31 de agosto de 2012

ANA


A ANA vai ser privatizada, o PS, o PCP, o BE não estão a chorar e a pintar faichas com frases de ordem! Porquê? Porque o objecto desta empresa não é a informação controlada, a desinformação e a propaganda. Outra senhora diz que a cinemateca está de luto pela RTP; todos estão ao lado da Rtp e eu que gosto e dependo mais da Ana. Décadas a dizer mal do despesismo da RTP e agora viram o disco para cantar saudades pela dita poder ser "concessionada". O adesivismo é um fenómeno muito português inerentemente relacionado com o "equilíbrio" mental das pessoas e com o espaço reservado para a memória.

30 de agosto de 2012

Alegre boca


O sr. Alegre diz que concessionar a RTP é inconstitucional. Que boca. Quem se lembra das nacionalizações das rádios no 25 de Abril apoiadas por este Manuel e demais figurões? Está certo, não foram "concessões" foi algo mais bonito, concessões não ocupações sim. Venha Abril para se poder "governar"...

Eles sabem


Tem piada ler. Não tem piada é saber... que eles sabem que muitos sabem embora não queiram saber porque se sentem protegidos por quem... eles sabem.


Nota. ver a "listinha" nos comentários

Um apontamento para os universitários da "Universidade" de Verão do PS


Após ler algumas notas sobre a bibliografia facultada aos universitários da "Universidade" de Verão do PS (pensei que isso era uma moda do PSD) sugere-me apresentar este filme – a partir deste podem procurar outros do mesmo tema – sobre a escalada do Socialismo neste país. Não basta dar a ler os "clássicos" e fomentar a pesquisa de Engels ou as deambulações do visconde de Tocqueville para que o país tenha "jovens quadros socialistas" mais preparados, até soa a ridículo face ao cenário do ramalhete, não,  os jovens a caminho do socialismo devem procurar as fontes do Socialismo Português e apalpar a massa em que nos tem cozido. Por falar em clássicos, lá estão os docentes, nem que seja só por um dia, Edite Estrela, Capoulas Santos, Elisa Ferreira, João Proença, Vital Moreira, Correia de Campos, Ana Gomes. Faltam os sindicalistas, os Soares e os Otelos! Mas isso fica para a pós-graduação de Inverno. 

29 de agosto de 2012

Um país de escritores de pouquinhas palavras

Uma notícia diz-nos que em três meses os portugueses enviaram sete mil milhões de mensagens escritas (SMS), o que pode nos dar uma ideia de 28 mil milhões de mensagens escritas num ano! Grosso modo, a média sugere que cada português escreva 8 mensagens por dia se incluirmos os acamados, moribundos, autistas e pessoas com má visão. Como não é o caso, podemos supôr que há muitos milhares (talvez milhões) que gostam muito, muito, de escrever, escrever. Também ficamos a saber que existem 156 aparelhos (telemóveis e/ou iPad 3G) por cada 100 habitantes, o que nos coloca no top com a sugestão de que em cada duas pessoas uma tem dois telemóveis activos, para não falar nos que já deram o "berro" e estão na estante. Portugal é, assim, desde os tempos do ministro Guterres, um fenómeno de palavras escritas. Somos, afirmo-o, um país de escritores. Não posso dizer que somos um país de pensadores, de gente que pensa, mas que escrevemos muito, escrevemos, e com a variante de a escrita ter destinatários. É um "mundo" muito melhor que os livros. Um livro nunca sabe por quem e quando é lido, um telemóvel é lido sempre, mesmo que horas mais tarde. Os portugueses gostam desse "mundo", da escrita rápida, por siglas, com carinhas, boquinhas, dedinhos, desse "mundo" de leitura "já está!!!", com o descanso de se utilizarem só dois a três dedos e de se pouparem muitos os neurónios.

