11 de agosto de 2012

Ar rarefeito


O ar foleiro e rarefeito que se vive em Portugal é condicionado por vários ónus. De certa forma, não me entusiasma saber se a espionagem está activa no regime, está desde há 100 anos, ou se os crimes eram "crimes" e se já prescreveram. O que me interessa constactar é o anátema moral dos "construtores da liberdade", ver o que está escondido na palma dos punhos cerrados. Por cada indígena que se levanta a perguntar "onde é que você estava no 25 de Abril?" há dez cabeças que acenam tal qual as estatuetas dos cãenzinhos que fizeram moda no vidro traseiro das viaturas de 70. Chegados aqui, estamos anestesiados pela propaganda libertária e não reagimos aos meios que foram utilizados para se chegar a este fim de ciclo. Para Portugal sair da crise não basta melhorar a conjunctura económica, é necessário uma desinfestação da linguagem pseudo-positivista com que embrulham a recente história, é necessário desinfestar do palco político os "heróis", os "exilados", "capitães", sindicalões, "dissidentes" e outros "democratas" que figuram no diccionário desta cloaca para que a nação se possa emancipar, erigir e dialogar sem complexos.

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