16 de janeiro de 2012

"Voice" mal


São daquelas notícias que me atraem muito mais do que o jornalismo faccioso sobre a política nacional. Em certas pérolas podemos subtrair um rebatimento para a socio-patologia da nossa sociedade. São, ademais, verdadeiros retratos da psicologia do português pós-25 de Abril. Nesta peça vemos que um "herói" português na Turquia estava num "Audi R8" parado na "rua Engenheiro Cunha Leal" (a importância da toponímia!) com, entre outros adereços brilhantes, 8 mil euros em notas de 500 (euros) quando foi assaltado. Não diz se tinha o dinheiro numa carteira se no bolso. Inclino-me para o bolso traseiro das calças. Sei que os jogadores de futebol não têm tempo para pensar nem andar nos multibancos, actualmente muito "mal frequentados", vai daí, o Quaresma, levanta de uma vez para os gastos de uma semana. Outro dos pontos altos da peça é a revelação que um dos ladrões foi traído pela voz. Um verdadeiro voice mal para a caixa deslindadora deste crime. 
Quem, como eu, é um apaixonado pela Antropologia da Comunicação, pelos signos visuais e signos vocais, enquanto constructores da definição da palavra oral e da história da consolidação dos primeiros alfabetos, não pode ficar indiferente à exposição dos sinais visuais que o citado artigo comporta. É neste género de linguagem marcadamente complexada e de chicote que reside um dos espelhos da decifração sociológica do homem-Abrileiro. Não há "revolução" portuguesa que atenue o ressabiamento e a inveja endógena, nem fartura que refrie o crime. Assim como, não há "revolução" que traga mais "fraternidade" nem "liberdade". Quanto à "igualdade" não duvido que haja quem queira ser um "Jackie" ou um "Quaresma" com maços de notas de 500 no bolso!


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