28 de agosto de 2012

Para percebermos como chegamos aqui temos de rever o papel da "esquerda moderna" nas últimas décadas


Entrevista a Jaime Neves:

"Fui para o Terreiro do Paço e esperei pela coluna de Santarém. Ainda vi o buraco por onde fugiu o ministro do Exército para o edifício da Marinha. Entretanto, veio o Salgueiro Maia e aí tive o meu primeiro choque. Quando estamos no meio da placa central, chega uma série de malta da Margem Sul, com bandeiras que dizem 'Nem mais um homem para África', 'Abaixo o fascismo". E eu interroguei-me: isto foi feito com tanto secretismo e já há bandeiras?
SOL: Está a dizer que havia uma articulação com o PCP?
Tinha que ser, era o único partido organizado e nós éramos uma cambada de inocentes. 
SOL: Quando vê as bandeiras e os civis o que pensou?
Que estávamos a ser enganados.
SOL: E a seguir o que fez?
Segui para a Penha de França para ocupar o quartel. Cheguei ao portão principal e saiu de lá um gajo alto com uma pistola que me diz: 'Senhor major para entrar aqui só por cima do meu cadáver'. E eu disse: 'Por cima de quê? Oh amigo, vai-te embora que eu não brinco com essas coisas'.
SOL: E ele foi?
Foi.

Revista “TABU”, Semanário “O Sol”, 02.05.2009

Muita vergonha


O responsável pela "descolonização possível" veio à rua dizer que a ideia da concessão da RTP "é uma pouca vergonha". Não o ouvi dizer isto após as afirmações, em Março de 2011, do secretário de estado do tesouro, Costa Pina, onde este propunha a privatização dos 2 canais públicos – estávamos em pleno desgoverno Sócrates. Durante a última década não houve um só deputado e membro da oposição que não ganisse contra o esbanjamento dos gastos da RTP. Agora, após uma ideia, que se poderá revelar boa ou má dependendo da forma, as formigas brancas levantam os porretes e preparam-se para a paulada em defesa de uma coisa que os próprios não sabem definir. É preciso ter muita vergonha, os que prestam o mais miserável serviço público são os mais ávidos a defender certos serviços públicos.

27 de agosto de 2012

Pensamentos


Publicado há 16 anos, o estudo "Para a compreensão do Pensamento Contra-Revolucionário: Alfredo Pimenta, António Sardinha, Charles Maurras, Salazar", de António José de Brito, revela-se, cada vez mais, um raro plano de independência intelectual, contradizente do pensamento "pronto-a-vestir" que inunda a opinião generalizada. O estudo do pensamento político dos quatro personagens completa-se com recensões críticas a textos de D. Duarte de Bragança. Para lá da tendência ideológica de cada leitor, o estudo emerge de uma importância significativa por expôr a nú os preconceitos mentais sobre a "direita", não se inibindo a um paralelo com outros pensamentos de cariz "popular" tão bem aceites pela generalidade dos distraídos, essa massa que sabe tão bem "parir pelos ouvidos", factor que, neste caso, não se adequa, visto a fruição da obra ter de ser feita bem pelo cérebro.


24 de agosto de 2012

78


Portugal paga a 78 generais! 78 generais?? Divididos pelos três troncos das forças armadas dá qualquer coisa como 26 generais por cada. A notícia de se suprimirem 11 generais, até o final do ano de 2013, é uma acção tardia. O que pensaram os sucessivos governos para se manterem e promoverem tantas altas patentes até os dias de hoje após a "revolução dos cravos", para mais, quando foi posta em causa a permanência do país nos territórios ultramarinos, e com isso a desnecessidade de oficiais? Para quê manter tantas chefias de estratégia, especialmente, quando o fim do serviço militar obrigatório já tem mais de uma década? Ah! contas d'Abril, para quem sabe contar...

23 de agosto de 2012

Integridade


A nossa empregada doméstica anda numa azáfama por causa da gravidez. Nesta fase anda a pensar num nome para a menina. Pediu às minhas duas filhas sugestões para o nome e na área onde mora não carece de pedir opiniões. O companheiro já sabe que "estilo" quer, um nome bem alegre e que marque a "diferença"! Vi a lista e não fiquei admirado. Apesar de ser cabo-verdiana o nome da progenitora é bem português assim como o do pai, mas agora, na terceira filha, ela quer dar o salto para um nome mais apelativo. Os nomes que mais gosta estão entre Tiara e Emma. Eu não tenho nada que me meter, só pretendo ajudar, pelo que me tenho mantido calado. De facto, se a lei permite um indivíduo tatuar-se, alterando partes do tecido, digo, alterando a integridade física não pode ser irredutível em querer manter a integridade dos nomes próprios da cultura lusitana, de si já alterada com a miscigenação fruto dos fenómenos demográficos. Bem sei que os nomes a atribuir às criançinhas passam por um conceito de moda, embora na minha família sempre foram atribuídos por conceitos de tradição e afecto. Não querendo estar a parecer démodé lanço para o espaço nomes que hoje não assustam ninguém – apesar de não terem o toque de uma Lyonce Viktórya – que foram usados por minhas ancestrais avós e que bem podem ser repescados: Joaquina, Maximiana, Felícia, Rego, Felicitas, Ludovina, Josefa, Caetana, Feliciana, Antonieta.

22 de agosto de 2012

A vingança do cameraman

Não acreditei no que vi quando descobri no Youtube alguns filmes de Wladyslaw Starewic. Os seus filmes de animação são um marco e uma revelação do que viria a ser a animação moderna, muitos anos depois, com a sequência em película de 16mm. Oriundo de uma família polaca-lituana a sua paixão pela fotografia levou-o a pensar um trabalho sobre a região de Kaunas (lituânia). Sendo, também, um apaixonado por entomologia realizou umas cenas onde pontificavam uma luta entre dois insectos. Como um dos "intervenientes" não escapou à luz dos estúdios, Starewic, improvisou com insectos animados e, assim, deu início a uma série de documentários/filmes de animação com bonecos, lançando, a partir de 1910 uma série de fábulas com insectos animados que atraiu a atenção do público. O filme que vos convido a ver (filmado na técnica "stop-motion" com recurso a máquinas fotográficas) tem o brilhantismo das marionetas animadas e dos cenários expressivamente dramáticos, eminentemente plásticos e intensos. Estava-se em 1912. Um verdadeiro centenário para celebrar.

# É tão bom constactar que as virtudes humanas, para se expressarem, não necessitam de excesso de tecnologias, iPad's, tiques, conceitos de modernismos e progressismos; é crucial ter inteligência para interpretar (e criar) o novo sem desdenhar do passado – a corrente do conhecimento.

21 de agosto de 2012

Diria mais


Um investigador da Universidade do Minho compôs uma tese da qual diz: "Do mesmo modo que a mulher tem o direito legalmente reconhecido de abortar ou não abortar, perante uma gravidez não planeada, o homem deve poder decidir se quer ou não ser pai". E, também, citando desta notícia, "um sistema que permite o não nascimento por via de um aborto também pode permitir o nascimento sem atribuição da filiação paterna". Infelizmente tenho de dar razão e continuidade a esta lógica. E eu diria mais: um sistema que permite, subsidia e patrocina o aborto é um sistema que promove e absorve sem reacção outros fenómenos de violência, como os ataques à propriedade, à integridade física, ao desgaste da civilidade e, igualmente, permite o abastardamento da moral, por arrasto, para outras crises dentro da crise.


Casa - Emprego


Segundo um estudo da Universidade de Washington e das Nações Unidas, Portugal terá em 2050 um trabalhador por cada reformado, quer isto dizer que a sustentabilidade da "segurança social" já foi posta em causa e que o sistema de "pensões" não funcionará, provavelmente deixará de ser exequível já em 2040, daqui a 28 anos. Em causa, a taxa de natalidade e a idade das reformas. Sobre este assunto só me quedo por opinar duas coisas que para muitos estarão no desvio destas questões: a invenção da independência automática do indivíduo – não digo da independência social mas da fractura com os laços familiares que advém das políticas e da propaganda de "maioridade juvenil" – e a noção de "emprego" (especialmente o emprego para toda a vida, com as devidas progressões mais que automáticas e devidas na carreira!). Com isto, nas últimas décadas, os jovens filhos d'Abril só pensaram em sair de casa, com ou sem canudo, comprar um apartamento, um cão, um carro, uma moto de ski, dois telemóveis, uma mulher, um filho, basta um filho que a vida é para ser vivida ao máximo e o que interessa é um agregado familiar sem muitas despesas. Posso parecer exagerado mas o que vi acontecer à minha volta foi um movimento de supressão das raízes tradicionais de co-habitação familiar (já sem falar nas relações afectivas) onde as famílias com mais membros poderiam dar origem a linhas com mais descendentes fruto do variado apoio, conjunto, de todos os membros. Esta visão foi dramática nas cidades com a proliferação (que já vinha dos anos 40) da "habitação unifamiliar" e com o apelo publicitário à constituição de "famílias" de 4 membros (no máximo), número ideal para o fisco-pós-II guerra tão carente de impostos e que via no desmembramento dos (médios) agregados familiares, onde só pagava o "cabeça de casal", uma nova forma de duplicar as colectas. Dramáticamente, jovens adultos e adultos estão a voltar, agora, para "casa" dos pais, já idosos, na maioria muito isolados, para terem um tecto e viverem à custa da reforma dos progenitores. A outra questão é a noção de emprego. Tantos anos com a propaganda das liberdades, direitos, disto e direitos daquilo, que já existem duas gerações de indivíduos que só se sentem trabalhadores d'outrém e assim o exigem. Direitos e reforma depois dos 60 para gozar o que descontaram (a maioria da população não descontou quase nada mas exige quase tudo). Para aqueles que sempre viveram com satisfação no trabalho e que o sentiram como complemento do carácter, e da sociabilização, não há idade para reformas, apenas um continuar, com prazer, dependente da forma física e mental. Em geral, quando se pode, trabalhar até tarde inibe muitas doenças e aumenta a independência económica. 
Se houvesse uma noção de trabalho, de orgulho, de parceria, se houvesse uma educação pelo esforço a maioria até perceberia as razões desta crise que nos assola há décadas. Foram anos a ouvir os políticos a exortarem as exigências sem falarem uma só vez das obrigações. Nunca ouvi um ministro a educar para o trabalho por conta própria, pelo empreendorismo para criar postos de trabalho!
As Nações Unidas dizem 2050. São uns óptimistas.

20 de agosto de 2012

Bandalheiros bandarilheiros


A forma violenta como ocorreu a "manifestação" anti-tourada de Viana do Castelo demonstra o carácter dos seus intervenientes. Já estou a imaginar estes bandalheiros a concordar com um cordão de povo à entrada dos quiosques a cuspir, a empurrar e a insultar quem pretenda comprar um maço de tabaco, um cordão de gente a insultar e a agredir casais homossexuais que estejam a entrar numa conservatória para casar, e por aí fora; porque, há a liberdade de dizer o que se pensa da forma como se quiser nem que seja à porrada. No fundo, esta gente (vide. associações politizadas), amante dos direitos dos animais, age como bandarilheiros, pronta a cravar os ferros no dorso dos que pensam de forma contrária à sua.

17 de agosto de 2012

Oportunidades russas


Depois de pretenderem publicidade com um 3-em-1, as meninas Pussy defenderam-se no tribunal dizendo que não pretendiam fazer coisa nenhuma. As leis russas não são como as de Portugal, a brincadeira deu para o tôrto e, em parte, abriu-se-lhes uma nova oportunidade. Poderão tentar uma nova versão de (pussy) jail house rock!

