30 de junho de 2012

Este capot já é meu


Fazendo crer que se tratou de uma manifestação espontânea vários activistas da CGTP – à paisana –  insultaram o ministro das finanças enquanto outros comparsas agitavam bandeirinhas com as cores da inter. Um dos indignados agarrou-se ao capot da viatura de estado. Simbólicamente quis agarrar-se ao sistema do mais do mesmo que nos levou a isto. O povo vai deixar de ser "manso, dizem"! Para a próxima os manifestantes tiram as cuecas à frente dos ministros. A provocação e o insulto são o modo mais instintivo de catarse dos "problemas", das "indignações". Ao invés da luta com a inteligência e a palavra a turba prefere o "tribunal" de rua e a agressão anónima. No limite, é o prazer intrínseco dos esvaziados da vida; afanam para ter o que não podem ser.


27 de junho de 2012

Outros jogos: os Ronald's


Há indivíduos que se deviam cultivar de tão imbecís que parecem. Não me admirava se o "Ronald" fizesse um programa tão depreciativo como este sobre o "nosso" Acordo Ortográfico. Mas, bem merecíamos!

Outros jogos: Socialismo 38 - Portugal 0


O estado social português, convém fincar, está no estado de decomposição que se vê. Poucos anos faltarão para os pais e filhos da SNS, ISS, SNP, SS, e demais siglas de absorção do pecúlio dos impostos, proclamarem que foi o clima das "políticas liberais" que afundou a caravela das quinas mas a verdade é que temos navegado na lama das subsídio dependências sempre em redor desse pântano que se apelida de Socialismo. Os mentores do socialismo – acoplados à esquerda de rua e à esquerda moderna – esqueceram-se de preparar e educar o país para o trabalho e a responsabilidade que dava sustentar as coisas, esqueceram-se de dizer aos convivas que eles teriam de pagar todas as facturas, desde as casas gratuítas, às consultas gratuítas, às escolas gratuitas, às estradas gratuítas, às cantinas sociais, às ADSE'és, aos subsídios de deslocação, almoço, lanche, jantar e ceia, para alguns. O "Liberalismo" é a desculpa da ponta da língua, especialmente na ponta da língua sinuosa dos políticos falhados. Na acção política apenas se viu o estado dador (promotor da cultura do braçinho esquerdo estendido e o outro com o retributivo boletim de voto), o estado amigo (do Amigo), que agora chamam estado papão. Mas, para a maioria, penetra, isto é uma festa onde os "outros" é que pagam. No campeonato real, o Socialismo já nos leva 38 e Portugal vai a zero.

26 de junho de 2012

ELES SABEM


A selecção nacional de futebol vai jogar com o equipamento branco, onde se inscreve uma "cruz" (bem concebida pela separação dos dois esmaltes), que remete para duas faixas cruzadas de influência medieval. Mesmo que inconscientemente, eles sabem, que as cores de Portugal são o branco – e o azul; eles sabem. 

O Portugal que não vem nas televisões


"Por ocasião do 50º aniversário da formação dos Comandos, em Zemba, na Província Ultramarina de Angola, recebemos a informação de que foram realizadas, no mês de junho de 2012, diversas reuniões comemorativas.
Apraz-nos chamar, em particular, a atenção para o "Porto de Honra" oferecido no Castelo do Queijo, por essa ocasião. Este "Porto de Honra" ficou realçado pelas presenças dos convidados Dr. Júlio Amorim de Carvalho, escritor e diplomata, e de sua espôsa, brasileira, D. Maria Cristina Cidade Soares, que conversaram longamente, com os membros da Associação de Comandos, no forte construído pelo Marquês de Pombal. Os ilustres convidados apreciaram o esforço de conservação do momumento prosseguido pela actual direcção ( com especial relêvo para a acção do comando António Baptista Moreira).
A recepção, impecàvelmente organizada no Castelo (que actualmente é a sede da Associação dos Comandos do Porto) esteve muito concorrida. Não foi sem emoção que aqueles ilustres convidados, ambos descendentes de estirpes de militares portugueses e luso-brasileiros, estabeleceram prolongado convívio com os valentes combatentes do Ultramar português que lutaram pela sobrevivência da Nação, afinal traída no golpe de 1974".

22 de junho de 2012

Ainda Johan Van Der Keuken, "Os gatos"

Gostaria de dedicar este post ao meu amigo Nuno Castelo Branco. Realizado por Keuken em 1968, este documentário parece ter cortes face ao original mas em nada perde o seu discurso mordaz e irónico. Sei que o Nuno sabe decifrar muito bem os gatos – e a natureza dos humanos, também, já não lhe deve causar estranheza.

"Ver"


Em 1964 Johan Van Der Keuken realizou um pequeno documentário de 20 minutos intitulado "Blind Kind". É, para mim, um dos melhores documentários, filosóficos, de Keuken. Poucos, como ele, exercitaram tanto a experiência da imagem e da sua relação com os sentimentos. Subtraindo questões de "escola" e política, que pouco me interessam na carreira deste realizador/fotógrafo, as imagens de Keuker levam-nos para uma aprendizagem do sentir e a equacionar a nossa imaginação na percepção da realidade. Neste filme, "Blind Kind", que vi na cinemateca de Lisboa nos anos 90, a realidade das crianças cegas é vista através dos "olhos" de Keuken que "vê" através da menina para quem o mundo era, "apenas", o que alcançava com as mãos. O som, o ruído, torna-se parte da imagem e, aqui, o filme explora magistralmente a noção do que eu chamaria "visão auditiva". Tenho-me lembrado deste filme ultimamente. Face ao "mundo" que nos rodeia, ou que nos querem oferecer, eu, cada vez mais, procuro ver com o meu tacto. Atingir o que eu quero, "apenas", no que procuro e que toco. Sem os sentimentos somos cegos. Vivemos numa era que cativa a cegueira, que somente excita as pupilas com imagens feitas a partir de um pensamento programado, fácil, redondante, para que não ousemos questionar. Não ver é a melhor resposta quando me pergunto se o lugar que procuro está nesta sociedade hedonista e egoísta que prosseguem a construir.

21 de junho de 2012

Perceber


Se o estado se portasse com os seus empregados da mesma forma que se comporta com os fornecedores o país vinha abaixo, escarafuncháva-se na constituição, nos direitos do homem e do gato sapato. É inaceitável a mudez dos sindicatos face ao descalabro das dívidas do estado às empresas. Uma das razões dos despedimentos e do encerramento das empresas são as dívidas e a obrigatoriedade, agiota, de cumprirem ao milésimo de segundo com o pagamento dos inúmeros impostos. Mês após mês. Disso os sindicatos não falam, das empresas, porque isso era falar dos empresários, esses corruptos, apenas importa aclamar os "trabalhadores". Tudo está bem desde que o sindicalismo público funcione – de facto, é o único que tem tempo e prazer em participar nas marchas avenida acima e abaixo. O estado é ignóbil na moral tributária. Eu sinto na pele isto que escrevo. Não paga, mas exige receber. Se não tem dinheiro não encomenda, se encomenda tem de pagar tão atempadamente como paga o salário dos seus empregados. No fundo, o estado vive à custa dos fornecedores, porque está meses, anos, sem pagar os serviços, que é o mesmo que dizer que, este estado republicano é uma esponja chupadora que seca, pela sua intrínseca estructura, sem nunca chegar a pingar. Tanto na matéria fiscal como na matéria de conflito comercial, o grande amigo deste estado é a justiça. Percebem agora porque a justiça não funciona bem?


20 de junho de 2012

"É para isso que cá ando"


Volta e meia, quando começo a ver nas livrarias muitas "biografias" ou capas de jornais a falar sobre "a fantástica vida de Maria Barroso", eu regresso ao meu atelier e vasculho os meus apontamentos e o meu pequeno arquivo. Um dos textos que releio, para me focar na realidade, é uma entrevista a Daniel Roxo no auge da guerra pela defesa de portugueses ultramarinos. Essa entrevista, saída na revista "Observador", nº 14 em Maio de 1971, é um bálsamo e um alento que guardo para o meu carácter e rusticidade. No premeio de um extenso relato, Roxo diz: "(...) Reparto com os meus homens [indígenas] tudo o que me chega à mão. Sei que não aguentarei sempre. Dentro de alguns anos, as forças começarão a faltar-me. Inclusivamente, não estou livre de ter um azar. Mas, enquanto puder, cá estarei de pé firme, para o que der e vier. E depois, há os homens que lutam comigo, que confiam em mim, que de mim dependem. E há, sobretudo, a população em peso da província [Niassa], que conta incondicionalmente comigo. Sinto-me no dever de ajudá-los até ao limite das minhas forças. É para isso que cá ando". Estas palavras não caem em mim em vão. Digo-o, porque ainda tenho lágrimas, se houvesse um só político que proferisse tais palavras, se houvesse um só político que lutasse com tal redenção por Portugal, eu seguia-o como se fosse um soldado, independentemente do partido.

O que representa "ser amigo do PS"?


http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2619555

19 de junho de 2012

Deixem cantar o galo


Depois do polvo Paul temos um galo de Barcelos que prevê resultados. Depois de ver as cores com que se equipa espero que ele tenha razão e que seja um verdadeiro adivinho.

"Dos Trovadores ao Orfeu" ou Cavar nos terrenos das ideias feitas


"(...) O Cap. 7.°, Do simbolismo ao maneirismo de Orfeu (Sub-título: Fernando Pessoa), é, talvez, o capítulo que mais surpreenderá o leitor, pelas ideias (não direi completamente novas em Amorim de Carvalho, pois Amorim de Carvalho, desde os anos 30 que vem sustentando as teses aí expostas) ‒ mas, se não direi inteiramente novas, direi: teses confortadas e desenvolvidas agora, com uma incontestável genialidade.
O seu espírito, preparado para a meticulosa análise aliada à capacidade para as largas sínteses ‒ permitiram-lhe abordar com uma maestria única, na teoria da estética, este período literário português ‒ posicionando-se contra as ideias feitas e os lugares comuns. Amorim desmarca-se absolutamente das afirmações propaladas pela incapacidade crítica do modernismo, e da crítica impressionista ‒ como ele dizia.
Neste capítulo, Amorim analisa atentamente a obra de Pessoa. E conclui, contra todas as banalidades sustentadas habitualmente pelas oficinas da propaganda literária, ‒ conclui afirmando que o que há de mais original em Pessoa é o Guardador de Rebanhos ‒ que é o mais original poema extenso de Pessoa ‒, mas que de modo algum atinge a altura da poesia de Junqueiro (nomeadamente a Pátria), nem alcança a altura do Regresso ao Paraíso de Pascoaes. O que Pessoa traz à poesia portuguesa, são as modernidades já conhecidas fora do país (por exemplo, Cendrars, por exemplo Apollinaire, por exemplo Whitmann ‒ os quais, nesta obra de Amorim de Carvalho, são citados e transcritos abundantemente para estabelecer os necessários confrontos com Pessoa e mostrar ‒ e demonstrar ‒ as influências deles ‒ e de outros também citados, ‒ em Pessoa). E o que Pessoa tem de novo, é «artificial e postiço»."

Texto de Júlio Amorim de Carvalho. Apresentação do estudo "Dos Trovadores ao Orfeu"; Feira do Livro do Porto, 12 de Junho 2012

18 de junho de 2012

"só queremos a igualdade"...


Fiquei perplexo com esta citação: "Não queremos a facilitação de nada, só queremos a igualdade". Isto foi dito, aparentemente, por alunos do ensino secundário que exigem o fim dos exames nacionais, por considerarem que há alunos, ricos e pobres, alunos que frequentam escolas boas e más, com mais e melhores condições. Eu acrescentaria que também há alunos que gostam de estudar e outros que gostam de roubar colegas, espancá-los, filmá-los. Uma coisa tenho a certeza, entre ricos e pobres, todos têm telemóvel, internet e página no facebook.
Uma hstória de vida. A minha mãe nasceu, em 1929, e mais duas irmãs, na Casa do Muradal, um solar em Vale de Cambra, fundado por um meu tetravô materno. A electricidade só foi instalada na casa em 1977! Os primeiros tempos da minha infância foram uma delícia. A irmã mais velha da minha mãe veio para o Porto, para se tratar a uma doênça, e por aqui ficou a viver em casa dos meus bisavós. A minha mãe e a minha outra tia ficaram no Muradal. Ambas as três estudaram. Como em Vale de Cambra não havia ensino secundário oficial, apenas em Aveiro, a minha avó, que tinha uma capacidade notável, inteirou-se das matérias e durante seis anos deu aulas às duas filhas preparando-as, permanentemente, para os exames que tinham de ir fazer a Aveiro e Porto, anualmente, para obter a equiparação. Sempre em casa e com horários, disciplina e trabalho de jorna que nunca mais acabava. Só o último ano do "secundário" foi feito já no Porto para onde se mudaram em 1944/45. A irmã do Porto entrou em Medicina. A outra irmã entrou em Arquitectura, a minha mãe em Letras. As diferentes condições das irmãs não foram obstáculo para o fim que pretendiam atingir. E há que convir que, estudar em casa sem colegas, distracções e sem a percepção de uma sala de aulas é muito difícil.
Estes alunos do secundário parecem-me preparados para vida. Muitos, desde já, preparados para a vida sacra das reivindicações, comícios, direitos adquiridos e política demagógica.

Revoltar, sim, contra o "mais estado"


O dirigente do Bloco de Esquerda diz que "Portugal" precisa de se revoltar contra a austeridade e as políticas de terra queimada. Curioso ouvir isto de um acólito da terra queimada, dos motins de rua, da "arruaça grega", do anarquismo (apenas aparente) com vista aos fins de uma ditadura da "esquerda moderna". Este arroto do Louça, saído de mais uma almoçarada regada com tinto do PREC alentejano, é um pedido de revolta a favor de mais estado, de mais estado, de mais estado, que só se empedra com mais impostos, mais impostos ou com mais nacionalizações, mais nacionalizações, mais ditadura de estado. Contra este estado de coisas com que nos deparamos, contra o "mais estado" – construído com empréstimos impossíveis de pagar e com mais impostos – devemo-nos revoltar.

O amor patrioteiro explicado às criançinhas

(esta conversa é, parcialmente, baseada em factos reais, atónitamente, ouvida por este autor)

– Ó, mãe, mãe, andam centenas de pessoas a gritar lá fora com muitos caixecóis mas está calor...!
– Sim filho, estão a celebrar a victória de "Portugal"...!
– Ó mãe, mãe, é, é, está escrito "Portugal" nos caixecóis, estes senhores gostam mesmo do nosso país, o papá, também tem muitos mas tem escrito "Benfica" e "Sporting é merda"...!
– É isso, filho, o amor ao nosso país é imenso, somos uma grande nação... por isso celebramos com as nossas victórias...!
– Ó mãe, mãe, logo um português vai jogar um campeonato de poker, vai dar no meo, se ele ganhar a massa vamos todos para a rua? ... o papá também gosta de cartas, está sempre na galhofa com os amigos...!
– Não, filho, não sejas parvo, "Portugal" dá gosto é no futebol, tem algum jeito andarmos aos berros só porque um cromo ganhou uma bolsa ou ganhou um concurso mundial a esgravatar umas cenas... o Cristiano é lindoooo...! viva "Portugal"...!


13 de junho de 2012

Espólios


Face ao que tenho lido sobre a inauguração da Fundação José Saramago na Casa dos Bicos (e demais legitimidade para a ocupação), eu proponho que seja cedido, com as devidas obras e despesas de funcionamento das respectivas fundações pagas, o Mosteiro da Batalha para guarda do espólio do António Lobo Antunes, o Mosteiro dos Jerónimos para o Fernando Rosas, a Igreja dos Clérigos para o Manuel António Pina, A Torre de Belém e o Convento de Mafra para o Mário Soares, o Mosteiro de Tibães para o espólio do Jorge Miranda, o Castelo de Guimarães e os Paços dos Duques de Bragança para o Manuel Alegre. Obviamente, não posso esquecer a doação do Palácio Marquês de Pombal para o espólio do Eusébio. Não se preocupem que também me proponho reservar o Castelo de S. Jorge para o Cristiano Ronaldo.

Dos Trovadores ao Orfeu



Ontem, na Feira do Livro do Porto, ocorreu o lançamento do estudo inédito de Amorim de Carvalho "Dos Trovadores ao Orfeu". Trata-se de um estudo inédito sobre o Maneirismo na poesia portuguesa, infelizmente, lançado 36 anos após o falecimento do autor, cujo atraso na publicação foi motivado por uma dramática viagem de editora em editoras, incapazes de perceber e possuir a coragem para publicar matérias que não se banhem no pensamento vigente. De facto, este estudo científico e interpretativo da história da literatura, e das inerentes referências estéticas e filosóficas, não obedece aos cânones propagandeados pelas escolas oficiais e pode, para os mais sensíveis, alterar o âmago e a consciência da "realidade". Convém afirmar, também, que Amorim de Carvalho é o fundador da ciência do ritmo verbal, com o seu "Tratado da Versificação", continuando a ser figura ímpar e indiscutível no que ao estudo da versificação concerne. 
Da poesia Trovadoresca ao maneirismo da poesia Palaciana, do Barroco de seiscentos ao Classicismo Arcádico do séc. XVIII, do Simbolismo na poesia portuguesa à Renascença, do Maneirismo de Orfeu (Fernando Pessoa) à Presença, o estudo exprime os conteúdos com uma vasta exposição documental e bibliográfica, densa e complexa, e promete polémica pela veracidade. A outra verdade da propaganda oficial, dos livrinhos escolares e dos "grandes" escritores. 
Fugindo um pouco do tema mas recuperando o que foi (é) a luta intelectual de Amorim de carvalho, importa vincar que é na visão dos que se "opõem", do contraditório (seja na política, artes, ciências, etc), que se contrói a realidade; a visão "oficial", ou dos vencedores, não presupôe a realidade verosímil, antes, porém, encobrir ou esconder opiniões discordantes é castrar e sonegar. Assim como na política, o pleno da crítica, literária, só se fará com a leitura de todas as partes, contra ou a favor, e esse facto objectivo implica o carácter e a ética de quem compila a história.
A apresentação do estudo esteve a cargo do diplomata Júlio Amorim de Carvalho, ilustre continuador da obra do seu pai, Amorim de Carvalho, fundador da casa Amorim de Carvalho no Porto. Atempadamente iremos transcrever neste blogge excertos do resumo desta obra e do seu alcance.

12 de junho de 2012

Pilar


Parece que amanhã inaugura a Fundação José Saramago na Casa dos Bicos, em Lisboa. Esta fundação é apoiada pelo estado, as obras necessárias, que já custaram 2,5 milhões de euros, foram pagas pela Câmara de Lisboa e as despesas de manutenção, presumo que também inclua o salário da Presidente Pilar e do pessoal, serão suportadas pelos bilhetes de entrada e pela República. A Presidente Pilar já veio dizer que a cultura paga-se, assim como se paga um café. Três euros para um visitante português e quatro a cinco para um estrangeiro, porque somos mais pobres! Esta antiga candidata a freira sabe o que a casa gasta e não tem escrúpulos em presidir uma fundação paga com o dinheiro dos contribuintes portugueses, quer eles gostem ou não. É com pilares destes que a República tem mantido o seu desmando e o descontrole. Porventura, esta fundação é um pilar para a aclamação dos ideais dos camaradas, um pilar para os "intelectuais" que se revêem em Saramago. Diz a Presidente Pilar que o seu marido lutou e acreditou "num Mundo melhor". Sim, "muito melhor", é pagar para ver.

11 de junho de 2012

Mais do menos


Um dos discursos do "10 de Junho" foi de Sampaio da Nóvoa. Parece que toda a gente gostou mas aquilo que eu ouvi foi o palavreado de sempre. Um discurso virado para o semblante da ocasião, palavras cansadas como igualdade, contracto social, democracia, Europa, tudo isto embrulhado como solução para os "vários Portugais". Falou da Europa como salvação, não esquecendo o "conhecimento". Perante uma plateia de ilustres responsáveis pelo estado crítico que mencionava, o Professor Nóvoa devia ter reduzido o seu diagnóstico a uma palavra: política. Nas últimas décadas, Portugal foi alvo de políticas que ousaram a destruição da nossa identidade, políticas que visaram a reinvenção de um país tingido de socialismo (verdade consumada pela inclusão desse palavrão na Constituição da República), um país que foi ensinado a desdenhar do passado, esse "passado" da fome e da emigração. Sobre essas políticas o Professor Nóvoa não falou, mas é para isso que existe o 10 de Junho, para falar de Portugal. E este ano, o mesmo erro dos discursos dos últimos anos cheios de demagogia e de nada, porque não se falou da verdade. Nunca o regime convidaria alguém que não soubesse alinhado pela virtude deste estado. Sobre Pátria, terra, sonho, nem uma palavra frontal. São conceitos demasiado conservadores para uma sociedade viciada nas "conquistas" e agregada em clubes de interesses e sistemas nacionais de subsidiação. Ontem foi 10, hoje é dia 11 de Junho, amanhã é mais do menos.

9 de junho de 2012

E assim vai a República - mais um fado na Mouraria


Enquanto em Inglaterra os cidadãos rejubilam pelo regime e a sua democracia por aqui os portugueses, modernos, muito modernos e muito cientes do regime que herdaram, preparam-se para mais um arroto e um fadinho para os lados da Mouraria.

8 de junho de 2012

O Portugal que não passa nas televisões



Ontem, pelas 17h00, milhares e milhares de pessoas ocorreram para ver a procissão do Corpo de Deus que se realiza no Porto desde, cerca, 1290 (pela nova lei só daqui a cinco anos será reposto este dia festivo/feriado), sendo uma das mais antigas procissões do país. Nesta cerimónia aconteceu história. A Irmandade das Almas de S. José das Taipas participou na procissão após 101 anos de ausência. Esta Irmandade, de que sou um dos re-fundadores (2011), foi instituida em 1811 a partir da Irmandade de S. José (1790) e assumiu-se com o novo nome e objecto (obter meios para ajudar os familiares das víctimas da tragédia da ponte das barcas) após as invasões francesas. Teve uma vida de auspiciosidade até ser fechada e os seus membros perseguidos pela "tolerância" dos republicanos e da República. Muitas décadas depois, emocionei-me ao segurar e exibir o original e belíssimo estandarte do séc. XIX (1ª foto, atrás das meninas do Sagrado Coração). A procissão foi concorrida por todas as ordens e irmandades da cidade; na sua frente, no sector da sociedade civil, duas bandeiras monárquicas abriam, descomplexadamente, com as cores de Portugal o percurso para a Sé, seguida pelos Leigos, Leitores, Irmandades, Ordens, Cruzes, Acólitos e Seminaristas, Clero, Bispo e os milhares de fiéis. No Paço, o anfiteatro enquadrou-se para a cerimónia, eloquentemente dirigida por D. Manuel Clemente, num ambiente tocado pela união e pelos cânticos, alegremente revestido pelo coloridos dos trajes, das vestes brancas, pelos estandartes dourados, vermelhos e "azuis e brancos".
Este é um Portugal da permanência e de persistência, do não abdicar dos sentimentos, um Portugal sem classes, onde todas as vozes se retratam e se unem como uma voz unívoca e uníssona, que teima pela esperança. O Portugal que não passa nas televisões nem é mote para mesas quadradas.

