3 de abril de 2012

Astigmatismo


O economista Carlos Farinha diz que o governo está a "estigmatizar" os usufruidores do RSI com as novas regras. É óbvio que a crise veio acelerar algumas mudanças que deviam ter sido implementadas há vários anos. Limitar o acesso ao RSI, pelo menos da forma como era oferecido até há bem pouco tempo, é um factor de justiça. A tal "renovação automática" a que muita gente se habituou desde os tempos do Sócrates não podia durar para sempre. Com maior ou menor pendor, controlar e fiscalizar o acesso a todos os benefícios sociais é imperativo para que, realmente, os mais frágeis possam ser pontualmente acudidos. Este estado engordou de tal maneira, esbanjou e facilitou de tal forma, que qualquer mudança é vista como um ataque à "tradição" social, um ataque "às conquistas". Nada mais errado. Regular e controlar a despesa social é essencial para a sobrevivência da mesma, para a execuabilidade dos apoios sociais e dos fundos de aposentações. Mas, de facto, todos nós estamos "estigmatizados"! Somos "estigmatizados" por não ter, por ter, por ser, por não ser. É uma sociedade de contra-ataque, ressabiado, a que nos foi estendida e em quem a maior parte dos cidadãos votaram nas últimas décadas. Hoje, pagamos a factura do tal "futuro" que nos venderam, esse futuro que não gosta do "passado". As gerações do "é tudo nosso" devem por a mão na consciência. E ver. Pior que ser estigmatizado é viver por conveniência com "astigmatismo".


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