15 de abril de 2012

Portugal sem nome


O que é um país? Um núcleo de identidades integradas num "espaço" e memórias. Não tem limites ou barreiras, mas tem unicidades que o agregam. Um país é feito de precedências, de sucessivas afirmações, de sucessivas partilhas afectivas. Um país constrói-se permanentemente mas só se solidifica se não se desintegrar nos seus alicerces, se persecutir na continuidade dos seus elementos primordiais. Um deles é a memória dos homens, digo, pela cadeia sucessiva do elemento antropológico, centrífugo, que nos identifica, o nome. O nosso nome, em qualquer cultura e civilização existente, é a forma aberta e perfeita de nos apresentarmos e nos olharmos perante os outros. Quando nos perguntam: Quem és? Não nos traduzimos por adjectivos ou traduções da nossa forma de estar mas pelo nome, e, especificamente, pelo apelido! Foi assim desde que o homem onomatopeizou as primeiras palavras, para se distinguir perante os semelhantes. Digo isto a propósito do multiculturalismo idiota que assola alguns indivíduos, porventura desenraizados da sua história (pessoal), felizes que "caminham" para o el dorado do bestial, da multicolorida rave "moderna", que não se coibem de inventar os próprios nomes e apelidos como se de uma tatuagem verbal se tratasse. Tão idiota (no sentido escatológico) como esses indivíduos é o regime (pela lei) que os aceita e permite nos desmandos.
A moda, ou a mediana, que impera na adopção de nomes e apelidos para as novas crias que nascem em Portugal é sintomática. No top da minha constactação está a fusão inventiva do nome dos filhos de uma portuguesa e de um cabo-verdiano. Ela, Luciana, que adoptou o nome social "Lucy", Abreu, casada com um Djaló, decidiu dar às crias os nomes Lyonce e Lyannii, Viictórya. A vida nos dirá se estas crias darão aos seus filhos a variação "lógica" destes nomes/palavras: a Viictórya terá uma Vomiitóóóryã, etc... Não tarda não existirá um nome que não soe a marciano ou animalês.

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