6 de agosto de 2012

Chegar


Ontem, recém chegado de um periodo de descanso, liguei a televisão, já noite. Passava na RT2 um documentário argumentado por Maria Olinda Soromenho sobre S. Tomé e Príncipe. Fiquei deliciado. A soberba reportagem não possuia excesso ideológico (na forma de falar do passado) nem excesso fotográfico. Falava do que era (e foi) e mostrava o que se via sem recurso a imagens de postal. Conhecia um pouco a história de S. Tomé mas nunca tinha visto uma reportagem tão suave e tão calma. S. Tomé foi, durante três séculos, a imagem de um Portugal pujante, afirmativo, pragmático, bem mais conclusivo que na metrópole. Tudo o que interessa nas ilhas foi edificado por portugueses, todas as ruas e estradas, estátuas. Os inúmeros pontões pontuam e organizam as enseadas e pequenas baías. No meio da exuberante vegetação, as roças. Na reportagem, aqui e ali, uma certa insistência na "escravatura" perpretada pelos Portugueses no tempo da Monarquia.... As roças portuguesas, protótipos de villas e bairros industriais, com creches, hospital, salas de convívio, cantinas, que envergonhariam outros empreendimentos empresariais na época, algumas belíssimas, arquitectónicamente, outras mais rústicas. Existem umas dezenas. O cacau foi trazido da Baía, no Brasil, e aí ficou até os dias de hoje sendo considerado o melhor do mundo. Hoje em dia, portugueses poucos, estrangeiros muitos. O 25 de Abril deve ter provocado um temor maligno no coração dos portugueses aí radicados. A ilha de S. Tomé vive do seu passado e as centenas de casas semi-destruídas não parecem querer ser reconstruídas – talvez seja uma nostalgia S. Tomense a pedir que os antigos voltem para as pôr de pé! Fiquei com vontade de voltar a partir. De voltar a chegar.

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