27 de março de 2012

Escuro


Ontem à noite assisti perplexo a um programa na TVI24 com o Medina Carreira e um administrador, ou ex-, da REN. Falava-se do preço da energia; o que se discutia era assustador. Portugal tem o preço de energia para o consumidor mais caro da Europa e será o mais caro do mundo dentre de uns anos, isto se os proprietários dos complexos eléctricos (hídricos, eólicos, etc) não abdicarem dos "direitos adquiridos" com os seus contractos ao longo do socialismo. Só o consolado Sócrates fez várias PPP com direitos renovados com os "exploradores" energéticos: descontem agora, paga-se mais tarde. De uma factura de 48 euros, 15 são electricidade consumida e o resto (que vai aumentar, dizem, trimestralmente) são impostos encapuçados, juros e custos de "exploração". A quantia em dívida aos "contractos de exploração" já é de 3 mil milhões e passará em poucos anos a 6 mil milhões, isto se o petróleo não subir e as taxas de juro não aumentarem. Eu pergunto-me, como foi possível o estado financiar a produção energética dando garantias de rentabilidade assegurada de 8,5%, que com os "acordos" estão agora nos 15%? Como foi o "estado" pensar que era tão gordo, tão chibo? Em Espanha o estado cortou com os contractos e agora corre o risco de ter de indemnizar os "exploradores" nos processos que correm em vários tribunais europeus! Por aqui, de certo ficaremos às escuras, primeiro as ruas, depois as casas, entretanto, muitos cérebros já andarão aos apalpões. Vai ser preciso muita energia para ultrapassar isto.


Sem comentários: