20 de junho de 2012

"É para isso que cá ando"


Volta e meia, quando começo a ver nas livrarias muitas "biografias" ou capas de jornais a falar sobre "a fantástica vida de Maria Barroso", eu regresso ao meu atelier e vasculho os meus apontamentos e o meu pequeno arquivo. Um dos textos que releio, para me focar na realidade, é uma entrevista a Daniel Roxo no auge da guerra pela defesa de portugueses ultramarinos. Essa entrevista, saída na revista "Observador", nº 14 em Maio de 1971, é um bálsamo e um alento que guardo para o meu carácter e rusticidade. No premeio de um extenso relato, Roxo diz: "(...) Reparto com os meus homens [indígenas] tudo o que me chega à mão. Sei que não aguentarei sempre. Dentro de alguns anos, as forças começarão a faltar-me. Inclusivamente, não estou livre de ter um azar. Mas, enquanto puder, cá estarei de pé firme, para o que der e vier. E depois, há os homens que lutam comigo, que confiam em mim, que de mim dependem. E há, sobretudo, a população em peso da província [Niassa], que conta incondicionalmente comigo. Sinto-me no dever de ajudá-los até ao limite das minhas forças. É para isso que cá ando". Estas palavras não caem em mim em vão. Digo-o, porque ainda tenho lágrimas, se houvesse um só político que proferisse tais palavras, se houvesse um só político que lutasse com tal redenção por Portugal, eu seguia-o como se fosse um soldado, independentemente do partido.

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