2 de maio de 2012

Víctimas


Ouço nas notícias radiofónicas que a crise supostamente já fez mais uma víctima. Sem focar fontes ou dados muito concretos, diz-se que dois comboios chocaram, na linha de Cascais, motivado pela paragem de uma composição que se ficou devido a um suicídio. A ser assim a "crise" fez 1 morto e trinta feridos. Não tenho dúvidas que o indivíduo, a se ter suicidado, estava em crise: moral, física, neurológica, depressiva. Os que vivem a atiçar a crise, a reformular crises, a suplicar por crises que alimentem o seu ódio e frustração, engordam nestas alturas; ficam cheios de "provas" que sustentam a argumentação pirómana. Ao invés de agirem, positivamente, para debelar a crise que bradam, os bajuladores da desgraça arranham festivamente as feridas alheias dos concidadãos, seja familia, vizinhos de rua e de café alertando para o que os espera. Mais do que as víctimas debaixo de combóios, a "crise" fecunda um género de indivíduos que tudo de mal deseja para o próximo, especialmente o género dos ressabiados que sempre roçou o solo dos medíocres e que saltita por, erradamente, comparar uma fase menos feliz com "queda": que ninguém esteja melhor que eles! A crise satisfaz mais gente do que se pensa.


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