestante. Poeta. 30 anos." Também ficamos a saber que a Maria tem apelido e chama-se Archer e é, para o dito jornal, o novo "busto da República"! O diário constacta que ela pertence à "alta burguesia Lisboeta". – Peço, desde já, daqui, que o jornalista explicite o que quer dizer "alta burguesia Lisboeta" porque eu gosto de ser concreto com as palavras e neste momento de igualitarismo republicano não posso ficar a pensar que afinal as classes sociais existem! – Maria intitula-se "poeta". Poetisa? Não interessa, também sabemos que é artista plástica, actriz e argumentista. Os amigos disseram ao jornalista que ela nem costuma ir a manifestações e que tudo aconteceu por acaso "A ideia não foi dela, começaram a despir-se e a Maria aderiu espontâneamente.". Bem me queria parecer... mas, eis que outro jornal, o JN, adianta: "A artista plástica, natural de Lisboa, "estava a meditar", exercício que "pratica para matar o que é supérfluo", em frente às grades, antes de se despir"...
Ocorre-me uma pergunta: o que é que mostrar as mamas na rua, no meio de uma manifestação política, tem a ver com o amor? O que é a ousadia do amor de quem o diz? Será que é aquilo que a Maria nos quis dizer quando mostrou as mamas?
Ficamos à espera das novas ousadias de Maria nas próximas manifestações.

16 de outubro de 2012

Haja alegria


Segundo as notícias, ontem à noite foi um fartote junto à Assembleia da República; canções, slogans, garrafas atiradas contra a polícia, casas pintadas com grafitis, contentores do lixo virados e queimados, gorros, muita "espontâneidade", correria rua acima rua abaixo, polícias feridos e, já tardava, as inevitáveis mamas ao léu, tão típico de quem protesta com arte e sabedoria. Os defensores da agitação de rua devem estar a ficar excitados com tal actuação e prova de maturidade das massas. Haja alegria.

Adenda: espero bem que os automóveis danificados sejam propriedade dos meninos que andaram lá a manifestar-se cordialmente!

Apresentar alternativas e justificar com números


Eu procuro, procuro e não consigo descobrir, para além da crítica avulsa, ressabiada e insultuosa contra o terrível orçamento de 2013, um só "analista", "paineleiro" ou comentador, com maior ou menor anonimato, que exiba uma lista de alternativas para a resolução do nosso défice e da nossa gigantesca dívida mas que seja apresentada e justificada com números e estatística plausível, que não seja apenas diagnosticar. A maioria dos cortes que a "opinião pública" inflamada propõe, cortes nos ordenados dos políticos, carros, cartões, não baixaria o défice nem seria expressivo. O país está a afundar-se em críticas, a maioria reveladoras de um autismo preocupante, mas onde estava este povo, onde estavam estes sindicalistas, quando o socialismo com dinheiro emprestado endividava e enterrava o país? À vista de todos...!

15 de outubro de 2012

Do céu para a terra


Numa altura em que andam todos alucinados com os défices e a austeridade, alguns pós de alegria são depositados, nesta terra cada vez mais infértil, por actos, isolados, que desafiam o nosso comodismo e facilitismo. A proeza deste páraquedista (sem esquecer os pesquisadores e produtores, de tecnologia, que se envolveram) fê-lo entrar para a minha galeria de heróis, que desfio nos dias mais conturbados ou de insatisfação. O Homem sempre desejou voar, como um acto de liberdade. Felix Baumgartner voou no sentido mais poético, mais filosófico, dessa nossa aspiração-viagem, porque não o fez da terra para o céu mas do céu para a terra. Sempre que em criança olhava o espaço estrelar sempre me vi a viajar num regresso, numa viagem de encontro a mim, onde estou, pelo espaço da memória, desse longínquo passado de que nunca nos libertaremos. Ver Baumgartner a planar de braços abertos voando ao nosso encontro foi um dos mais maravilhosos abraços que recebi e uma das maiores demonstrações de rusticidade. No nosso "espaço" também, nós, todos, somos capazes de conseguir ultrapassar desafios.

Foto: Público


14 de outubro de 2012

A estrelinha


Mais um sábado de manifestações "por todo o país". Aqui no Porto, dizem, estavam uns bons milhares na praça D. João I com muitas panelas e muito ruído. Gritavam a exigir empregos, o fim da crise, o não pagamento da dívida e mais dinheiro para a cultura. Ora cultura é muita coisa, diria, é quase tudo. Outra questão, que emana das reinvidicações, é perceber se a cultura é apenas feita pelos cultos (os "artístas") e se a cultura pertence aos homens ou aos estados, digo, deve ser paga pelos estados. Noutra altura emitirei a minha opinião sobre isto. 
Pelas imagens e fotos reparo que uma cultura-moda está a instalar-se: é a boina com uma, só, estrelinha, assim, a modos de Che Guevara. Os meninos à volta da fogueira que há uma década atrás eram contra o serviço militar obrigatório (cujo fim é a causa de muito quanto se passa na delinquência juvenil) e eram a favor da "objecção de consciência", por recusarem a experiência militar, usam agora boinas militares... ... a estes só lhes falta o charuto cubano! .".. firme... podem descansar...."

13 de outubro de 2012

A paz esteja connosco


Depois de Obama ter ganho o prémio Nobel da Paz eu pensei que este só faltava ser dado ao presidente da União Europeia. E por pouco falhei! Perante as lágrimas que correm nas entrevistas de alguns dos construtores da "união", sinto que faz falta o Nobel do Amor – a UE seria candidata! A União Europeia é uma ideia messianica da família socialista dos idos 50's e foi o arrasto das ideologias "sociais" e subsidiárias das últimas décadas mas... a "Europa comunitária" está mais unida? Está mais altruísta? Os seus cidadãos estão absorvidos pelo ideal comunitário? Não. Quanto à paz, essa está dissimulada nas tranches de dinheiro que chegam e não chegam, camuflada no conselho da Europa que arbrita na defesa dos interesses dos maiores contribuidores. Mais coerente era o Nobel ter sido atribuído à NATO. Não tarda esta terá de ser chamada a pôr algum dos países na ordem tal é a paz que se desenha na "comunidade". 



12 de outubro de 2012

O calhambeque, pi, pi


Os deputados do PS que criticam hoje, na assembleia, a "bomba atómica fiscal", são os mesmos que encetaram a compra de 4 novos carros – um leasing que custará 210.000 euros a bem da democracia – e que vociferam como alternativa aos impostos o "corte na despesa"...!


Ruína


Não há dia que passe que não surja um novo imposto, que não surja a notícia de aumentos perante os que já existem. A partir do próximo ano, lá para Março, Abril, vamos começar a olhar para as dezenas de auto-estradas de outra maneira, vamos começar a pensar no que é feito dos triliões de euros que, supostamente, nos foram cedidos, a fundo perdido, para ajudar ao "desenvolvimento", vamos começar a abrir os olhos e discernir a verdadeira paisagem que pisamos. Uma ruína. Uma imensa ruína que se iniciou há três décadas e cujo telhado caiu nos últimos meses. Resta-nos olhar para o céu e pedir, tão somente, para nunca deixar de ver. A reacção tumultuosa que se prevê, face ao desumano aumento fiscal, é o abrir de olhos doloroso de um país que nunca se incomodou em viver num edifício construído com mentiras e com um socialismo feito de empréstimos.


11 de outubro de 2012

Ai, Ai


O chinês Ai, o artista dissidente, da moda, disse que acha intolerável dar o Nobel a um "alinhado" com o regime. Por cá é o contrário. Os alinhados com o regime são os premiados, ouvidos e lambidos. A china vive um comunismo histórico, fixe para muitos milhões de camaradas espalhados pelo mundo. Um regime da "esquerda", sem dúvida. O Ai, se conseguisse sair da china alinhava com quê? Não lhe perguntaria se com uma monarquia, é demais para um "artista dissidente", mas estou certo que quando se passear em França, EUA ou Inglaterra o artista é um Ai se te avias a alinhar com a rive gauche. Ai, ai.