24 de fevereiro de 2012

Empreendedores


O presidente desta seca república visita por estes dias, no norte, jovens empreendedores com sucesso. Com isto deve querer dizer que há empreendorismo e que há sucesso. Pois há. O problema não é o sucesso esporádico, a explosão momentânea. O óbice nesta notícia é a noção métrica do que se considera "sucesso". Dinheiro, lucro, fotografias nas revistas cor-de-rosa? Convinha saber. Eu conheço muitos jovens de valor que andam às aranhas a tentar descobrir o que é o sucesso. Para mim "sucesso" é conseguir alcançar um objectivo pré-definido. E, para mim, o "sucesso", atinge-se por etapas. Uma a seguir à outra. Digamos que um sucesso é recheado de outros sucessos e de muitos, mais, insucessos. E é aqui que eu quero chegar. O insucesso é, talvez, a melhor medida do esforço reservado, do estado moral que define a reacção. Por isso, não posso deixar de ver com bons olhos a agenda do chefe de estado, com o senão que devia ser ampliada aos menos jovens, aos adultos, aos idosos. Portugal é um país com vencedores, acredito, um país cuja maioria não se deixará vencer. O sucesso, esse, estará em cada um, mesmo que não queiram ser exportadores ou conquistar os "mercados internacionais". Se vencermos cá venceremos em qualquer lado, porque não existe pior território do que o nosso, minado pela inveja, pelo ódio miudinho, pela pedras sujas da política carreirista, pelo complexo social, pelo complexo de ser-de-esquerda-é-melhor-que-ser-de-direita, pelo compadrio, pelo sectarismo nos negócios. Abrir agenda pelos "jovens empreendedores" é expôr tudo isto, contrariar a pedinchice, elevar o risco de cada um por conta própria. E de cada um em cada um conta Portugal.

Sem comentários: