29 de abril de 2012

Prescreveu


O nobel camarada tinha problemas com o fisco em Espanha. Desde os finais dos anos noventa que vinham notícias na imprensa espanhola mas por aqui só se davam brados aos livros contra o catolicismo e os coitadinhos dos fieis, que Saramago tanto gostava de criticar. Aqui dizia que pagava impostos em Espanha, por lá dizia que pagava aqui. O camarada viveu numa permanente crítica ao mundo capitalista, num permanente juízo moral. A moral diz que uma sentença do ministério das finanças espanhol, no valor de mais de 700 000 mil euros, contra o camarada, foi anulada por ter prescrito o prazo de fiscalização e ficou por escrito a total obstrução do camarada, enquanto foi vivo, ao desenrolar do processo. A herdeira espanhola, também ela uma moralona, agradece.

26 de abril de 2012

... e viva a liberdade para ocupar, para estender as mãos aos subsídios, aos direitos adquiridos, viva a liberdade de destruir, grafitar, viva o pagode


Será que só há uma maneira de fazer as coisas? Em abstracto, há inúmeras formas de atingir o mesmo fim. Mesmo nas coisas mais simples, mesmo quando estamos magoados e desiludidos, podemos aceder a um cumprimento, um aceno, sem descarregar a nossa frustração com maus modos. A única coisa que ocupei na minha vida foi o coração da minha mulher, a minha vida, e das minhas filhas. Desprezo os "amigos do alheio", a prepotência dos aglomerados quando se afirmam pela violência, sempre duvidei do carácter dos palhaços que se vestem não para nos fazer rir mas para se rirem dos outros.

24 de abril de 2012

Os donos


Baseado num livro, cujos autores são cinco membros do Bloco de Esquerda (políticos, activos!), a RTP2 vai exibir um documentário que se chama "Os donos de Portugal"!!! Devemos estar preparados para a maior das imparcialidades ou não fosse Rosas um dos "historiadores". Segundo a notícia, o documentário gira à volta das "famílias" e dos "nomes". Coitadas das famílias. Eu, tão inocente que não sou, pensei que se referiam às "famílias políticas", vulgo, seitas. Mas não. Tudo gira em volta do poder das famílias, de certas famílias que vivem à custa do estado e cujos membros, por várias razões na ribalta (para o bloco se não forem canhotos são todos corruptos), mantêm o mesmo apelido. Pelo que vi da apresentação, a tese sustenta-se num poder oculto que tudo suga do estado e que é o verdadeiro cancro da situação, assim, num recorte prosaico a suscitar uma nova tomada da bastilha, com guilhotinas à mistura. Se este documentário for baseado num livro já vi, sobre a responsabilidade e promiscuidade da classe política (a rasca, oportunista, terrorista, criminosa, maçónica, "republicana") com o estado (diga-se república) pelo que vi nos mapas "genealógicos" só a "direita" está representada. Quanto às famílias, pelos vistos não são muitas, entre as centenas de milhares que existem, acho que cabem todas no meu bloco que já só tem uma folhinha de papel.


De birra


De birra critica a linha do governo, e as políticas europeias e do FMI, mas esquece-se que foi ele que nos enfardou com a sua União Europeia e que foi o seu partido que precedeu este na governança e nos chafurdou de dívidas, de festas e PPP's. De birra em birra, papa a papinha do estado mas acha que não deve nada ao estadão que ele ajudou a criar e a engordar jabardamente.



D'abril


Depois das boas notícias, leio que um "movimento" vai dar uma passeata até Lisboa e fazer uma marcha de desobediência civil!! O "mentor", desta marcha, apela aos militares para que saiam para a rua, se juntem a eles e se “oponham a esta invasão pelo poder económico estrangeiro a quem todos os bens nacionais estão a ser vendidos ao desbarato”. Tenho a certeza que este "mentor" preferia, de imediato, uma nacionalização de todo o tecido produtivo à boa maneira do PREC. O facto de se comemorar o 25 de Abril (que parece ter donos) deve estar a encher a alma dos revoltados. Acautelem-se as lojas, as montras, os carros, as carteiras, que a mole vai querer sair à rua e aparecer nos jornais. Desta vez, acho que sim. Por cada pedra ou insulto que seja dirigido aos, inocentes, polícias, por cada montra partida ou petardo arremessado a imagem D'abril estará aí espelhada.

22 de abril de 2012

"Revoluções bem sucedidas"


Um sujeito escreveu num blogge que "as revoluções bem sucedidas como a revolução francesa"... e mais adiante que "basta 15% da população para se consumar uma revolução (bem sucedida)"... ora, o que foi bem sucedido na revolução francesa? inventaram a guilhotina, limparam o sebo a muita ralé, assassinaram cidadãos por "crime de sangue azul", deram azo a um genocidío, meticuloso, substituíram uma Nobreza por outra, nobreza, com poderes de ditadura absolutista (sim, pior do que a precedente que os extremistas criticavam), "acabaram" com as classes sociais vigentes mas elevaram outras convenientes. Não tenho qualquer dúvida que após o terrorismo da bastilha a primeira palavra que tenha assolado os criminosos foi: fraternidade; depois lá acrescentaram liberdade e igualdade. Ficou a teoria. É bonito. Na prática, nos cem anos seguintes à "revolução bem sucedida" a França viveu várias incursões sanguinárias, ditaduras jaconinas, umas quantas "monarquias" até à terceira república que só sobreviveu com a ajuda de uma constituição que considerava crime (tal como a nossa actual constituição d'Abril) qualquer oposição à forma republicana de estado que é o mesmo que dizer: ide fazer revoluções bem sucedidas para o carago.

20 de abril de 2012

Há quem caçe milhas e golpes de estado constitucionais


Em vez de andar a criticar o Rei de Espanha por crime algum, devemos olhar para o nosso umbigo. Os nossos chefes de estado são verdadeiros campeões de viagens com safaris à mistura, tartarugas, pescarias, festarolas, festanças, dançaricos e até agora só não deu para caçadas porque o "bardo" alegre ainda não foi eleito. Para que fique registado, Jorge Sampaio realizou 113 visitas ao estrangeiro durante os seus dez anos de mandato, menos 37 que o seu antecessor, o campeão, Mário Soares. Uma verdadeira caça às milhas e hotéis de cinco estrelas. Nestas 113 visitas e mariscadas Jorge Sampaio esteve ausente do país mais do que um ano, foram 435 dias, ainda longe do campeão que esteve ausente em comezainas perto de 500 dias! O actual chefe de estado está muito longe destes records assim como o General Eanes. Todos os chefes de estado da república das bananas portuguesa tiverem, e têm, direito a alfaiate, prato à mesa, estilista para as suas damas, gasolina à conta, contactos e cunhas para a família se estabelecer e o que demais prover aos senhores. Até podem, e assim o fizeram, convidar pintoras/es para lhes pintar um retratito a óleo para pôr num corredor de um palácio, do tempo em que éramos pátria, ou numa sala de retratos, tudo pago pelo contribuinte, que de facto, contribui para esta caçada se manter. Não há necessidade de criticar os vizinhos tendo tanta matéria por cá....

19 de abril de 2012

Vindo de quem vem

Este comentário é um elogio.

Maçaroca


Primeiro vai-se à Loja buscar maça, preparam-se os ingredientes e coloca-se o avental, junta-se os argumentos que se julgam necessários, mexe-se tudo no segredo da cozinha e dá-se a servir a preceito, nem muito nem pouco, nunca pouco, mas com alguma cautela para não agitar o "organismo". Não adianta virem ao cheiro, o repasto é só para os membros! Da receita já muitos sabem os truques. O nome do prato: Portugal.


18 de abril de 2012

O que interessa dizer sobre a "caçada" do Rei de Espanha ou como os tótós que cultivam o ódio contra as monarquias não fazem o trabalho de casa


1) Fotografia de 2006!!!!!!!
2) Viagem paga por empresários incluindo uma empresa de safaris de um magnata saudita!
3) O monarca não esteve presente como Presidente Honorário da filial espanhola do Fundo para a Conservação da Natureza (WWF).
4) Nesta caçada o Rei de Espanha não matou nenhum elefante.
5) A propaganda e o ódio contra as Monarquias continua, alegra (já agora, cumprimentos ao "bardo" dos charutos e caçadas, socialistas) e motiva a jhiad pró-república-das-bananas-abortos-chutos-e-pontapés.
6) Mais isto.

A Parque Escolar "foi uma festa"?

É.

17 de abril de 2012

Tenham medo, tenham muito medo

 De xis em xis tempo lá sai uma notícia sobre os "católicos", os "não praticantes" e os "que vão à missa". Todo este interesse por parte de massa (acrítica) do nosso estado laicócórepublicano é um dó. Assim como não querem a coisa, os srs jornalistas e cronistas têm matéria palpável para matematizar a religião – e a fé. Querem ver que neste "estudo" o povo tem a distinta lata de dizer que é praticante e vai à missa e uma outra parte é uma parte sem parte certa no Ser católico? Cuidado bom povo ateu, cuidado República, cuidado inteléctuais d'esquerda, cuidado "humanistas", cuidado pós-modernos, cuidado "artístas", cuidado pessoas "deste tempo", muito cuidado "racionais", fiquem hirtos maçons, os católicos, esses coitados alucinados, estão a praticar. Tenham medo, muito medo.

15 de abril de 2012

Portugal sem nome


O que é um país? Um núcleo de identidades integradas num "espaço" e memórias. Não tem limites ou barreiras, mas tem unicidades que o agregam. Um país é feito de precedências, de sucessivas afirmações, de sucessivas partilhas afectivas. Um país constrói-se permanentemente mas só se solidifica se não se desintegrar nos seus alicerces, se persecutir na continuidade dos seus elementos primordiais. Um deles é a memória dos homens, digo, pela cadeia sucessiva do elemento antropológico, centrífugo, que nos identifica, o nome. O nosso nome, em qualquer cultura e civilização existente, é a forma aberta e perfeita de nos apresentarmos e nos olharmos perante os outros. Quando nos perguntam: Quem és? Não nos traduzimos por adjectivos ou traduções da nossa forma de estar mas pelo nome, e, especificamente, pelo apelido! Foi assim desde que o homem onomatopeizou as primeiras palavras, para se distinguir perante os semelhantes. Digo isto a propósito do multiculturalismo idiota que assola alguns indivíduos, porventura desenraizados da sua história (pessoal), felizes que "caminham" para o el dorado do bestial, da multicolorida rave "moderna", que não se coibem de inventar os próprios nomes e apelidos como se de uma tatuagem verbal se tratasse. Tão idiota (no sentido escatológico) como esses indivíduos é o regime (pela lei) que os aceita e permite nos desmandos.
A moda, ou a mediana, que impera na adopção de nomes e apelidos para as novas crias que nascem em Portugal é sintomática. No top da minha constactação está a fusão inventiva do nome dos filhos de uma portuguesa e de um cabo-verdiano. Ela, Luciana, que adoptou o nome social "Lucy", Abreu, casada com um Djaló, decidiu dar às crias os nomes Lyonce e Lyannii, Viictórya. A vida nos dirá se estas crias darão aos seus filhos a variação "lógica" destes nomes/palavras: a Viictórya terá uma Vomiitóóóryã, etc... Não tarda não existirá um nome que não soe a marciano ou animalês.

14 de abril de 2012

Guiné

Trinta e oito anos depois do Fim Histórico de Portugal*, os camaradas continuam, continuam, a cerrar dentes entre si na Guiné-Bissau. Por estes dias, um bando de militares fez um golpe de estado contra um governo que havia lá chegado em convulções eleitorais, precedido de "governo" golpista e que já havia sido precedido de uma implacável ditadura e por aí fora, nessa maravilhosa genealogia terrorista parida do PAIGC. Todos estes anos colocam em causa vários dislates e discursos optimistas de muitos políticos portugueses que, apesar de mais senis do que há 40 anos atrás, ainda se encontram no activo. Para esses portugueses que correram, em 1974, a dar o poder às facções minoritárias comunistas, onde incluo como testa de ferro o sr. Mário Soares, dedico os recentes acontecimentos na Guiné e evoco um dos meus Heróis e um dos maiores heróis portugueses de sempre, Marcelino da Mata, um dos militares com carácter para se pronunciar sobre a guerra colonial e a descolonização.

"Marcelino da Mata fala da sua acção militar na Guiné, exceptuando duas coisas: as operações secretas que cumpriu em casos selectivos de eliminação física e o comportamento menos corajoso de alguns oficiais portugueses, hoje muito conhecidos. Ele fala da invasão da Guiné – Conakry em 1971, comandado por Alpoim Calvão e aprovada por Spínola. (“ Falhou a tomada da emissora, mas libertamos os 28 prisioneiros portugueses”), duas incursões no Senegal em missões de busca e destruição de acampamentos inimigos (“Dávamos-lhes nos cornos e trazíamos o armamento aprendido”) e dos oficiais portugueses “ com eles no sítio”, o capitão António Ramos, ex-ajudante dos generais Spínola e Eanes, o general Carlos Azeredo, comandante da Região Militar Norte, e o coronel Carlos Fabião, hoje colocado num posto administrativo.
Descreve de uma operação típica:
- Quando sabíamos de um acampamento do PAIGC com, por exemplo, 20 ou 30 homens, eu escolhia três ou quatro do meu grupo e lá íamos.
- Só três ou quatro?
- E chegavam. Um deles era o corneteiro.
- ?!...
- Quando estávamos perto do acampamento eu mandava tocar a corneta. Quando lá chegávamos, os do PAIGC já estavam preparados, mas aquilo era um instante.
- Mas porquê avisá-los com a corneta?
- Porquê?!... Para lhes dar uma oportunidade. Não se encosta a arma a um gajo que está a dormir. Dá-se-lhe uma oportunidade para se defender.
Marcelino da Mata apenas lamenta os oficiais negros fuzilados pelo PAIGC após a independência.”Eles eram portugueses e bateram-se por Portugal. O Mário Soares, o Eanes e o Cavaco Silva pediram há dias ao governo de Bissau que não fuzilassem um guineense condenado à morte. Na manifestação junto ao EMGFA, eu perguntei-lhes por que razão não tinham intercedido a favor dos portugueses negros que o PAIGC fuzilou." **

** In Rangers&coisasdoMR, publ. Eduardo Magalhães Ribeiro, 2011


13 de abril de 2012

Os meninos à volta da fogueira


Os jornais e blogges estão alvoraçados com a medida do ministério da educação de subir de 28 para 30 o nº de alunos por turma no 1º e 2º ciclo. Alvoraçados. Se a subida fosse de 18 para 30 eu percebia. Em muitas escolas as turmas já são de 30 e mais. Quando eu estudei no 1º ciclo, nos anos 70, as minhas turmas tinham mais de 35 alunos. O que está em causa são novas regras que visam poupar dinheiro ao estado que vive do dinheiro dos impostos directos e indirectos. Objectivamente, o estado tem de poupar num lado para dar noutro lado e dúvido que alguém queira colocar em causa o pagamento atempado das pensões e salários da função pública. No meio disto estão as crianças e jovens cujos pais esperam o melhor do estado. E o que espera o estado dos pais? O bláblá pende para o "estado da educação", fugazmente para o fenómeno da juventude mal-criada e indisciplinada, mas o que eu gostaria de ver discutido é a filosofia da educação, a noção dos conteúdos programáticos, o papel dos professores na formação escolar. Nas últimas três décadas esvaziaram a autonomia das escolas, chafurdaram e manipularam os programas escolares com ideologia política, potenciaram a propaganda e a evangelização do "ideal" Republicano, partidarizaram as direcções escolares, ridicularizaram os professores, criaram uma instabilidade sazonal na gestão do acesso à carreira docente, criaram estatutos e mais estatutos para pais e alunos, sindicalizaram o conhecimento, elegeram a semi-deuses os meninos pós-Abril. Todos os partidos são culpados, a grande maioria dos pais são culpados. Uns e outros andaram ocupados a construir o vão de escadas para subir na vida e de escalão social. O ensino tornou-se um corredor sem janelas e paisagens, uma recta para percorrer o mais depressa possível. A ajudar, uma auto-estrada de benefícios para os maus alunos, sempre no fito das melhores estatísticas! Aumentar as turmas de 28 para 30 alunos não é o pior que se fez no meio da fogueira em que o ensino se tornou. 


11 de abril de 2012

Esta época


Esta é uma época em que muitos dizem muito sem acrescentarem nada. De todas as inúmeras teorias que vou ouvindo, ouvindo, a única que me parece certa é a tese do esforço e da iniciativa. Se cada um fizer por dois ou três, se ousar, se não baixar o ânimo mesmo com o advir dos problemas por ricochete, a probabilidade é grande de superarmos o défice económico – o défice "colectivo" ensaiado e construído pelo socialismo que se divertiu a atirar moedas para o ar para rejubilo da populaça. Não será num dia nem em dois anos, mas ele virá se o povo tiver abgnação. O que eu duvido. Porque afinal, o 25 d'Abril fez-se para quê? Para trabalhar?

9 de abril de 2012

Na páscoa


Na passada sexta feira a nossa família foi abalada com a notícia do falecimento de uma pessoa conhecida, principalmente chegada à minha mulher e à sua família. Conhecia-a em minha casa há vários anos e já não a via vai para uma década. Diz-se que partiu em paz, essa paz que a morte preenche. A Páscoa é a época do renascimento, da esperança, do devir. Da partida para o Encontro. A Renata partiu, para os que a amaram nunca chegará a partir de vez, nunca de vez porque no amor presente. Para trás deixou 10 anos sucessivos de dor e agonia, inúmeros tratamentos, desilusões, sucessivas recaídas e metástases criadas pelo cancro que a assolou. A nossa Páscoa será a sua na verdade da transcendência. A Renata tinha 17 anos.

5 de abril de 2012

Nunca esquecer

(...)

Ó justiça dos séculos, ó justiça da História,
inscreve-lhes os nomes no muro da ignomínia,
para que as gerações lhe cuspam na memória!

Fez-se a paz. Portugal
tem um punhal no flanco.
No céu a pomba preta vai pintada de branco.

Crespo, Cunhal, Vasco, Antunes, Soares,
Costa o Judas, Otelo, Rosa, Santos...
Os vendilhões da Pátria! E mais, e tantos!
Hidra de cem cabeças vis alvares!

Fiquem os nomes seus patibulares
no mura da ignomínia, sim! Espantos
dos espantos, mais sinistros de quantos
inda tinhas, História, pra contares!

Monstros num monstro só, porque eles são
os irmãos-siamezes da traição!
Mentirosos, venais, macabros, reles!

Atira-os, ó Desonra, prá buraca
onde a História tem a sua cloaca!
E, ó Nojo, vomita em cima deles!

Nomes de ignóbil tema,
aqui ficam pra sempre,
– porque pra sempre fica este poema!...

(...)

excerto da poesia "Comédia da Morte", Vid. Obra Poética Escolhida. Volume III. A Comédia da Morte e outros Poemas. Lisboa, 1979

É tudo um preciosismo


O senhor Soares tem chauffer e passeia, à custa dos contribuintes e da igualdade, liberdade e fraternidade que a Constituição d'Abril permite, num carrito igual ao da fotografia. Mas, basta de críticas, ser apanhado a "199" Km/h ou instalado num "S350 4 Matic" são preciosismos comparados com aquilo que é a verdadeira marca, deste senhor, na historieta da III República.



4 de abril de 2012

“O Estado é que vai pagar a multa”


"Portugal não pode parar"! Quem não se lembra desta frase lida, ouvida e escrita em todos os ecrãs, murais, postes, out-doors, rádios e por essas auto-estradas fora? Pois um dos pais desse slogan faz jus ao epíteto. De facto, Portugal não pode parar... de... pagar!! E olhem que não sou eu que o digo é um dos ex-chefes-mores desta centenária cloaca, digo, República.

Tirem-me deste filme


O presidente desta república disse, quando interpelado sobre o fim do 13º e 14º mês, de ordenado, que não emitia opinião por estar a entrar para uma sessão de cinema a "nível particular" com a sua farste leidi. A repórter, estrábica, insistiu e o presidente discursou as mesmas palavras no mesmo tom de voz. Esta não-notícia televisiva teve o dom de despertar em mim a cobiça de saber qual o nome do filme que o chefe ia ver! Seria "Vergonha", "Compramos um Zoo" ou "o Artista"? Deixo a minha pergunta, também, aos leitores.

3 de abril de 2012

To be alive

De vez em quando percorro uma série de sítios internáuticos. A sensação que eu tenho é que a maioria das pessoas on-line exalta uma vaidade de estar vivo. Cada um, como cada qual, gosta da sua página, de se distinguir, de se afirmar em fotografias com chapéus, cãezinhos ao colo, poses de mãozitas na cara, ares de intelectual, cigarrinho a olhar o infinito ou de calções num jardim com um recorte de piscina. Nas "redes sociais" a grande maioria "comunica" entre si, numa onda: é tudo primo; e muitas vezes: ó tia, é tudo primo. Este fervilhar de comunicação encerra vários factores comuns, aliás, demasiado comuns. Todos falam do mesmo, todos partilham o que o primo partilha, as mesmas fotos, o mesmo escárnio, a mesma onda. No fundo estar na net – passar a ter uma foto on-line-como-se-fosse-um-jornal-ou-revista – é o "importante". Todavia, o que vejo é que no meio de tanta comunicação pouco, muito pouco, se distingue do silêncio.

Astigmatismo


O economista Carlos Farinha diz que o governo está a "estigmatizar" os usufruidores do RSI com as novas regras. É óbvio que a crise veio acelerar algumas mudanças que deviam ter sido implementadas há vários anos. Limitar o acesso ao RSI, pelo menos da forma como era oferecido até há bem pouco tempo, é um factor de justiça. A tal "renovação automática" a que muita gente se habituou desde os tempos do Sócrates não podia durar para sempre. Com maior ou menor pendor, controlar e fiscalizar o acesso a todos os benefícios sociais é imperativo para que, realmente, os mais frágeis possam ser pontualmente acudidos. Este estado engordou de tal maneira, esbanjou e facilitou de tal forma, que qualquer mudança é vista como um ataque à "tradição" social, um ataque "às conquistas". Nada mais errado. Regular e controlar a despesa social é essencial para a sobrevivência da mesma, para a execuabilidade dos apoios sociais e dos fundos de aposentações. Mas, de facto, todos nós estamos "estigmatizados"! Somos "estigmatizados" por não ter, por ter, por ser, por não ser. É uma sociedade de contra-ataque, ressabiado, a que nos foi estendida e em quem a maior parte dos cidadãos votaram nas últimas décadas. Hoje, pagamos a factura do tal "futuro" que nos venderam, esse futuro que não gosta do "passado". As gerações do "é tudo nosso" devem por a mão na consciência. E ver. Pior que ser estigmatizado é viver por conveniência com "astigmatismo".