13 de abril de 2012

Os meninos à volta da fogueira


Os jornais e blogges estão alvoraçados com a medida do ministério da educação de subir de 28 para 30 o nº de alunos por turma no 1º e 2º ciclo. Alvoraçados. Se a subida fosse de 18 para 30 eu percebia. Em muitas escolas as turmas já são de 30 e mais. Quando eu estudei no 1º ciclo, nos anos 70, as minhas turmas tinham mais de 35 alunos. O que está em causa são novas regras que visam poupar dinheiro ao estado que vive do dinheiro dos impostos directos e indirectos. Objectivamente, o estado tem de poupar num lado para dar noutro lado e dúvido que alguém queira colocar em causa o pagamento atempado das pensões e salários da função pública. No meio disto estão as crianças e jovens cujos pais esperam o melhor do estado. E o que espera o estado dos pais? O bláblá pende para o "estado da educação", fugazmente para o fenómeno da juventude mal-criada e indisciplinada, mas o que eu gostaria de ver discutido é a filosofia da educação, a noção dos conteúdos programáticos, o papel dos professores na formação escolar. Nas últimas três décadas esvaziaram a autonomia das escolas, chafurdaram e manipularam os programas escolares com ideologia política, potenciaram a propaganda e a evangelização do "ideal" Republicano, partidarizaram as direcções escolares, ridicularizaram os professores, criaram uma instabilidade sazonal na gestão do acesso à carreira docente, criaram estatutos e mais estatutos para pais e alunos, sindicalizaram o conhecimento, elegeram a semi-deuses os meninos pós-Abril. Todos os partidos são culpados, a grande maioria dos pais são culpados. Uns e outros andaram ocupados a construir o vão de escadas para subir na vida e de escalão social. O ensino tornou-se um corredor sem janelas e paisagens, uma recta para percorrer o mais depressa possível. A ajudar, uma auto-estrada de benefícios para os maus alunos, sempre no fito das melhores estatísticas! Aumentar as turmas de 28 para 30 alunos não é o pior que se fez no meio da fogueira em que o ensino se tornou. 


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