28 de maio de 2012

Bernardo Bonifácio


Há dias em que necessito de me reter num maior silêncio. Ver para dentro, pensar para dentro. Hoje é um desses dias, também, forçado pela tristeza de ver outros tristes. A morte entristece-nos por muito que a aceitemos. Os meus pensamentos estão agora com Bernardo Bonifácio, pai de um bom amigo. Foi um distinto cirurgião, operou familiares meus, salvou vidas, ajudou no parto da minha primeira filha, Joana. Foi a sua mulher, Maria Teresa Lemos Pereira, médica anestesista, que operava com o marido, que me deu festivamente a notícia do sucesso do parto da Joaninha. Maria Teresa partiu há já um ano. Bernardo foi ao encontro dela e dos seus. Sei que estás triste e mais só, Luís. Eu sei. Mas, olha, quanto mais distante, no tempo, melhor vislumbro os que persigo em reencontrar, mais definida é a memória, mais amor eu decifro nos vestígios que me deixaram. A morte dos que nos envolvem é uma perda. Mas nunca um vazio.

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