14 de abril de 2012

Guiné

Trinta e oito anos depois do Fim Histórico de Portugal*, os camaradas continuam, continuam, a cerrar dentes entre si na Guiné-Bissau. Por estes dias, um bando de militares fez um golpe de estado contra um governo que havia lá chegado em convulções eleitorais, precedido de "governo" golpista e que já havia sido precedido de uma implacável ditadura e por aí fora, nessa maravilhosa genealogia terrorista parida do PAIGC. Todos estes anos colocam em causa vários dislates e discursos optimistas de muitos políticos portugueses que, apesar de mais senis do que há 40 anos atrás, ainda se encontram no activo. Para esses portugueses que correram, em 1974, a dar o poder às facções minoritárias comunistas, onde incluo como testa de ferro o sr. Mário Soares, dedico os recentes acontecimentos na Guiné e evoco um dos meus Heróis e um dos maiores heróis portugueses de sempre, Marcelino da Mata, um dos militares com carácter para se pronunciar sobre a guerra colonial e a descolonização.

"Marcelino da Mata fala da sua acção militar na Guiné, exceptuando duas coisas: as operações secretas que cumpriu em casos selectivos de eliminação física e o comportamento menos corajoso de alguns oficiais portugueses, hoje muito conhecidos. Ele fala da invasão da Guiné – Conakry em 1971, comandado por Alpoim Calvão e aprovada por Spínola. (“ Falhou a tomada da emissora, mas libertamos os 28 prisioneiros portugueses”), duas incursões no Senegal em missões de busca e destruição de acampamentos inimigos (“Dávamos-lhes nos cornos e trazíamos o armamento aprendido”) e dos oficiais portugueses “ com eles no sítio”, o capitão António Ramos, ex-ajudante dos generais Spínola e Eanes, o general Carlos Azeredo, comandante da Região Militar Norte, e o coronel Carlos Fabião, hoje colocado num posto administrativo.
Descreve de uma operação típica:
- Quando sabíamos de um acampamento do PAIGC com, por exemplo, 20 ou 30 homens, eu escolhia três ou quatro do meu grupo e lá íamos.
- Só três ou quatro?
- E chegavam. Um deles era o corneteiro.
- ?!...
- Quando estávamos perto do acampamento eu mandava tocar a corneta. Quando lá chegávamos, os do PAIGC já estavam preparados, mas aquilo era um instante.
- Mas porquê avisá-los com a corneta?
- Porquê?!... Para lhes dar uma oportunidade. Não se encosta a arma a um gajo que está a dormir. Dá-se-lhe uma oportunidade para se defender.
Marcelino da Mata apenas lamenta os oficiais negros fuzilados pelo PAIGC após a independência.”Eles eram portugueses e bateram-se por Portugal. O Mário Soares, o Eanes e o Cavaco Silva pediram há dias ao governo de Bissau que não fuzilassem um guineense condenado à morte. Na manifestação junto ao EMGFA, eu perguntei-lhes por que razão não tinham intercedido a favor dos portugueses negros que o PAIGC fuzilou." **

** In Rangers&coisasdoMR, publ. Eduardo Magalhães Ribeiro, 2011


Sem comentários: