19 de junho de 2012

"Dos Trovadores ao Orfeu" ou Cavar nos terrenos das ideias feitas


"(...) O Cap. 7.°, Do simbolismo ao maneirismo de Orfeu (Sub-título: Fernando Pessoa), é, talvez, o capítulo que mais surpreenderá o leitor, pelas ideias (não direi completamente novas em Amorim de Carvalho, pois Amorim de Carvalho, desde os anos 30 que vem sustentando as teses aí expostas) ‒ mas, se não direi inteiramente novas, direi: teses confortadas e desenvolvidas agora, com uma incontestável genialidade.
O seu espírito, preparado para a meticulosa análise aliada à capacidade para as largas sínteses ‒ permitiram-lhe abordar com uma maestria única, na teoria da estética, este período literário português ‒ posicionando-se contra as ideias feitas e os lugares comuns. Amorim desmarca-se absolutamente das afirmações propaladas pela incapacidade crítica do modernismo, e da crítica impressionista ‒ como ele dizia.
Neste capítulo, Amorim analisa atentamente a obra de Pessoa. E conclui, contra todas as banalidades sustentadas habitualmente pelas oficinas da propaganda literária, ‒ conclui afirmando que o que há de mais original em Pessoa é o Guardador de Rebanhos ‒ que é o mais original poema extenso de Pessoa ‒, mas que de modo algum atinge a altura da poesia de Junqueiro (nomeadamente a Pátria), nem alcança a altura do Regresso ao Paraíso de Pascoaes. O que Pessoa traz à poesia portuguesa, são as modernidades já conhecidas fora do país (por exemplo, Cendrars, por exemplo Apollinaire, por exemplo Whitmann ‒ os quais, nesta obra de Amorim de Carvalho, são citados e transcritos abundantemente para estabelecer os necessários confrontos com Pessoa e mostrar ‒ e demonstrar ‒ as influências deles ‒ e de outros também citados, ‒ em Pessoa). E o que Pessoa tem de novo, é «artificial e postiço»."

Texto de Júlio Amorim de Carvalho. Apresentação do estudo "Dos Trovadores ao Orfeu"; Feira do Livro do Porto, 12 de Junho 2012

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