Caixinhas


Sempre que um jornal on line noticía uma desgraça ou infortúnio a alguém cuja cara seja conhecida o rol de comentários não se faz esperar primando pelo escárnio e desprezo. Ultimamente tenho estado um pouco mais atento a este fenómeno dos leitores e não posso deixar de referir a péssima ortografia, a falta de coerência no discurso, a falta de pontuação e acentuação e, principalmente, a diarreia ressabiada e mal-criada dos comentadores. Porquê demonstrar satisfação com um mal que aconteceu a alguém que não conhecemos? A resposta está no algodão!... quem não sobe, porque não sabe (ou não sabe para onde ir), espera que os que arriscam caiam, um dia. É esse "prazer" que move as pessoas a escrever nas caixinhas dos comentários e é o melhor exemplo da caixinhas que têm dentro de si. Os comentários às notícias não promovem o "diálogo", o jornal ou a "democracia". Infelizmente reforçam, plenamente, a ideia do cidadão moderno que o regime tem vindo a promover, talvez com a satisfação de grávidos de progresso já não se poder dizer: "... não dás uma para a caixa"...!

16 de agosto de 2012

Um dos maiores criminosos de guerra


Em nome do "fim da guerra", em nome da "democracia" e da liberdade "dos povos" uma série de políticos preparou-se para retaliar contra um inimigo encetando, com precisão, um esquema de dissuasão a futuros adversários e com isso afirmar-se como cabecilha na discussão e na divisão do espólio humano e material que restou dessa guerra. Falo dos Estados Unidos e de um dos maiores criminosos de guerra que existiu, o presidente Harry Truman, nunca julgado pela história. Nas suas mãos, Truman, teve a oportunidade de anular o lançamento da bomba atómica (Eisenhower opunha-se ao lançamento da mesma uma vez que o Japão já estava derrotado e preparava-se a capitulação), aceitar a rendição (não condicional) do Japão, evitar a morte de japoneses inocentes, civis não armados, teve a oportunidade de escrever a palavra "paz" sem o custo de mais perdas humanas e materiais, teve a oportunidade de pensar, meditar, longe do palco de guerra, das balas, longe do stress de tomadas de posição imediatas. Mas não. No seu lustroso gabinete, nos seus jardins, na calma da sua família, a sua natureza falou e deu-se ao luxo de escolher quatro cidades alvo "que ainda não tinham sido bombardeadas", aleatórias, ficando a vida humana dependente do bom estado do tempo que a missão necessitava. No meio da imprevisibilidade do que resultaria no lançamento das bombas – os peritos estimavam para cima de 20 000 mortos – mas consciente das consequências que as radiações provocariam, Truman ponderou e decidiu pela afirmação da nação americana e pela política do seu consulado, que não queria que os russos fizessem exigências territoriais no oriente, tendo, Truman, a possibilidade de terminar a guerra apenas nos termos americanos. O extermínio que se seguiu é bem conhecido: morreram perto de 140 000 pessoas num segundo e o que as centenas de milhares de sobreviventes sofreram, durante várias gerações, ultrapassou a ficção. Não contente com os "resultados", após o lançamento em Hiroshima, três dias depois, foi lançada uma outra bomba atómica em Nagasaki.
Neste mês de Agosto, fazem 67 anos que esses extermínios ocorreram. Não vi capas de jornais, nem comentários e mesas redondas. Não vi consciências aflitas. Não li artigos sobre o "6 de Agosto de 1945" dos peritos no extermínio.


Seria


Seria interessante saber como se tem portado o nível de donativos, de 2004 para cá, no CDS-PP. Cresceu, decresceu, por causa da "crise", pela falta de festas? E nos outros partidos como estamos de recibos?


14 de agosto de 2012

Coroação


Arrastado pelo Miguel Castelo Branco, prendi-me um pouco com este filme. É um filme, eu sei, mas não deixa de ser curioso a tentativa da aproximação histórica à efeméride, sendo que, estou certo, a verdadeira cerimónia que ocorreu em 1804 deve ter sido bem mais pirosa, hipócrita, um autêntico derramar de contradições. Um chinelo a não querer sair dos pés a que pertence. 

