20 de maio de 2012

Urinadelas


Dizia-me um sujeito, de trinta e poucos anos, com o braço todo colorido que a tatuagem foi uma forma "radical" de "transgredir" e ser "revolucionário", e disse-me isso sem que eu o tivesse questionado. De facto, não gosto de tatuagens e de outras mutilações corporais. Mas não é isso que está em causa. Este "novo" homem português, filho d'Abril, brotado na era da comunicação tecnológica, devia ser mais independente, mais individualista, mas não é. O pensamento único impera, o seguidismo faz marcha acelerada, e por arrasto, a maré de frases feitas afoga toda a inteligência que dê à costa. A malta é porque sim, rejeita dizer o contrário porque não, porque fica mal, porque não é boa educação, porque não pode ser, porque não é fixe, não é radical. O sujeito de braço tatuado, com que fugazmente falei, pensa que é um revolucionário e sonha que o seu acto equivale ao "urinol" de Duchamp, mas vive enganado... os falsos actos revolucionários das tatuagens, assim como as atitudes fracturantes dos intelectualóides de esquerda, são aceites e acolhidas por esta sociedade, sem ruído e sem reacção...


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