13 de junho de 2012

Dos Trovadores ao Orfeu



Ontem, na Feira do Livro do Porto, ocorreu o lançamento do estudo inédito de Amorim de Carvalho "Dos Trovadores ao Orfeu". Trata-se de um estudo inédito sobre o Maneirismo na poesia portuguesa, infelizmente, lançado 36 anos após o falecimento do autor, cujo atraso na publicação foi motivado por uma dramática viagem de editora em editoras, incapazes de perceber e possuir a coragem para publicar matérias que não se banhem no pensamento vigente. De facto, este estudo científico e interpretativo da história da literatura, e das inerentes referências estéticas e filosóficas, não obedece aos cânones propagandeados pelas escolas oficiais e pode, para os mais sensíveis, alterar o âmago e a consciência da "realidade". Convém afirmar, também, que Amorim de Carvalho é o fundador da ciência do ritmo verbal, com o seu "Tratado da Versificação", continuando a ser figura ímpar e indiscutível no que ao estudo da versificação concerne. 
Da poesia Trovadoresca ao maneirismo da poesia Palaciana, do Barroco de seiscentos ao Classicismo Arcádico do séc. XVIII, do Simbolismo na poesia portuguesa à Renascença, do Maneirismo de Orfeu (Fernando Pessoa) à Presença, o estudo exprime os conteúdos com uma vasta exposição documental e bibliográfica, densa e complexa, e promete polémica pela veracidade. A outra verdade da propaganda oficial, dos livrinhos escolares e dos "grandes" escritores. 
Fugindo um pouco do tema mas recuperando o que foi (é) a luta intelectual de Amorim de carvalho, importa vincar que é na visão dos que se "opõem", do contraditório (seja na política, artes, ciências, etc), que se contrói a realidade; a visão "oficial", ou dos vencedores, não presupôe a realidade verosímil, antes, porém, encobrir ou esconder opiniões discordantes é castrar e sonegar. Assim como na política, o pleno da crítica, literária, só se fará com a leitura de todas as partes, contra ou a favor, e esse facto objectivo implica o carácter e a ética de quem compila a história.
A apresentação do estudo esteve a cargo do diplomata Júlio Amorim de Carvalho, ilustre continuador da obra do seu pai, Amorim de Carvalho, fundador da casa Amorim de Carvalho no Porto. Atempadamente iremos transcrever neste blogge excertos do resumo desta obra e do seu alcance.

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