Para os que não sabem, nos países da velha europa edita-se (nos países monárquicos e nas repúblicas), desde os princípios do séc. XX, um "Anuário" dos descendentes da nobreza histórica, tendo a moda tido início na Noruega, Holanda e França. Em França, onde as gentes sentem mais a coisa visto poderem ser tetranetos dos genocidas,  existe a Associação de Ajuda Mútua da Nobreza Francesa que, para além de editar o ANF, edita o "Anuário da Não Nobreza" – os who's who – que trata, especificamente, de "anunciar" quem são os nobres que o foram a partir da coroação de Napoleão, que, como sabem, à boa maneira da "liberdade, igualdade e fraternidade", instituiu dezenas de títulos novinhos em folha. Vive la revolution!


12 de agosto de 2012

Outra coisa qualquer


Este ano assisti a vários eventos dos jogos de Londres 2012. Amo desporto e vibro com a acção dos atletas mas cada vez mais me inibo de pensar que os jogos deviam ter o nome que tem. Chamar de "olímpicos" aos jogos da "era moderna" é uma aberração. O que aconteceu nos finais do séc. XIX, por parte do barão de Coubertian, foi a apropriação abusiva do nome de uma prestigiada prova desportiva, que se realizou entre os séculos VIII, a.c. e IV d.c., emergindo-a com uma noção de competição (materialista, porque em primeiro lugar está a contabilidade das medalhas e não o ethos do desporto) entre nações e com a inclusão das modalidades em voga na época. No fundo, o mais apropriado era ter chamado "Jogos sem Fronteiras" (nome adoptado por um conhecido concurso dos anos 80). O Olimpo está longe, os jogos nada têm de Helénicos e as regras de participação têm sofrido tantas alterações que hoje se vislumbram decadentes face ao "espírito Olímpico". A competição pelas medalhas e a fachada "vitoriosa" que os países querem transmitir faz com que um atleta de ascendência camaronêsa, pai dos Camarões, mãe da Argélia, nascido em Berlim, possa competir pela Alemanha apesar de viver em Espanha desde os nove dias de idade e actualmente treinar em Marrocos. Este exemplo é mais notório nos casos de atletas com duas ou mais "nacionalidades" e que já competiram por dois países diferentes. Toda a gente sabe dos apoios que as federações desportivas dos maiores países europeus dão a atletas emigrantes ou filhos de emigrantes. Se as regras de admissão devem ser flutuantes tal como a vida das nações então que se apelide, sem constrangimentos, outra coisa qualquer a estes jogos. Outra questão é a admissão de novas modalidades. Depois do BTT ter sido admitido estou à espera para ver quando teremos o bodyboard, skyboard, escalada, moto 4, trial, skate, ultraleve, paraquedismo, ski, playsation, pesca à linha, bilhar às três tabelas, matrecos e saltar a macaca. 

11 de agosto de 2012

Ar rarefeito


O ar foleiro e rarefeito que se vive em Portugal é condicionado por vários ónus. De certa forma, não me entusiasma saber se a espionagem está activa no regime, está desde há 100 anos, ou se os crimes eram "crimes" e se já prescreveram. O que me interessa constactar é o anátema moral dos "construtores da liberdade", ver o que está escondido na palma dos punhos cerrados. Por cada indígena que se levanta a perguntar "onde é que você estava no 25 de Abril?" há dez cabeças que acenam tal qual as estatuetas dos cãenzinhos que fizeram moda no vidro traseiro das viaturas de 70. Chegados aqui, estamos anestesiados pela propaganda libertária e não reagimos aos meios que foram utilizados para se chegar a este fim de ciclo. Para Portugal sair da crise não basta melhorar a conjunctura económica, é necessário uma desinfestação da linguagem pseudo-positivista com que embrulham a recente história, é necessário desinfestar do palco político os "heróis", os "exilados", "capitães", sindicalões, "dissidentes" e outros "democratas" que figuram no diccionário desta cloaca para que a nação se possa emancipar, erigir e dialogar sem complexos.

