4 de junho de 2012

Não


Eu também, João, custa-me a absorver a histeria à volta da "selecção nacional" e só aceito o facto se levado para o "direito" de cada um se divertir. É uma diversão de risco, principalmente, para os mais novos e distraídos. Pensar que o sentimento pátrio flutua emocionalmente de acordo o calendário futebolístico ou cujo fervor está dependente de "resultados desportivos" é algo que não aceito. Por estas, e por outras, razões, não frequento o entusiasmo da "selecção", muito menos visto as cores da carbonária terrorista.

4 comentários:

Marina Seminova disse...

Realmente é uma lástima que as pessoas só sejam “patriotas” no que há de fútil em vez de o serem no que há de Ilustre.
Este esbanjar de “patriotismo” – eu até acho que é mais um chauvinismo – sem significação profunda, é de nos fazer perder a vontade do torcer também pelo nosso clube ou país... Ainda nos estragam o prazer ! Pois nós também gostamos de futebol !
Pior que isso é a incitação e a recuperação pelo regime desses fenómenos febris que vão pontuando a existência do povo. Panis et circences !
Não muito longe de Portugal, em França, quando da copa do mundo de futebol de 1998, a recuperação do evento pelo governo* e pela imprensa foi repugnante. O leitmotiv que se leu e ouviu EM PERMANÊNCIA foi o seguinte : o sucesso da França - pela primeira vez campeã do mundo - é o sucesso do regime republicano tolerante, antiracista, multicultural e multiracial ! Foi um panegírico à sociedade “meltingpot” e ... antipatriótica (pois muitos jogadores eram de origem extra-européia).
Portugal ainda não chegou a este ponto ... Mas para lá caminha com certeza.
*Jacques Chirac, presidente da república e Lionel Jospin, primeiro ministro.

João Távora disse...

Tens aqui uma bela síntese, João: Pensar que o sentimento pátrio flutua emocionalmente de acordo o calendário futebolístico ou cujo fervor está dependente de "resultados desportivos" é algo que não aceito.

Abraço!

João Amorim disse...

cara Marina

É o excesso que me ofende! Eu gosto de futebol, como sabes, mas sou adepto de clubes cuja essência são os "sócios" e o desporto e não um conjunto de valores que se enfatizam aquando da "selecção". A pátria é uma coisa a selecção de futebol é outra. Se os indígenas apoiassem a "selecção" de uma forma coerente com o merecido apoio que a nossa pátria merece esta conversa não se colocava.

João Amorim disse...

caro Távora.

Na verdade, o teu texto é eloquente. Pena que não seja lido por todos, os que vão ver os treinos, os que acenam das varandas ou os que pôem o trapo na janela!