6 de junho de 2012

A abgnação


Sou obrigado a escrever estas breves palavras. Atarantado pelo trabalho não tenho dado muita atenção ao que sai do meu redor e, inclusive, se há algo de que tenho fugido é das televisões para não me autoflagelar com a verborreia sobre a "selecção" nacional. Mas, uma coisa não me tem escapado, as novas sobre o Jubileu da Rainha Isabel II. Ainda há instantes vi um pequeno filme no blogge "Estado Sentido", colocado pelo ilustre Nuno Castelo Branco. Se há algo que me tem entusiasmado têm sido as festividades que se vivem por toda a Inglaterra. Não é uma festa elitista. Não é uma festa para convidados ou de club. A festa, a verdadeira festa, do jubileu é promovida por cada família, por cada um, nas ruas, nas instituições, nas empresas. Um amigo meu que vive em Londres, perto de Barkston Gardens, diz-me que está estupefacto, ele republicano, sem convicção. Na tarde das comemorações no Tamisa ele não conseguiu tirar o carro do passeio tal era a confusão. Disse-me ontem que, na rua, loiras e morenas pintavam a cara, com as cores da Union Jack, vibravam bandeirinhas na mão, brancos, pretos, amarelos, snobs, tatuados, numa verdadeira amálgama de culturas e estilos. Eu, só me posso emocionar, talvez, um pouco, por frustração, porque eu desejaria esta emoção pátria para o meu Portugal. Mas tal calor, tal fé, nunca será possível declarar a um presidente, avençado de 5 em 5 anos e "eleito"(!) por uma parte, de uma parte, da população, emanado dos interesses partidários. Quem participa no jubileu fá-lo pela abgnação, pela cedência dos interesses pessoais noutrém, nesse outro que é a Instituição, o País; ceder para/pelos outros.




5 de junho de 2012

0


Bastaram 10 minutos de televisão ligada para eu me aperceber do anedótico das notícias sobre a "selecção nacional". Não, não se trata de uma reportagem sobre uma selecção de cientistas, médicos, gestores, economistas, historiadores, empreendedores, engenheiros, arquitectos, actores, músicos, deste país, trata-se da "selecção" de futebol. Foi um fartote, "almoçaram" na Fundação Champalimaud, uma fundação com tudo a haver com o desporto e que parecia ser uma Fundação com boa saúde mental. Chegaram ao ridículo de filmar em directo o transporte de autocarro até ao aeroporto e, daí, até a partida, descolagem, do avião. Tudo isto seguido de "painéis", comentários, mesas redondas e mesas quadradas. Antes da partida a paragem no Palácio de Belém. Nada que não se previsse. Lá dentro, no agora ocupado pelos republicanos, CR7 afirmou que vai estar "concentradíssimo" ao que o presidente retorquiu "os portugueses agigantam-se". Não me surpreende, muito pelo contrário, a colagem da República à festarola de uma equipa de futebol, muitíssimo bem paga com dinheiro do erário público, pode ser que em caso de vitória o povo incauto vá para a rua gritar "viva a república" e continue a esquecer as culpas que o regime tem no cartório! O ramalhete ficou airoso e expressivo com a prenda que a selecção ofereceu ao presidente: uma camisola. Apesar de nas costas aparentar ser o 0, dizem que na frente tem impresso o número 1! Com alguma razão, um presidente da república é mais um jogador do que um treinador.

4 de junho de 2012

Não


Eu também, João, custa-me a absorver a histeria à volta da "selecção nacional" e só aceito o facto se levado para o "direito" de cada um se divertir. É uma diversão de risco, principalmente, para os mais novos e distraídos. Pensar que o sentimento pátrio flutua emocionalmente de acordo o calendário futebolístico ou cujo fervor está dependente de "resultados desportivos" é algo que não aceito. Por estas, e por outras, razões, não frequento o entusiasmo da "selecção", muito menos visto as cores da carbonária terrorista.

1 de junho de 2012

Mediocridade explosiva


Que se pode concluir quando um político e ex-presidente da república diz que a sociedade portuguesa está a viver uma "mistura explosiva" de medos e ressentimentos? O sujeito afirma aquilo que é visível, de fácil diagnóstico, mas o credível seria ouvir o porque, porquê, para que se previnam novos erros. Por cada dez palavras que os ex-políticos dizem nove são para se ilibarem e criticarem os opositores e o "momento". Nada é com eles, no fundo, eles sempre deram "o seu melhor". Criticar o mister pelos maus resultados só no futebol. Há, de facto, um problema na "democracia" da República Portuguesa. Uma gigante falta de carácter e de inteligência. Uma mediocridade explosiva.