10 de agosto de 2012

PCP


Já se sabia que o Partido Comunista tinha negócios chorudos nos anos do PREC, já se sabia que os comunistas multiplicavam-se nas empresas e nos negócios do estado o que eu não sabia era que uma das estratégias da empresa Fnac, de ar condicionado, patrocinada pelo partido comunista da ex-RDA, consistia em instalar microfones, para espionagem, e afins juntamente com o dito equipamento, isto nas palavras de uma dissidente! Imagino o que os comunas fizeram nos anos a seguir ao 25 de Abril. Agora, por uma questão moral urge dizer com todas as palavras, mesmo sabendo que os comunistas vão chorar por estas e outras "inocências", então os velhacos berram contra a PIDE e portavam-se (aqui e nas lindas ditaduras soviéticas) – portam-se – com idênticos estratagemas tão bem ou muito melhor que a dita?


9 de agosto de 2012

Roubado


Percorrer os sites de "informação", media, os blogges, ou redes sociais é um perigo para quem, como eu, sofra com a expressão "roubar"! Todos, ou quase todos, afirmam que estão a ser roubados, pelos outros. Subvalorizando a ira, eu diria que todos se sentem roubados por todos os que não são família ou amigos muito chegados; assim, eu serei um dos ladrões para a maioria. O alvo principal desta espuma são (por esta ordem) os políticos, gestores, presidentes (do que for), empresários, artistas, actores, funcionários públicos, agentes de autoridade, e congéneres, e todo e qualquer humano com sucesso. Todos roubam. Dito de outra maneira, todos roubam e é por isso que as "víctimas", que resmungam, não têm a quantidade de dinheiro que merecem! Esta ladainha já não é uma canção é uma fé. A obcecação pelo dinheiro alheio é um dos problemas da independência moral dos portugueses se abrirmos a página da ascensão e visibilidade social que a maioria almeja. Uma coisa é diagnosticar uma acção outra é contabilizar a acção. Eu penso que muita da lisura com que se trata a corrupção se deve à arquitectura da República e que esta tem na sua espinha os piores vícios para os cidadãos. Para mim, sem dúvida, a forma como a sociedade se organizou após o golpe terrorista de 1910 e a "revolução" de 1974 foi a mesma e com o fito de apropriação do bem comum, vulgo, o Estado (que devia ser uma entidade independente de políticas, gestão pública e governo parlamentar). Os portugueses gostam de ser roubados, parece, nem que seja para manterem o hábito de se sentirem roubados, e não só, para se refugiarem da própria inércia e da falta de coragem para arriscar.
Se esta crise servisse para os portugueses aprenderem com ela eu diria que é bem vinda. Mas não. Poucos irão perceber que a gestão do estado, nos últimos 30 anos, foi a principal razão do descalabro financeiro que está e irá afectar todos, sem excepção, poucos perceberão que também são responsáveis pelo "roubo" de que se sentem atingidos, poucos notarão que não têm a liberdade para escolher o regime em que vivem, poucos sentirão que a palavra "roubo" que exaltam devia ser substituída por "egoísmo", muito poucos terão vontade de mudar o que for porque mudar, transformar, limpar, construir com o nosso risco, exigir de nós tanto quanto exigimos aos outros é um roubo, um assalto, e não há nada mais grave neste mundo do que roubarem as "nossas" conquistas e direitos.

8 de agosto de 2012

A educação luz como o "ouro"


Lá, como cá, os bons exemplos exigem-se. Sabendo que são vistos e interpretados por milhares de jovens os campeões deviam ter algum decoro ou sigilo. Não tarda temos o Usain Bolt a dizer que vai ali ao canto da rede do lançamento do martelo dar uma mija porque "a vontade aperta".

