9 de julho de 2012

O raio que os parta


O filme "300 of Sparta" é um dos mais bem conseguidos filmes de sempre. Realizado com recurso a cenários digitais, a natureza plástica do filme é tocante e inebriante. O filme relata o mito dos Espartanos e a cidade-reino de Esparta, focando o espírito de sacrifício e coragem do Rei Leónidas. É um dos meus filmes e porquê? Tem uma prole de conceitos digitais que me cativam (é um filme e pode ser apreciado também pela técnica envolvida), tem uma história emocionante, faz apelo a uma série de valores que hoje, quase diria, são vestígios arqueológicos. Educados para serem guerreiros, com uma rusticidade desenvolvida pela dor, os espartanos (deste filme) vivem em torno do que chamo a noção de Pátria e é nessa vivência que ganham valores que colocam acima do egocentrismo e do materialismo. A continuidade, a permanência, o passado e o futuro são um pilar orgânico no desenho de Esparta. Frases cirúrgicamente proferidas como: " (espartanos) tomem o vosso pequeno-almoço com vontade porque esta noite vamos jantar no inferno" ante um cenário de morte certa, perfazem a dimensão clássica de uma antiguidade próxima dos deuses e dos homens guerreiros, heróis pela sua coragem e pela cruel objectividade da sobrevivência; épocas distantes, incertas, onde os Homens não tinham meias medidas, selvagens, por certo, comparativamente com o "admirável mundo novo" e do "a caminho do socialismo" em que vivemos, onde cada palmo de terra era conquistado, e perdido, com o sangue. Convém alertar os distraídos que o mundo foi "construído" com mortandades e ditames que hoje envergonhariam muitos puritanos e vegetarianos. Mas, o que mais destaco no enredo do filme é a verdadeira ficção que comporta o "300". Onde, hoje, veríamos homens prontos a serem guerreiros pela pátria sem medo de arranhar os joelhos, homens que – já nem digo com espadas – não tenham medo de ferir o politicamente correcto, de rasgar os conceitos dos "direitos universais" e transversais do pequeno homem em que nos tornamos? Os poucos que eu conheço e admiro não chegam a 300. Olhando para a escumalha que se tem governado nesta república este país nunca será "Esparta", é mais "o raio que os parta".

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