11 de junho de 2012

Mais do menos


Um dos discursos do "10 de Junho" foi de Sampaio da Nóvoa. Parece que toda a gente gostou mas aquilo que eu ouvi foi o palavreado de sempre. Um discurso virado para o semblante da ocasião, palavras cansadas como igualdade, contracto social, democracia, Europa, tudo isto embrulhado como solução para os "vários Portugais". Falou da Europa como salvação, não esquecendo o "conhecimento". Perante uma plateia de ilustres responsáveis pelo estado crítico que mencionava, o Professor Nóvoa devia ter reduzido o seu diagnóstico a uma palavra: política. Nas últimas décadas, Portugal foi alvo de políticas que ousaram a destruição da nossa identidade, políticas que visaram a reinvenção de um país tingido de socialismo (verdade consumada pela inclusão desse palavrão na Constituição da República), um país que foi ensinado a desdenhar do passado, esse "passado" da fome e da emigração. Sobre essas políticas o Professor Nóvoa não falou, mas é para isso que existe o 10 de Junho, para falar de Portugal. E este ano, o mesmo erro dos discursos dos últimos anos cheios de demagogia e de nada, porque não se falou da verdade. Nunca o regime convidaria alguém que não soubesse alinhado pela virtude deste estado. Sobre Pátria, terra, sonho, nem uma palavra frontal. São conceitos demasiado conservadores para uma sociedade viciada nas "conquistas" e agregada em clubes de interesses e sistemas nacionais de subsidiação. Ontem foi 10, hoje é dia 11 de Junho, amanhã é mais do menos.

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