Ter queda


Uma notícia na primeira página do jornal "Correio da manhã" alerta-nos para o problema da queda "acentuada" de cabelo do primeiro ministro Passos Coelho. Estou certo que a ser verdade deve ser algo que preocupe, provavelmente, o sr. Passos Coelho mas acho que o enfoque é de mau tom e não é caso para "notícia" – não falta, na primeira página falarão sobre a queda acentuada das bochechas do sr. Soares ou da flacidez dos glúteos máximos da sra. ministra tal e tal. Eu sustenho-me perante outras quedas. No que a figuras de estado respeita, alguns dos nossos "máximos" representantes tiveram notórias quedas. Realço a queda para o desenho a carvão e a pastel do Rei D. Carlos de Bragança, da sua notável queda para a decoração de interiores, sendo que pouca gente sabe que parte da renovação de interiores (espaço e mobiliário) feita no palácio de Belém, antes do seu casamento, teve a concepção ideacional do futuro Rei. Grande parte do mobiliário que o Presidente da República mostra aos seus convidados foi escolhido, organizado, encomendado, modificado e implantado (segundo estudos a carvão que podem ser apreciados no Museu da Presidência da República) por D. Carlos. Seria na designação actual um designer de interiores. A escolha dos artistas que iriam executar as pinturas decorativas (portas, sobreportas, tectos) no palácio foi escolha pessoal sua assim como os fornecedores que produziram as porcelanas integradas na decoração. Todas estas quedas não livraram o chefe de estado de um tiro traiçoeiro na nuca. Desse perigo o nosso primeiro ministro está livre. Muitos seus antecessores tiveram quedas, de rasca arte, que originaram víctimas e prejuízos para o bem comum e ainda estão com a nuca bem bronzeada.

7 de agosto de 2012

Complexos


A maioria dos defensores da República vibram o argumento da perpetuação de uma "família" no poder e dizem "Por que razão alguém, só porque sim, há-de ser o representante máximo de um país?". Ora a questão está desfocada. Não se trata de ser o "máximo" mas sim ser um representante "isento" e alheio às convenções e "negócios" do poder. O que separa, hoje, as Repúblicas das Monarquias é a forma de representação de estado, digo, a forma promiscua, corrupta e os negócios de poder que envolvem a "corrida" ao emprego "máximo" de um país, tudo isso envolvido na miragem mentirosa de que qualquer um pode ser presidente!! – basta ler as leis das repúblicas para se perceber que a partidocracia mina a estrada, nunca construída, para o povo se sentar no penico tão desejado. Mas há outro detalhe, muito importante, que desenha o carácter e a cultura dos anti-monárquicos, é a confusão de que um monárquico descende da, ou defende a, "nobreza". Não há nada a fazer. Quem assim pensa nunca teve uma causa, nunca teve uma convicção. No fundo, o anti-monárquico, típico, insinua por complexo.


6 de agosto de 2012

Chegar


Ontem, recém chegado de um periodo de descanso, liguei a televisão, já noite. Passava na RT2 um documentário argumentado por Maria Olinda Soromenho sobre S. Tomé e Príncipe. Fiquei deliciado. A soberba reportagem não possuia excesso ideológico (na forma de falar do passado) nem excesso fotográfico. Falava do que era (e foi) e mostrava o que se via sem recurso a imagens de postal. Conhecia um pouco a história de S. Tomé mas nunca tinha visto uma reportagem tão suave e tão calma. S. Tomé foi, durante três séculos, a imagem de um Portugal pujante, afirmativo, pragmático, bem mais conclusivo que na metrópole. Tudo o que interessa nas ilhas foi edificado por portugueses, todas as ruas e estradas, estátuas. Os inúmeros pontões pontuam e organizam as enseadas e pequenas baías. No meio da exuberante vegetação, as roças. Na reportagem, aqui e ali, uma certa insistência na "escravatura" perpretada pelos Portugueses no tempo da Monarquia.... As roças portuguesas, protótipos de villas e bairros industriais, com creches, hospital, salas de convívio, cantinas, que envergonhariam outros empreendimentos empresariais na época, algumas belíssimas, arquitectónicamente, outras mais rústicas. Existem umas dezenas. O cacau foi trazido da Baía, no Brasil, e aí ficou até os dias de hoje sendo considerado o melhor do mundo. Hoje em dia, portugueses poucos, estrangeiros muitos. O 25 de Abril deve ter provocado um temor maligno no coração dos portugueses aí radicados. A ilha de S. Tomé vive do seu passado e as centenas de casas semi-destruídas não parecem querer ser reconstruídas – talvez seja uma nostalgia S. Tomense a pedir que os antigos voltem para as pôr de pé! Fiquei com vontade de voltar a partir. De voltar a chegar.